Beber café ou chá faz parte da rotina de milhões de pessoas e, além do sabor e do efeito estimulante, essas bebidas vêm sendo investigadas por possíveis relações com a saúde cerebral. Um estudo recente acompanhou mais de 130 mil pessoas por décadas e encontrou uma associação entre o consumo de bebidas com cafeína e menor risco de demência e declínio cognitivo.
Por que café e chá passaram a chamar atenção quando o assunto é memória?
Café e chá contêm compostos bioativos que podem influenciar diferentes processos do organismo. A cafeína, por exemplo, atua sobre o sistema nervoso central e pode aumentar temporariamente o estado de alerta. Além dela, essas bebidas fornecem substâncias antioxidantes que vêm sendo estudadas por possíveis relações com a proteção das células.
A relação com a saúde cerebral, porém, não significa que essas bebidas funcionem como tratamento ou prevenção garantida. O interesse científico está principalmente na associação observada entre determinados padrões de consumo e indicadores de funcionamento cognitivo, especialmente quando o consumo ocorre de maneira moderada e dentro de uma alimentação equilibrada.

Qual tipo de café ou chá apresentou associação mais favorável à cognição?
O ponto que ganhou atenção foi a diferença entre bebidas com cafeína e versões descafeinadas. Os resultados indicaram que o consumo maior de café cafeinado esteve associado a menor risco de demência, enquanto o café descafeinado não apresentou a mesma relação. O chá também mostrou associações favoráveis com alguns indicadores cognitivos.
Pesquisas publicadas pelo estudo registrado no PubMed acompanharam 131.821 participantes por até 43 anos. Entre os participantes com maior consumo de café cafeinado, houve menor risco de demência e menor frequência de declínio cognitivo subjetivo. As associações mais fortes apareceram com aproximadamente duas a três xícaras de café ou uma a duas de chá por dia.
Quais hábitos relacionados ao consumo merecem atenção?
O estudo não indica que aumentar indiscriminadamente a quantidade de café ou chá seja uma estratégia para proteger a memória. Os resultados apontam para associações mais favoráveis em níveis moderados, enquanto características individuais, qualidade do sono, alimentação, atividade física e condições de saúde também podem influenciar a função cognitiva.
Alguns pontos ajudam a colocar os resultados em perspectiva:
Por que a quantidade consumida pode fazer diferença para a saúde cerebral?
Os resultados sugerem que mais não significa necessariamente melhor. A análise encontrou uma relação não linear entre consumo de café e alguns desfechos cognitivos, com diferenças mais marcantes em torno de duas a três xícaras diárias. Para o chá, as associações mais favoráveis apareceram em torno de uma a duas xícaras por dia.
Outro estudo longitudinal com 8.715 adultos mais velhos também encontrou associação entre consumo moderado de café e menor velocidade de declínio em alguns testes cognitivos. Os pesquisadores acompanharam os participantes por aproximadamente nove anos, reforçando que o tema merece investigação, mas sem estabelecer que a bebida seja uma causa direta da preservação cognitiva.

O que esse achado pode representar para quem toma café ou chá regularmente?
Para quem já consome essas bebidas, os resultados oferecem uma informação interessante: o consumo moderado pode fazer parte de um padrão de hábitos associado a melhores indicadores de saúde cognitiva. Isso não significa que alguém precise começar a beber café ou chá com a finalidade de prevenir demência, especialmente se houver contraindicações individuais.
O principal valor prático está em interpretar a bebida dentro de um conjunto maior de hábitos. Sono adequado, atividade física, alimentação equilibrada, controle de fatores cardiovasculares e estímulo intelectual continuam relevantes para a saúde cerebral. Café ou chá podem integrar essa rotina, mas não substituem cuidados médicos nem estratégias amplas de envelhecimento saudável.
