Saúde

Na seca, hidratação evita doenças respiratórias, alerta médico

Inflamações de garganta, nariz escorrendo e asma são algumas das consequências do ar carregado de poeira e fuligem

Mariana Machado
postado em 19/08/2020 10:17 / atualizado em 19/08/2020 10:17
 (foto: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)
(foto: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)

86 dias sem chuva, o Distrito Federal vive com intensidade o período de seca. Nesta época, tornam-se comuns as dores de garganta, narizes escorrendo e problemas respiratórios. Médicos alertam para a necessidade de manter a hidratação constante, e a casa livre de poeira. Segundo Thiago Fuscaldi, pneumologista do hospital Sírio-Libanês, também é importante evitar fazer atividades físicas entre 10h e 15h, período em que a umidade relativa do ar fica mais baixa, o que predispõe infecções respiratórias.

Ao Correio, o médico esclarece algumas dúvidas sobre as infecções comuns a esta época do ano. Veja:

Nesta época do ano, quais são as doenças mais comuns?

Nessa seca, a gente tem o ar muito carregado de poeira, fuligem, e a gente diminui a nossa proteção porque as mucosas ficam mais ressecadas. Então é mais fácil ter infecções do tipo virais e bacterianas, e doenças alérgicas, até por conta dessa poeira em grande quantidade no ar. É comum termos crises de rinite, e asma. Acaba que amidalite, faringite, tudo isso acompanha. Como a mucosa respiratória é uma só, ela acaba sofrendo um pouco. Por isso essas reações que muitas vezes são alérgicas, não infecciosas.

Muitos sintomas são semelhantes aos manifestados em pacientes de covid-19. Quando é necessário procurar ajuda médica?

O ideal é, a partir do terceiro dia de sintomas, procurar atendimento. Persistiu por mais que três dias, ou é acompanhado de febre e falta de ar, tem que procurar atendimento. Nessa fase vai ser difícil diferenciar e por isso é importante o exame. Vamos ter que lançar mão do exame para pesquisa de covid-19, e de sangue, para ver se tem outra infecção associada. 

Muitas pessoas sofrem de sangramento nasal. Como evitá-los?

O importante é manter hidratação. Tomar líquidos. Quem não tem nenhuma restrição, deve tomar de dois a três litros por dia, e umidificar as vias aéreas. Lavar com soro, e usar umidificador no quarto, quando possível, ajuda a diminuir esse ressecamento e chances de sangramentos que ocorrem quando um vasinho superficial da narina se rompe, por a mucosa estar mais agredida pelo ar seco.

Algumas medicações de soluções nasais até ajudam, porque fazem um alívio inicial, mas, com o passar do tempo, a mucosa perde a sensibilidade e fica a maior parte do tempo com dificuldade de passar o ar. Não é algo que a gente recomenda fazer de rotina. O uso prolongado piora.

Portanto, faça a hidratação com soro. Tem forma de spray, ou de comprar o frasco de soro e fazer lavagem com seringa. O médico auxilia como fazer. Mas o soro fisiológico simples mesmo (água e sal), só para hidratar. Manter a hidratação do corpo já ajuda. 

O que pode ser feito para evitar as infecções respiratórias e de garganta?

A gente não tem uma resposta mágica. A gente recomenda manter a alimentação balanceada, evitar se expor ao sol nos períodos de mais baixa umidade do ar. Prática de atividade física entre 10h e 15h deve-se evitar porque a umidade cai bastante, o que predispõe que o paciente tenha uma desidratação. 

Também é importante evitar poeira em casa. Ideal é fazer limpeza com pano úmido e nessa fase agora tem que aumentar a frequência, porque se deixar janela aberta de manhã, de tarde já está bem empoeirado.

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