Cientistas australianos desenvolveram baratas ciborgues capazes de aplicar injeções, com o objetivo de ajudar vítimas presas sob os escombros após terremotos e outros desastres. Em testes de laboratório, os insetos modificados conseguiram completar o procedimento em 72% das tentativas. A tecnologia ainda é experimental, mas pode abrir novas possibilidades para operações de resgate.
Baratas ciborgues podem ajudar a salvar vítimas de desastres
A novidade foi apresentada em uma reportagem publicada em 23 de outubro de 2026 pelo portal francês Linternaute. O projeto reúne pesquisadores da Universidade de Queensland e da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, que desenvolveram pequenos sistemas eletrônicos capazes de transformar insetos vivos em dispositivos móveis de assistência médica.
O equipamento recebeu o nome de Paraborg, combinação de conceitos relacionados a paramédicos e organismos ciborgues. A proposta é permitir que esses insetos entrem em espaços estreitos, onde equipes humanas e determinados robôs encontram dificuldades de acesso. Assim, poderiam auxiliar pessoas feridas enquanto o resgate convencional ainda não consegue alcançá-las.
Como os pesquisadores conseguem controlar os movimentos?
Para desenvolver a tecnologia, os cientistas utilizaram a espécie Macropanesthia rhinoceros, conhecida como barata-rinoceronte gigante australiana. Os animais receberam pequenos componentes eletrônicos que permitem orientar sua locomoção. Diferentemente dos robôs convencionais, os insetos continuam utilizando as próprias pernas e estruturas biológicas para atravessar obstáculos.
O controle acontece por meio de estímulos elétricos aplicados às antenas e aos cercos, estruturas sensoriais localizadas na parte traseira do corpo. Um operador consegue orientar curvas, deslocamentos e momentos de parada. Isso permite posicionar o inseto próximo a um alvo, etapa necessária antes de acionar o mecanismo de injeção.
Uma pequena seringa é transportada sobre o inseto
A principal inovação está em um dispositivo automático de injeção suficientemente pequeno para ser carregado pela barata. Quando o inseto chega à posição desejada, o operador aciona o equipamento. Um mecanismo com mola libera o injetor, permitindo que a agulha alcance a superfície escolhida para o procedimento.
O sistema também utiliza uma reação química entre ácido cítrico e bicarbonato de potássio para produzir gás carbônico. A pressão gerada movimenta o êmbolo da seringa e impulsiona o líquido. Dessa forma, o dispositivo combina acionamento eletrônico, energia mecânica e uma reação química para realizar a aplicação.
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Experimentos registraram taxa de sucesso de 72%
O estudo, publicado na revista científica Advanced Science, apresentou resultados promissores. Em uma sequência de 25 testes, os pesquisadores conseguiram realizar 18 aplicações bem-sucedidas. Isso corresponde a uma taxa de sucesso de 72% no procedimento completo, desde a movimentação até a injeção.
É necessário esclarecer que os experimentos utilizaram alvos de silicone para simular a pele humana, não pessoas feridas. Os pesquisadores também observaram que a precisão aumentava quando a distância entre o inseto e o alvo era menor. Em condições favoráveis, a taxa de sucesso da injeção a curta distância chegou a aproximadamente 95%.
Dois insetos podem trabalhar juntos durante o resgate
Outra parte do projeto envolve o trabalho coordenado. Em vez de instalar todos os equipamentos em um único animal, os cientistas desenvolveram uma estratégia na qual duas baratas ciborgues desempenham funções diferentes. Uma transporta uma câmera pequena, enquanto a outra leva o mecanismo responsável pela aplicação do medicamento.
O inseto equipado com câmera transmite imagens ao operador, permitindo observar o ambiente e localizar o alvo. Depois, a barata que transporta a seringa é conduzida até a posição adequada. Essa divisão de tarefas poderá permitir, futuramente, que grupos de insetos executem operações mais complexas em locais de difícil acesso.

Por que utilizar baratas em vez de robôs tradicionais?
Uma das vantagens está na capacidade natural desses animais de atravessar espaços irregulares. Após o desabamento de um prédio, podem existir pequenas passagens entre concreto, madeira e outros materiais. Os robôs de resgate convencionais nem sempre conseguem acessar essas regiões, especialmente quando precisam transportar equipamentos médicos.
As baratas também possuem estruturas corporais resistentes e mecanismos naturais de adaptação aos obstáculos. Segundo os pesquisadores, combinar essas características com componentes eletrônicos pode reduzir determinadas exigências de energia e construção presentes em robôs totalmente artificiais. Entretanto, o uso de insetos vivos também levanta questões sobre bem-estar animal e limitações operacionais.
A tecnologia ainda precisa superar obstáculos importantes
Apesar dos resultados, as baratas ciborgues ainda não estão prontas para atender vítimas reais. Os experimentos demonstraram a aplicação de líquidos em superfícies artificiais, mas não comprovaram a segurança de injeções em humanos. Antes de qualquer utilização médica, seriam necessárias avaliações envolvendo esterilidade, precisão, dosagem e riscos para os pacientes.
Outras dificuldades incluem o funcionamento em ambientes instáveis, a comunicação com os operadores e a identificação correta dos locais de aplicação. Também seria preciso definir quais medicamentos poderiam ser administrados com segurança. Portanto, o resultado de 72% representa um avanço experimental, não uma taxa comprovada de sucesso em operações reais de salvamento.
O que falta para essas baratas participarem de resgates reais?
O próximo desafio é transformar o protótipo em uma solução confiável para condições muito diferentes das encontradas no laboratório. Isso envolve testar o deslocamento em terrenos complexos, melhorar o desempenho dos mecanismos e desenvolver procedimentos que permitam a atuação coordenada com equipes de emergência.
Os pesquisadores demonstraram que insetos controlados eletronicamente podem fazer mais do que procurar sobreviventes: também conseguem transportar mecanismos destinados à assistência médica. Ainda não existe uma data confirmada para sua utilização em pessoas. Até lá, os resultados mostram uma possibilidade para o futuro dos resgates, que dependerá de novos testes e validações de segurança.




