Durante 38 dias em junho, Campina Grande troca a rotina de cidade universitária pelo ritmo de forró pé de serra. O Maior São João do Mundo levou 3,5 milhões de visitantes ao Parque do Povo em 2025 e movimentou R$ 740 milhões na economia local.
Como Campina Grande transformou uma festa popular em fenômeno nacional?
A festa que hoje atrai milhões de pessoas começou de maneira muito mais simples. Até meados dos anos 1980, Campina Grande mantinha um São João comunitário, com fogueiras diante das casas, quadrilhas e trios de forró espalhados pelos bairros. Em 1983, a prefeitura assumiu oficialmente a organização dos festejos e começou a dar uma nova dimensão ao evento.
Foi em 1986 que o então prefeito Ronaldo Cunha Lima decidiu apostar na ideia de transformar a comemoração em um grande acontecimento turístico. O Parque do Povo tornou-se o principal endereço da festa e, com as ampliações realizadas ao longo das décadas, chegou a quase 40 mil m² em 2024, com capacidade para receber até 76 mil pessoas por dia.

Dentro do Parque do Povo, o São João ganha outra dimensão
Quem entra no Parque do Povo encontra uma espécie de cidade cenográfica dedicada ao São João. A estrutura reproduz elementos da antiga Vila Nova da Rainha, nome que Campina Grande recebeu no passado, enquanto barracas, quadrilhódromo e a tradicional pirâmide ocupam diferentes pontos do espaço.
Na 42ª edição, realizada em 2025, a Prefeitura de Campina Grande contabilizou mais de 500 apresentações, entre 356 atrações musicais, 115 trios de forró e competições de quadrilhas. A edição de 2026 está programada para ocorrer entre 3 de junho e 5 de julho, conforme o anúncio oficial.
O que existe em Campina Grande quando não é época de São João?
Fora do período junino, o movimento continua em torno de espaços que contam diferentes capítulos da história paraibana. O centro permite conhecer parte desse patrimônio em trajetos curtos, passando por museus, monumentos, praças e construções ligadas à antiga vocação comercial da cidade.
- Açude Velho: cartão-postal com construção iniciada em 1829, hoje cercado por monumentos e pista de caminhada no centro da cidade.
- Museu de Arte Popular da Paraíba: projetado por Oscar Niemeyer às margens do Açude Velho, apelidado de Museu dos Três Pandeiros.
- Museu do Algodão: instalado na antiga estação ferroviária, conta a história do ciclo do ouro branco que moveu a economia paraibana.
- Monumento Farra de Bodega: homenageia Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga, dois gigantes da música nordestina.
- Vila do Artesão: referência em artesanato regional, com peças de couro, barro e algodão de toda a região.
O algodão que colocou Campina Grande no mapa do comércio mundial
Muito antes de o forró transformar a cidade em destino turístico, era o algodão que atraía comerciantes para a região. No início do século XX, a Paraíba figurava entre as grandes produtoras brasileiras e Campina Grande chegou a ocupar a segunda posição entre as cidades exportadoras de algodão do mundo. O produto passou a ser conhecido como ouro branco.
A expansão ferroviária foi fundamental para esse crescimento. Com os trilhos, a produção conseguia alcançar mercados mais distantes e Campina Grande passou a receber compradores de diversas partes do país. O PBTur destaca justamente a importância das ferrovias para a expansão comercial da chamada Rainha da Borborema.

O que comer em um fim de tarde campinense?
A gastronomia mistura a base sertaneja com o que vem do agreste paraibano. A Feira Central, reconhecida como Patrimônio Imaterial pelo IPHAN, é o endereço certo para provar tudo em um só lugar.
- Carne de sol com macaxeira: prato-símbolo do agreste, servido frito com queijo coalho e nata.
- Buchada de bode: iguaria tradicional do sertão paraibano, preparada em panelas de barro.
- Rubacão: arroz de leite com feijão-verde e queijo coalho, comida de trabalhador rural que virou paixão urbana.
- Tapioca recheada: servida quente nos tabuleiros da Feira Central, com recheios doces e salgados.
Leia também: A cidade histórica esquecida que parou em 1850 onde foguetes decolam ao lado de ruínas esquecidas do século XVII.
Quando o clima favorece a visita?
A cidade fica a 550 metros de altitude no Planalto da Borborema, o que garante temperaturas mais amenas que as do litoral. As noites de junho costumam ser frescas, um convite natural para o forró de bota e chapéu.
☀️ Verão
Dez – Fev21-30°C
Temperatura🍂 Outono
Mar – Mai20-28°C
Temperatura❄️ Inverno
Jun – Ago18-26°C
Temperatura🌸 Primavera
Set – Nov20-29°C
TemperaturaTemperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à capital do forró?
A cidade fica a 126 km de João Pessoa pela BR-230, cerca de 1h40 de carro. Também está a aproximadamente 200 km de Recife. O Aeroporto João Suassuna recebe voos regulares de algumas capitais, e a alta temporada do São João concentra voos extras diretos para quem vem só para a festa.
Venha dançar forró no Parque do Povo
Campina Grande é o endereço onde o Nordeste ensaia por um ano inteiro para explodir em junho. Fora da alta temporada, a cidade guarda museus, açudes, arquitetura de Niemeyer e uma feira reconhecida como patrimônio do país.
Você precisa subir a serra da Borborema e passar pelo menos uma noite no Parque do Povo para entender por que milhões de pessoas marcam junho no calendário por causa de uma única cidade.



