Violência

Vizinhas de vítima de feminicídio relatam tristeza com o crime

Vizinhos relatam abalo e tristeza com o crime. Agressor está internado no Hospital Regional de Ceilândia, sob escolta policial

Tainá Seixas
postado em 20/08/2020 13:58 / atualizado em 20/08/2020 14:10
 (foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)

Mais um feminicídio tirou a vida de uma mulher no Distrito Federal na madrugada desta quinta-feira. Sônia Luz, 35 anos, foi morta pelo companheiro Izildo Neto Simão, 34 anos, por volta das 00h30. Ele foi preso em flagrante pela Polícia Civil pelo crime de feminicídio, mas está hospitalizado no Hospital Regional de Ceilândia (HRC) por ter tentado se matar após matar a companheira.

Na vizinhança onde ocorreu o crime, o clima é de tristeza. Ana Paula Barbosa de Araújo, 37 anos, mora na  frente da casa onde Sônia foi assassinada. Ela não tinha muito contato com o casal, mas relata que eles saíam para trabalhar, na Feira da Guariroba, cedo pela manhã e voltavam apenas ao final do dia.

“Ela parecia ser uma pessoa bem calma e tranquila, a mesma coisa ele. Eu fico muito triste com isso porque eu sou mulher. Eu não consegui dormir esta noite porque a gente fica pensando no que aconteceu. Em frente à nossa casa, mesmo que a gente não tenha contato nenhum, mas é ser humano”, afirma a dona de casa.

Na noite do crime, uma festa de aniversário ocorria em uma casa no fim da rua. Com o som alto, a maior parte dos moradores não escutou nenhum barulho vindo da casa de Sônia. Margarida do Nascimento Ferreira, 46 anos, no entanto, chegou em casa após a festa, por volta das 22h. Às 23h, escutou gritos; acreditou, contudo, que vinham da reunião.

“Ela era uma pessoa trabalhadora, para ser morta do jeito que foi. A gente fica abalada e muito triste porque a gente não quer isso para ninguém”, afirma Margarida.

Natural de Conceição do Araguaia, no Pará, Sônia morava no Sol Nascente há sete meses. Ela trabalhava em uma banca de queijos e doces com a família, que reside no PSul, Ceilândia. Sônia Luz era mãe de dois meninos, de 13 e 5 anos, respectivamente. O mais velho estava morando com o pai, em Goiás. O mais novo morava com ela, mas na noite do crime estava com familiares da vítima. No início da pandemia de covid-19, Sônia retornou ao estado de origem e trouxe Izildo para morar consigo no local, há cerca de três meses. 

De acordo com a delegada Karina Duarte, da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher da 15ª Delegacia de Polícia de Ceilândia, apesar de morarem juntos há pouco tempo, Sônia e Izildo se relacionavam há dois anos. Familiares de Sônia relataram que o comportamento de Izildo havia mudado na última semana, período durante o qual ele começou a anunciar a tragédia.

“Os parentes disseram que há uma semana ele teria mudado o comportamento, ele estaria demonstrando estar mais depressivo. Ele sinalizava estar enciumado dizendo que a companheira estaria traindo, enganando ele, fazendo ele de palhaço. Indicando que ele teria praticado os fatos movido por ciúmes”, explica a delegada.

Izildo Neto Simão pode pegar de 12 a 30 anos de prisão pelo crime de feminicídio.

O QUE É FEMINICÍDIO?

Reconhecido como crime hediondo desde 2015, o feminicídio consiste no assassinato de mulheres por razão de gênero. Conhecer as nuances e as características que envolvem esse tipo de violação é fundamental para ter um enfrentamento efetivo e evitar que existam novas vítimas.


ONDE PEDIR AJUDA?

Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência — Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República

Telefone: 180 (disque-denúncia)
Centro de Atendimento à Mulher (Ceam)
» De segunda a sexta-feira, das 8h às 18h
» Locais: 102 Sul (Estação do Metrô), Ceilândia, Planaltina
Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam)
» Entrequadra 204/205 Sul - Asa Sul
(61) 3207-6172

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