Em 1909, o Marechal Cândido Rondon constatou que Cuiabá ocupa o centro geodésico da América do Sul. A medição foi confirmada pelo Exército Brasileiro em 1975. Um obelisco de mármore com 20 metros de altura marca o ponto exato: a cidade brasileira fica à mesma distância dos oceanos Atlântico e Pacífico. A capital de Mato Grosso, fundada em 1719 pelo bandeirante Pascoal Moreira Cabral durante a corrida pelo ouro, é hoje a única capital brasileira onde três biomas se encontram: Cerrado, Pantanal e Amazônia. Os moradores a chamam de Cuiabrasa, e o apelido não é exagero.
Da corrida do ouro ao centro histórico tombado
O ouro encontrado às margens do Rio Coxipó atraiu bandeirantes paulistas no início do século XVIII. O arraial recebeu o nome de Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá em 1726 e foi alçado a capital da província em 1835. O centro histórico preserva o traçado colonial praticamente intacto, com cerca de 400 edificações dos séculos XVIII, XIX e XX, tombadas pelo IPHAN desde 1987, conforme documentação da Prefeitura de Cuiabá.
O Sesc Arsenal, instalado no antigo Arsenal de Guerra do Império (construção iniciada em 1819), é tombado como patrimônio histórico estadual e funciona como centro cultural com programação gratuita. A arquitetura neoclássica franco-lusitana contrasta com o calor tropical que domina a cidade o ano inteiro.

O que visitar na capital mais quente do Brasil?
Cuiabá combina patrimônio colonial, parques urbanos e proximidade com dois dos ecossistemas mais ricos do planeta. A maioria das atrações urbanas fica no centro ou às margens do rio.
- Marco do Centro Geodésico: obelisco de mármore branco na Praça Pascoal Moreira Cabral. Marca o ponto central do continente sul-americano.
- Orla do Porto: complexo à beira do Rio Cuiabá com o Museu do Rio, Aquário Municipal e a Feira Cuiab’Art. Recebe cerca de 10 mil visitantes nos fins de semana.
- Sesc Arsenal: centro cultural em prédio histórico do século XIX. Galeria de arte, biblioteca, teatro e oficinas gratuitas.
- Museu Rondon: dedicado à cultura indígena e ao legado do Marechal Rondon, dentro da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
- Casa do Artesão: artesanato mato-grossense em prédio tombado. Cerâmicas, cestarias de palha e peças em madeira.
- Parque Mãe Bonifácia: área de cerrado preservado dentro da cidade, com trilhas e mirante com vista para os paredões da Chapada ao fundo.
Este vídeo do canal “Estevam Pelo Mundo” faz parte da série #Brasil60 e oferece um guia completo sobre o que fazer em Cuiabá, a capital do Mato Grosso. Localizada no centro geodésico da América do Sul, a cidade mistura história colonial, gastronomia regional e áreas verdes preservadas.
Chapada e Pantanal: os vizinhos de peso
A 67 km do centro, o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães oferece paredões de arenito, grutas, mirantes e a Cachoeira Véu da Noiva, com 86 metros de queda. A estrada é asfaltada e o trajeto leva cerca de 1 hora.
Para o Pantanal, a principal rota parte de Poconé (104 km de Cuiabá) pela Rodovia Transpantaneira, 150 km de estrada de terra com pontes de madeira, onde se avista jacaré, tuiuiú e onça-pintada sem sair do carro. A temporada seca (maio a setembro) é a melhor para observação de fauna.
Siriri, cururu e viola de cocho: a cultura que pulsa
Cuiabá preserva tradições que poucos brasileiros conhecem. O Siriri é dançado por homens, mulheres e crianças em roda ou fileiras, ao som da viola de cocho, instrumento esculpido em tora de madeira inteiriça. O Cururu, executado principalmente por homens, combina canto e dança em louvor aos santos de devoção. As duas manifestações têm raízes indígenas com influências africanas e portuguesas.
A Festa de São Benedito, no primeiro domingo de julho, é uma das celebrações religiosas mais antigas da região, reunindo fé, procissão, danças típicas e comida de rua. Em vez de café, famílias tradicionais tomam guaraná ralado em jejum, hábito herdado dos povos indígenas.

O que se come na capital dos rios?
A cozinha cuiabana é moldada pelos rios. Pantanal, Cerrado e Amazônia abastecem mercados e peixarias com variedade que poucos destinos brasileiros oferecem.
- Mojica de pintado: ensopado cremoso com postas de pintado e mandioca. Considerado o prato mais emblemático da região.
- Pacu assado na folha de bananeira: recheado com farofa de banana e couve.
- Maria-Isabel: arroz cozido com carne seca, popular no dia a dia cuiabano.
- Arroz com pequi: típico do Centro-Oeste, com sabor marcante e aroma inconfundível.
- Furrundu: doce de mamão verde com rapadura, tradição das doceiras locais.
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Quando o calor dá trégua para os passeios?
O clima é tropical quente com duas estações bem definidas: seca (maio a setembro) e chuvosa (outubro a abril). O calor é constante, mas a seca é a melhor janela para Pantanal e Chapada.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao coração do continente?
O Aeroporto Marechal Rondon (CGB) recebe voos diretos de São Paulo, Brasília, Goiânia e outras capitais. De carro, Cuiabá fica a 1.680 km de São Paulo pela BR-364 e a 67 km da Chapada dos Guimarães pela MT-251. A Rodovia Transpantaneira parte de Poconé, a 104 km da capital.
A cidade que fica no meio de tudo
Cuiabá é o centro exato do continente, a porta do Pantanal, a vizinha da Chapada e a guardiã de danças e sabores que só existem aqui. O calor é real, mas o que esquenta de verdade é a cultura ribeirinha, a mojica no prato e o siriri na praça. Poucas capitais brasileiras entregam tanta diversidade em tão pouco deslocamento.
Você precisa cruzar a Transpantaneira, provar o pacu assado na folha de bananeira e entender que Cuiabá não é só passagem, é destino.








