Passar horas com a cabeça inclinada para baixo navegando nas redes sociais é o gatilho principal para a dor no pescoço pelo celular, uma condição moderna que médicos já apelidaram de “Text Neck”. Esse ângulo aparentemente inofensivo multiplica drasticamente o peso que sua coluna precisa suportar, transformando o uso de tecnologia em uma maratona exaustiva para seus músculos e vértebras, muitas vezes causando lesões silenciosas e crônicas.
Por que inclinar a cabeça é tão perigoso?
A física explica a dor: em posição neutra, a cabeça humana pesa cerca de 5 kg, mas conforme você a inclina para frente, a força exercida sobre a cervical aumenta exponencialmente devido à gravidade. Especialistas da Cleveland Clinic alertam que, ao olhar para a tela em um ângulo de 60 graus, o peso efetivo da sua cabeça sobre o pescoço salta para incríveis 27 kg.
Imagine carregar uma criança de 8 anos pendurada no pescoço por várias horas ao dia; é exatamente isso que sua coluna sente. Essa carga excessiva força os discos intervertebrais e estira os ligamentos posteriores, criando um desequilíbrio estrutural que o corpo não foi projetado para sustentar por longos períodos.
No vídeo a seguir, o perfil do QueroQuiro, com mais de 400 mil seguidores, explica um pouco sobre esse efeito:
A musculatura entra em colapso com a tensão?
Sim, para evitar que a cabeça “caia” para frente, os músculos da parte de trás do pescoço e dos ombros precisam permanecer em contração constante e intensa. Segundo a Harvard Health Publishing, esse esforço isométrico prolongado reduz o fluxo sanguíneo na região, levando à fadiga muscular rápida e à formação de nós dolorosos (pontos-gatilho).
Com o tempo, essa tensão migra para os ombros e omoplatas, causando uma rigidez que muitas pessoas confundem com estresse emocional. O músculo, exausto e inflamado, pode entrar em espasmo, travando o pescoço e limitando sua capacidade de girar a cabeça lateralmente.

O hábito pode causar danos permanentes à coluna?
Infelizmente, o “Text Neck” não gera apenas desconforto muscular passageiro; ele pode acelerar o desgaste das estruturas ósseas. A Mayo Clinic explica que a má postura crônica contribui para a degeneração prematura dos discos cervicais, podendo levar a hérnias de disco e osteoartrite em idades cada vez mais jovens.
Além disso, a manutenção dessa postura curvada pode alterar a curvatura natural da coluna (lordose cervical), retificando-a. Essa perda da curva fisiológica reduz a capacidade da coluna de absorver impactos, tornando o pescoço ainda mais vulnerável a lesões futuras e dores crônicas intratáveis.
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Quais outros sintomas surgem além da dor local?
A compressão nervosa causada pela postura inadequada pode enviar sinais de dor para locais distantes da origem do problema. Muitas vezes, o paciente trata uma dor de cabeça sem perceber que a raiz está na forma como segura o telefone.
Fique atento a estes sintomas associados ao uso do celular:
- Cefaleia tensional: Dor que começa na base do crânio e irradia para a testa.
- Formigamento nos braços: A inflamação pode pinçar nervos que descem para as mãos.
- Dor na mandíbula (ATM): A desalinhação da cervical afeta a mordida e a tensão facial.
- Capacidade pulmonar reduzida: Curvar-se para frente fecha o tórax e dificulta a respiração profunda.
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Qual a postura correta para navegar sem riscos?
A solução não é abandonar a tecnologia, mas sim adaptar a ergonomia para respeitar a anatomia humana. A regra de ouro recomendada por fisioterapeutas do New York-Presbyterian Hospital é trazer o aparelho até a altura dos olhos, em vez de levar os olhos até o aparelho.
Ao manter o queixo paralelo ao chão e os ombros relaxados para trás, você neutraliza o peso extra sobre a coluna. Fazer pausas frequentes para movimentar o pescoço e evitar usar o celular deitado na cama (onde a flexão do pescoço costuma ser extrema) são medidas simples que preservam a integridade da sua cervical a longo prazo.










