Servidores do Senado criam projeto para manter casas carentes aquecidas

A campanha Paredes do Bem, idealizada pelo projeto Liga do Bem, faz melhorias em residências precárias usando caixas de leite. O material é isolamento térmico e ajuda a manter a casa aquecida

Caroline Cintra
postado em 08/08/2020 07:00
 (foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)

As noites estão cada vez mais frias no Distrito Federal. Quem mora em casas simples, sem acabamento, sofre com o vento gelado e intenso que passa pelas frestas das paredes durante as madrugadas. Pensando em oferecer um lar aquecido e aconchegante a essas famílias, a Liga do Bem, um grupo de voluntários de causas sociais composta por servidores do Senado Federal, trouxe para Brasília a campanha Paredes do Bem. Nela, são arrecadadas caixas de leite vazias, que são usadas no revestimento de imóveis feitos com materiais que não oferecem isolamento térmico, como madeirite. O intuito é manter o local quentinho, principalmente durante o inverno.

A Liga do Bem, nome que remete ao filme de super-heróis Liga da Justiça, existe desde 2015. O grupo nasceu de um programa idealizado pela direção-geral do Senado Federal chamado Manhã de Ideias, uma reunião onde os servidores apresentam projetos e sugestões à diretoria. Caso seja viável para a Casa, ele recebe o aval. Coordenadora do grupo e assessora de comunicação, Patrícia Seixas explica que alguns funcionários queriam dar início a um programa social. “A ideia chegou à diretora, Ilana Trombka, e foi aprovada. Logo, juntamos um grupo de pessoas dispostas a dar vida àquilo. Fizemos um cronograma de ações e, hoje, somos em 250 integrantes. Tudo o que fazemos tem o suporte e o respaldo da direção”, conta.

São realizadas ações durante todo o ano, como Páscoa, Natal — com as cartinhas para o Papai Noel —, campanhas de prevenção ao câncer e feira de trocas, entre outras. Esse é o primeiro ano em que é feito o Paredes do Bem. O conceito foi inspirado no projeto Brasil Sem Frestas, um grupo de voluntariado, sem fins lucrativos, de Curitiba, que começou em setembro de 2009, quando, em meio a uma tempestade, a química Maria Luisa Camazzato preocupou-se com a situação das famílias em vulnerabilidade social. Ela percebia o risco que a comunidade sofria com o frio e a umidade nos lares após as chuvas. Conhecedora da estrutura das embalagens Tetra Pak, das caixas de leite, ela decidiu usá-las fazendo uma espécie de placa com efeito de isolante térmico. Com a ajuda de alguns amigos, Maria Luisa iniciou o trabalho de coleta, corte e costura do material.

“Vimos o programa por meio de outra voluntária, a Tânia Ribas, e pensamos em como contribuir com ele. No entanto, seria difícil por causa de distância. Recebi um vídeo de uma voluntária com a ação e mandei para o nosso grupo, e todos apoiaram na hora. Criei o nome Paredes do Bem, baseado no nome do grupo”, disse Patrícia. O objetivo, agora, segundo ela, é multiplicar o projeto.

Grupo é formado por servidores do Senado e conta como apoio da Casa
(foto: Liga do Bem/Divulgação)

Amigos da Liga

No decorrer das ações, Patrícia observou que muitas pessoas que não são servidoras do Senado se interessaram pelo projeto. Ela, então, decidiu ampliar o grupo e criou o Amigos da Liga do Bem. Nele, os integrantes são divididos em células para atuar em determinadas frentes, como de costura, produção de máscaras, coleta e demais atividades. “Não consigo ver o voluntariado distante. Vejo mobilidade. Quanto mais pessoas fazendo, mais comunidades carentes serão atingidas. Os Amigos da Liga do Bem já são 45 pessoas”, comemora Patrícia. Para participar, o interessado passa por uma capacitação, na qual aprende quais são os materiais adequados para cada ação.

A arquiteta Maria Luíza Seixas, 25 anos, é uma das integrantes do Amigos da Liga do Bem. Ela conhecia o projeto Brasil sem Frestas e, por entender de estrutura, viu que dava para implementar algo semelhante nas áreas carentes do DF. “Essas casas, além de não terem revestimento, não têm estrutura. Fizemos uma consulta mais técnica e vimos que dava para usar lona nos banheiros”, explica. Para ela, participar das ações é transformador. “Não tem outra palavra. A cada casa que passamos temos um choque de realidade. E, ainda, acho tão pequeno o que faço. Mas, se cada um fizer um pouco, ele se torna muito para essas famílias”, avalia.

Com a divulgação da campanha Paredes do Bem, o grupo conseguiu a doação de muitas caixas de leite. O objetivo, agora, é arrecadar outros materiais para a confecção do revestimento (Veja em A Liga do Bem precisa de). Eles também recebem sobras de construção ou reforma. “Qualquer resto de obra a gente usa. Chuveiro velho, pedaço de lona, tudo”, destaca Maria Luíza. O grupo não aceita doação em dinheiro.

A Liga do Bem conta com o apoio de um grupo de professoras chamado Borboletas em Expansão, para ter acesso às famílias carentes. Como o projeto é novo, até o momento, dois lares receberam melhorias, um de Samambaia e outro da Estrutural. Para os próximos dias, estão marcadas as visitam em mais duas residências.

Aconchego

Moradora do Morro do Macaco, em Samambaia, a dona de casa Lindiara Lopes, 28, foi a primeira a receber o revestimento de caixa de leite nas paredes. “Amei! Aqui, a gente sentia muito frio dentro de casa. Agora, não temos mais esse problema. Passaram o dia todo aqui e deixaram as paredes lindas. Também trouxeram duas camas, um guarda-roupa lindo, presentes para as crianças. Todo mundo ficou feliz”, garante. Ela mora no local com o marido, 21, e os cinco filhos de, 2, 4, 7, 12 e 13 anos.

Na Chácara Santa Luzia, na Estrutural, a família da dona de casa Elisângela Oliveira, 38, foi outra beneficiada. Para ela, além do frio ter amenizado dentro do imóvel, as paredes deram uma nova cara para o ambiente. “Gostamos muito! Para quem mora em casa de madeirite, todo tipo de mudança, como essa, é bom. Aqui, é um lote com várias casas, com nossos familiares. A nossa é, basicamente, a única que não está sendo construída com alvenaria. Ficou muito bonito”, ressalta. Ela mora na casa com dois filhos, de 8 e 21 anos. “A gente mora em um local que é discriminado. Esse tipo de ação é importante para valorizar. E mostrar que, aqui, também mora gente do bem e que merece condições melhores”, finaliza.

A Liga do Bem precisa de:

Linhas 100% poliamida at nz-60/80g
Agulha para máquina doméstica: especial, número 16, marca: Singer
Agulha para máquina industrial: pé fino, número 14
Grampeador/pinador profissional, manual da marca Vonder Plus
Grampo de estofado: altura 8mm para grampeador manual (qualquer marca, desde que tenha o comprimento de 9mm)

Contatos para doação:


Instagram: @ligadobemsf
https://sites.google.com/view/paredes-do-bem/


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