A 272 km de São Paulo e acessível apenas por barco, a Ilha do Cardoso guarda 986 espécies de plantas, sete comunidades caiçaras e o marco que Martim Afonso de Sousa fincou em 1531 para tomar posse da terra em nome da coroa portuguesa.
Como uma ilha do litoral sul virou o primeiro parque insular do estado
A ilha fica no extremo sul do litoral paulista, na divisa com o Paraná, separada da Ilha de Cananéia pela Baía de Trapandé. O Decreto Estadual nº 40.319, assinado em 3 de julho de 1962, criou ali o primeiro parque insular do Brasil sob proteção estadual.
A área forma parte do Complexo Estuarino-Lagunar de Iguape-Cananéia-Paranaguá, reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade e Reserva da Biosfera. O parque protege 95% da vegetação original da ilha, entre manguezais, restingas, praias e trechos de Mata Atlântica intocada.

O que fazer na ilha paulista que só se chega de barco?
A visitação é controlada e acontece em áreas específicas definidas pela Fundação Florestal. A Praia do Itacuruçá, no Núcleo Perequê, tem limite de mil visitantes por dia.
- Núcleo Perequê: centro de visitantes com Museu de História Natural, trilha suspensa do manguezal e saída de passeios de caiaque pelo Rio Perequê.
- Vila do Marujá: maior comunidade caiçara da ilha, com pousadas rústicas, almoços típicos e rodas de fandango ensinadas de pais para filhos há gerações.
- Praia do Pereirinha: areia calma e rasa, ideal para famílias com crianças, próxima ao Núcleo Perequê.
- Cachoeira Grande: trilha de nível fácil com cerca de 1,6 km ida e volta até um poço natural com águas cristalinas.
- Praia da Trincheira: ponto conhecido para observação de botos-cinza, que se aproximam da costa em grupos familiares.
Cananéia e a Ilha do Cardoso, localizadas no extremo sul de São Paulo, são destinos de ecoturismo que reúnem história colonial e natureza preservada. O vídeo do canal Colecionando Destinos apresenta as belezas da região, com destaque para a observação de golfinhos e as trilhas pelo Parque Estadual da Ilha do Cardoso.
Por que a Ilha do Cardoso também é um sítio arqueológico?
A ilha abriga sambaquis com milhares de anos, montes de conchas e restos orgânicos deixados por povos pré-coloniais. Esses sítios são protegidos por lei e fazem parte do roteiro guiado de visitação ambiental.
Há também ruínas do período colonial e, principalmente, o marco de pedra em formato de cruz fincado pela expedição de Martim Afonso de Sousa em 12 de agosto de 1531. Esse marco, hoje no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro, é um dos símbolos da disputa entre Cananéia e São Vicente pelo título de povoado mais antigo do país.
A mesa caiçara: peixe fresco e tradição no fogão a lenha
As pousadas e restaurantes das comunidades servem pratos preparados com peixes pescados no mesmo dia. Os sabores seguem receitas caiçaras passadas de geração para geração.
- Caldeirada caiçara: ensopado de peixes variados com batata, pimentão e tomate, considerado o prato símbolo do Vale do Ribeira.
- Ostra assada do mangue: cultivada em viveiros comunitários, servida grelhada com limão.
- Peixe na folha de bananeira: tainha ou robalo assados lentamente com tempero local, típico dos almoços do Marujá.
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Quando é a melhor época para visitar a ilha?
O verão tem água morna e chuvas frequentes à tarde. O outono oferece menos visitantes e mar ainda próprio para banho.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo de Cananéia. Condições podem variar.

Como chegar à ilha saindo de Cananéia?
O acesso à ilha acontece exclusivamente por barco saindo do porto de Cananéia, com travessia feita por 49 embarcações credenciadas. Para chegar à cidade-base, siga pela Rodovia Régis Bittencourt (BR-116) até o trevo em Pariquera-Açu e depois pela SP-222, cerca de 272 km da capital paulista. Ônibus regulares saem do Terminal Tietê diariamente.
Atravesse a baía e descubra a Ilha do Cardoso no sul de São Paulo
A ilha combina o Brasil mais antigo com a natureza mais preservada do litoral paulista. Pouquíssimos destinos do país oferecem sambaquis milenares, fandango vivo e praias desertas em um mesmo roteiro.
Você precisa atravessar a Baía de Trapandé e sentir como é caminhar por uma Mata Atlântica que nunca foi derrubada e ouvir uma viola de fandango tocada por pescadores em frente ao mar.









