Em uma cidade conhecida pelo trânsito intenso, existe um bairro onde quase não se ouve motor. A Ilha de Paquetá, no meio da Baía de Guanabara, faz parte da cidade do Rio de Janeiro, mas parece pertencer a outra época: as ruas são de terra, os moradores circulam a pé ou de bicicleta e a chegada é feita de barca. Cenário de um dos romances mais famosos do século XIX, a ilha guarda um ritmo que o restante da capital fluminense deixou para trás.
Por que carro não entra em Paquetá?
Por uma decisão tomada em meados do século XX. Segundo um livro sobre as ruas do Rio publicado pela Cambridge University Press, uma liga de artistas convenceu o prefeito do Rio a assinar o Decreto nº 10.643, que proibiu o trânsito de veículos motorizados em Paquetá, depois de anos de debate sobre a chegada dos automóveis ao lugar.
O resultado é raro em uma grande cidade. A mesma obra descreve Paquetá como um dos poucos remanescentes da rua anterior ao automóvel, um espaço em que pedestres e ciclistas dominam a paisagem. Hoje, apenas veículos de serviço essencial e pequenos carros elétricos circulam pela ilha, o que mantém o silêncio e a tranquilidade que atraem visitantes.

O que aconteceu com as charretes de Paquetá?
Foram substituídas por carrinhos elétricos. Segundo a Agência Brasil, em maio de 2016 a Prefeitura do Rio sancionou uma lei que proibiu veículos de tração animal na ilha. Antes mesmo de a norma entrar em vigor, 31 cavalos que puxavam as charretes foram recolhidos, e a prefeitura comprou e doou 17 carrinhos elétricos, conduzidos pelos antigos charreteiros após treinamento.
A mudança dividiu opiniões. De acordo com a Rádio Agência Nacional, moradores protestaram contra os novos veículos, temendo o aumento do trânsito motorizado na ilha, e a prefeitura afirmou que não tinha intenção de descaracterizar Paquetá. Os carrinhos elétricos acabaram se tornando parte da paisagem e hoje levam visitantes pelas ruas de terra.
O que fazer em Paquetá?
A ilha é pequena e pode ser percorrida em um dia. Estes são alguns dos programas mais procurados.
Por que Paquetá é lembrada como a ilha de A Moreninha?
Por causa de um romance do século XIX. A ilha é associada a A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, um dos romances mais populares da literatura brasileira. Curiosamente, segundo o livro da Cambridge University Press, o autor nunca escreveu o nome Paquetá na obra, referindo-se apenas a uma ilha sem nome, mas nenhum leitor jamais duvidou de que se tratava dela.
A associação ajudou a transformar Paquetá em destino romântico. A mesma obra registra que, ao longo do século XIX e início do século XX, a ilha foi um destino popular para casais e famílias em busca de descanso. Hoje, a memória do romance aparece em pontos como a Pedra da Moreninha e no próprio clima tranquilo que o livro ajudou a eternizar.
Como chegar a Paquetá?
De barca, a partir do centro do Rio. As embarcações saem da Estação das Barcas da Praça XV, no centro da cidade, e a travessia leva cerca de uma hora, atravessando a Baía de Guanabara. Ao desembarcar, o visitante encontra lojas de aluguel de bicicletas e pode seguir a pé para conhecer a ilha.
Como os horários das barcas variam ao longo da semana, vale consultar a programação antes de sair. Também é importante planejar a volta com antecedência, especialmente nos fins de semana e feriados, quando a procura pela ilha costuma ser maior.

Como é o clima de Paquetá ao longo do ano?
O clima é o mesmo do Rio de Janeiro, quente e úmido. Janeiro concentra 236 mm de chuva em média, enquanto agosto registra apenas 35 mm, e julho tem mínima de 15°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo, com dados do Rio de Janeiro. Condições podem variar.
Um pedaço do Rio que preferiu ir devagar
Paquetá mostra que é possível viver em uma das maiores cidades do país sem ouvir buzinas. Protegida por um decreto que barrou os automóveis e por uma tradição de vida calma, a ilha trocou as charretes por carrinhos elétricos, mas manteve as ruas de terra, as bicicletas e a memória de A Moreninha. A uma viagem de barca do centro, é um convite para desacelerar sem sair do Rio.
Você precisa embarcar na Praça XV, atravessar a Baía de Guanabara e pedalar pelas ruas de terra de Paquetá para entender por que essa ilha continua parecendo um lugar fora do tempo.
