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Início Cidades

Uma pequena vila de 18 mil habitantes vem chamando atenção por unir serra, mar e clima pacato pertinho de Curitiba

Por Maura Pereira
10/05/2026
Em Cidades, Turismo
Fundada em 1733, a charmosa cidade na Serra do Mar oferece gastronomia única, trilhas na Mata Atlântica e passeios de trem inesquecíveis

Morretes nasceu como um ponto estratégico para os mineradores e viajantes que subiam a serra rumo ao planalto. / Imagem ilustrativa

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Encravada na Mata Atlântica do litoral paranaense, Morretes preserva um centro histórico colonial cercado por rios, montanhas e ruas de pedra. A apenas 68 km de Curitiba, a cidade mantém o ritmo tranquilo das antigas vilas do sul do Brasil.

A cidade paranaense que nasceu entre morros e virou rota da erva-mate

A origem de Morretes remonta a 1721, quando o ouvidor Rafael Pires Pardinho determinou a demarcação da área que daria início à povoação colonial. O nome surgiu dos morros que cercam o vale, e o Marco Zero da cidade permanece até hoje às margens do Rio Nhundiaquara.

Durante o ciclo da erva-mate, no século XIX, Morretes se consolidou como elo entre o litoral e o planalto paranaense. O conjunto histórico e a antiga estação ferroviária receberam tombamento estadual em 2013, além do reconhecimento do IPHAN como patrimônio cultural ferroviário.

Fundada em 1733, a charmosa cidade na Serra do Mar oferece gastronomia única, trilhas na Mata Atlântica e passeios de trem inesquecíveis
A gastronomia de Morretes gira em torno do famoso Barreado, prato típico preparado em panelas de barro vedadas com farinha e água. // Créditos: depositphotos.com / vbacarin

Como é a rotina em uma cidade encaixada entre montanhas e rio?

Morretes acordou para o turismo, mas vive em ritmo de interior. Quem mora na Rua das Flores ouve o trem chegar todo fim de manhã, e o calçadão à beira-rio funciona como sala de estar coletiva. O comércio local concentra-se em poucas ruas centrais, com mercearias, padarias e produtores de cachaça artesanal espalhados pelos bairros.

O custo de vida é mais baixo que o da capital paranaense. Aluguéis de casas com terreno cercado por mata aparecem por valores próximos aos de apartamentos pequenos em Curitiba, e muitos moradores combinam moradia com pequena produção rural ou turismo familiar. Internet por fibra óptica chega à maior parte do município, segundo anúncios imobiliários da região.

O sistema de saúde conta com hospital municipal e unidades básicas. Para procedimentos mais complexos, os moradores se deslocam até Paranaguá, a 49 km, ou a própria capital.

O que os moradores fazem nos fins de semana

A geografia entrega lazer ao alcance de uma curta caminhada ou de uma estrada de barro. As opções mudam com a maré e com a chuva, mas raramente decepcionam.

  • Rio Nhundiaquara: corta a cidade, oferece banho em poças naturais e o tradicional boia-cross em pneus de câmara descendo a correnteza.
  • Parque Estadual Pico do Marumbi: nascente do rio a 1.400 metros de altitude, com trilhas para escalada e cachoeiras pela Mata Atlântica preservada.
  • Estrada da Graciosa (PR-410): caminho histórico cercado por hortênsias e mirantes com vista para a baía, ideal para passeios de bicicleta no fim de semana.
  • Porto de Cima: distrito ao pé da serra com praia fluvial, pousadas familiares e os antigos engenhos de cachaça.
  • Cascatinha: a 5 km do centro, área de mata com camping, churrasqueiras e um dos engenhos mais antigos de aguardente da região.

O barreado e a herança italiana na mesa de todo dia

A culinária morretense não é só vitrine de turismo. Pratos do cotidiano carregam séculos de mistura cultural entre indígenas carijós, açorianos e imigrantes da antiga Colônia Nova Itália, instalada em 1877.

  • Barreado: cozido de carne preparado em panela de barro vedada com farinha e água, que cozinha por mais de 12 horas até desmanchar. Tradição passada de geração em geração.
  • Cachaça artesanal: a cidade chegou a ter cerca de 60 alambiques na década de 1950 e ainda mantém engenhos familiares ativos.
  • Bala de banana: doce típico produzido com banana da serra, vendido em quase toda esquina do centro.
  • Frutos do mar: ostras, camarões e peixes vindos diariamente de Paranaguá chegam frescos aos restaurantes locais.
Entre ruas antigas e floresta preservada, essa cidade do Sul chama atenção pela beleza histórica
Em Morretes, faça o passeio de trem de Curitiba (3h), coma barreado em restaurantes à beira do Rio Nhundiaquara e trilhas no Marumbi. // Créditos: Wikipédia

Leia também: O Caribe da Amazônia se esconde em uma a vila simples paraense onde praias de areia branca surgem no meio do rio.

Quando o tempo é mais convidativo no litoral paranaense?

Morretes tem clima subtropical úmido, fortemente influenciado pela Serra do Mar. Chove em qualquer mês do ano, mas o verão concentra os temporais mais intensos.

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☀️ Verão
Dez – Fev
20-32°C
Média
Com a pluviosidade muito alta, a recomendação é aproveitar o banho de rio cedo para evitar as trovoadas típicas da tarde.
🌊 Rio
🍂 Outono
Mar – Mai
17-28°C
Média
O clima ameno de transição é excelente para enfrentar o desafio das trilhas no Marumbi com visibilidade e frescor.
⛰️ Montanha
🧣 Inverno
Jun – Ago
11-23°C
Média
A estação seca garante o visual limpo para percorrer a histórica Estrada da Graciosa e contemplar a Serra do Mar.
🛣️ Passeio
🌸 Primavera
Set – Nov
15-27°C
Média
Com chuvas moderadas e temperatura agradável, o ideal é explorar o centro histórico a pé e admirar o casario colonial.
🏛️ História

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Entre ruas antigas e floresta preservada, essa cidade do Sul chama atenção pela beleza histórica
Morretes atrai turistas pelo trem turístico de Curitiba, barreado e ecoturismo na Estrada da Graciosa, no PR. // Créditos: Wikipédia

Como chegar a Morretes saindo da capital paranaense?

De Curitiba, são 68 km pela BR-277, em cerca de 1h15 de carro. Quem prefere o caminho cênico desce pela Estrada da Graciosa (PR-410), com curvas fechadas e calçamento original. O aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, fica a 75 km. O trem turístico da Serra Verde Express liga Curitiba a Morretes em três a quatro horas, atravessando pontes e túneis esculpidos na Serra do Mar.

A vida que cabe no ritmo do Nhundiaquara

Morretes prova que dá para morar no litoral sem trocar a tranquilidade pelo agito da praia. A cidade reúne natureza preservada, moradia acessível e cultura viva a uma hora da capital.

Você precisa descer a serra e conhecer Morretes para entender por que tantos curitibanos estão trocando o asfalto pela vista do Marumbi.

Tags: MorretesParaná
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