Rede repudia xingamento racista contra delegado em loja no Lago Sul

O delegado Ricardo Viana, chefe da delegacia do Cruzeiro, foi vítima de injúria racial em uma loja do McDonald's. Ele estava acompanhado da filha quando um outro cliente, morador do Lago Sul, o chamou de "macaco"

» Sarah Peres
postado em 08/08/2020 10:52 / atualizado em 08/08/2020 10:58
 (foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)
(foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)

A rede de fast food McDonald's repudiou a situação de racismo que o delegado Ricardo Viana, chefe da 3ª Delegacia de Polícia (Cruzeiro), sofreu em uma das lojas da rede, localizada na QI 23 do Lago Sul. O investigador sofreu o ataque na noite de sexta-feira (7/8). O suspeito, morador do Lago Sul, acabou preso em flagrante pelo crime de injúria racial.

O delegado relata que estava na loja, acompanhado da filha, de 15 anos, quando foi abordado pelo acusado. "Fui surpreendido por um indivíduo aparentemente fora de si, o qual, por motivos que até o momento desconheço passou a me empurrar e ofender, chamando-me de 'macaco', 'veado' e que iria me 'pegar'. Ele chegou a arremessar uma das chinelas em minha direção, momento em que populares tentaram conter a confusão", explica.

O investigador se identificou como delegado da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e deu ordem de prisão ao suspeito por injúria racial. O morador do Lago Sul conseguiu fugir do estabelecimento, mas acabou preso por uma equipe da Polícia Militar. Em abordagem, os militares encontraram porções de maconha no veículo do homem. 

O caso foi registrado na 1ª DP (Asa Sul). Ricardo Viana destaca que realizou a denúncia como um exemplo. "Posiciono-me não como delegado, mas como negro, cidadão e pai de duas filhas, também negras. Até o momento não entendi porque tanto ódio em uma só pessoa. O pior é saber que o suspeito tem histórico de violência e já praticou fatos semelhantes com outros negros", lamenta. 

A franquia do McDonald's informa, em nota oficial, que lamenta o episódio de racismo sofrido pelo delegado no estabelecimento, cometido por um outro cliente. Ainda, frisa que "repudia toda e qualquer forma de discriminação e está à disposição das autoridades para colaborar nas investigações."

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