A cerca de 120 km de Curitiba, Ponta Grossa funciona como porta de entrada para uma paisagem formada por rochas que começaram a se estruturar muito antes do surgimento dos dinossauros. Nos Campos Gerais, o Parque Estadual de Vila Velha se destaca por sua importância histórica para a conservação ambiental, já que foi a primeira área natural tombada do Paraná, em 1966.
Como Ponta Grossa se tornou referência nos Campos Gerais?
Situada no planalto paranaense, Ponta Grossa é o maior município dos Campos Gerais e teve sua formação marcada pelo caminho dos tropeiros durante os séculos XVIII e XIX. A chegada posterior de comunidades de origem ucraniana, alemã, polonesa, italiana, russa, síria e libanesa ampliou essa influência e deixou elementos visíveis tanto na arquitetura quanto nos costumes e na gastronomia da cidade.
Embora o centro urbano concentre a estrutura necessária para receber quem chega, os principais motivos para visitar Ponta Grossa estão espalhados pelo interior do município. As atrações aparecem entre áreas de mata de araucária e campos nativos, enquanto a região central funciona como ponto de apoio para os deslocamentos pelas estradas que levam aos principais destinos naturais.

O que visitar no Parque Estadual de Vila Velha?
O Parque Vila Velha tem quase 4 mil hectares e conserva fragmentos de mata de araucária. Segundo o Governo do Paraná, espécies ameaçadas como o lobo-guará, o bugio-ruivo, o tamanduá-bandeira e a jaguatirica já foram vistas na unidade. O parque se divide em três atrativos principais.
- Os Arenitos: cerca de 23 formações rochosas com nomes populares como Taça, Camelo, Rinoceronte, Proa de Navio, Esfinge e Tartaruga, esculpidas ao longo de 300 milhões de anos.
- As Furnas: poços circulares com cerca de 100 metros de diâmetro e mais de uma centena de metros de profundidade, formados por desabamentos da rocha.
- A Lagoa Dourada: recebe esse nome pela coloração que aparece quando os raios de sol refletem na superfície, cercada por mata preservada.
- Arvorismo e balão estacionário: o parque oferece atividades de aventura, incluindo voos de balão cativo para observar os arenitos do alto.
Ponta Grossa combina um forte polo industrial com belezas naturais únicas nos Campos Gerais. O vídeo é do canal Cidades do Interior, com cerca de 19 mil inscritos, focado em documentar o desenvolvimento e a qualidade de vida de municípios brasileiros, e apresenta indicadores econômicos, opções de educação e pontos turísticos como o Parque Estadual de Vila Velha e o Buraco do Padre:
Uma geologia que começa 400 milhões de anos atrás
Segundo o registro de tombamento da Secretaria do Patrimônio Cultural do Paraná, a geologia do parque apresenta datações que chegam a aproximadamente 400 milhões de anos. Foi justamente o valor paisagístico, arqueológico e histórico que levou o estado a tombar a área em 18 de janeiro de 1966, tornando-a o primeiro bem natural protegido do Paraná.
Os arenitos foram ponto de referência para bandeirantes e tropeiros nos séculos XVI, XVII e XVIII, quando a região dos Campos Gerais ainda era caminho de boiadas rumo ao sul. O nome dado a cada rocha nasceu do olhar desses viajantes, que viam na pedra formas familiares.
As outras atrações naturais fora do parque
Vila Velha não é o único motivo para visitar a cidade. Outros atrativos naturais ficam a poucos km do centro, acessados pela Rodovia do Talco. Juntas, essas paradas rendem um roteiro de três ou quatro dias.
- Buraco do Padre: um dos cenários mais fotografados do Paraná, com cachoeira que despenca dentro de uma furna de paredões circulares.
- Cachoeira da Mariquinha: 30 metros de queda livre cercada por formações de arenito e mata nativa, boa para trilhas e camping.
- Cânion e Cachoeira do Rio São Jorge: paredões rochosos ideais para rapel, com queda de cerca de 30 metros.
- Represa dos Alagados: alternativa para quem gosta de remo, windsurfe, pesca e natação em um lago cercado de natureza.
- Capela Santa Bárbara: pequena capela centenária em estilo russo, reminiscência da colonização ucraniana da região.

MunchenFest e a herança dos imigrantes alemães
A MunchenFest é o maior evento gastronômico e cultural da cidade e acontece há quase 30 anos. É a única festa do Brasil com apoio oficial do Consulado Geral da Alemanha em Curitiba, e celebra a imigração alemã com comidas típicas, danças, jogos tradicionais e muito chope gelado.
O Festival Nacional de Teatro Amador (FENATA) é outro evento de peso. Acontece desde 1973 e já reuniu mais de 1.500 grupos ao longo da história, o que o coloca entre os festivais de teatro mais antigos do país.
Gastronomia: a alcatra na pedra e a cena cervejeira
O prato oficial da cidade é a alcatra na pedra, uma peça de carne servida em uma pedra quente sobre a qual o comensal termina de grelhar a carne no próprio ritmo. É comum em vários restaurantes locais e virou símbolo gastronômico.
Ponta Grossa também desponta como um dos centros de cerveja artesanal do sul do Brasil, com cervejarias premiadas em concursos nacionais. A cena de bares cresceu junto com a tradição, e é boa escolha para encerrar um dia de trilhas pelos arenitos.

Como chegar saindo de Curitiba?
Ponta Grossa fica a 120 km da capital paranaense pela BR-376, rodovia toda duplicada, com trajeto de cerca de 1h40 de carro. O acesso ao Parque Vila Velha é direto pela mesma rodovia, no km 515. O aeroporto local recebe voos, mas a maioria dos visitantes chega via Aeroporto Internacional Afonso Pena, em Curitiba, e segue de carro ou ônibus.
As esculturas naturais mais antigas do sul do Brasil
Ponta Grossa é daqueles destinos em que a paisagem faz o trabalho sozinha. As pedras esculpidas pelo vento e pela água ao longo de centenas de milhões de anos formam um cenário que poucos lugares do país conseguem oferecer, e tudo cabe em um bate-volta saindo de Curitiba ou em um roteiro de fim de semana mais tranquilo.
Você precisa conhecer Ponta Grossa e caminhar entre a Taça e o Camelo, as rochas que viraram símbolo do Paraná muito antes de qualquer parque no estado.




