Tráfico de animais

Caso naja: em conversa, jovem e mãe planejavam compras de cobras

Os diálogos revelam que Pedro Henrique Krambeck viajava para estados como São Paulo e Bahia na intenção de comprar serpentes e revendê-las em Brasília

Darcianne Diogo
postado em 20/08/2020 20:27 / atualizado em 20/08/2020 20:28
 (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

O Correio teve acesso, com exclusividade, a conversas por WhatsApp entre Pedro Henrique Krambeck Lehmukl, 22 anos, e a mãe, a advogada Rose Meire dos Santos, que revelam que o acusado de traficar animais silvestres viajava para estados como São Paulo e Bahia na intenção de comprar serpentes e revendê-las em Brasília.

Os diálogos estavam armazenados na galeria do celular do estudante de medicina veterinária. Em uma das conversas, a mãe pergunta: “E aí? Tá por onde? Jantou? E as cobras?" Pedro responde em seguida: “Passando por Ibotirama (BA)”, e finaliza dizendo que as cobras estão bem.

Em um outro diálogo, o indiciado manda uma foto para a mãe da víbora-verde-de-vogel, cobra exótica, nativa da Ásia, e ela responde: “Rum. Isso não. Olha o tamanho desse bicho”. O jovem desconversa e diz: “Como estão meus ovos? Você tem olhado?”.

A troca de mensagens deixa claro o envolvimento da mãe no esquema de tráfico de animais. Em depoimento, Rose Meire negou as acusações e alegou não saber que o filho criava serpentes na residência. No entanto, as investigações conduzidas pela 14ª Delegacia de Polícia (Gama) concluíram que a advogada era a responsável por cuidar dos animais e da reprodução e que Pedro não era simplesmente um ‘mero colecionador de cobras’, mas comprava e revendia para ganhar dinheiro.

Diálogo entre Pedro Henrique e mãe
Diálogo entre Pedro Henrique e mãe (foto: Material cedido ao Correio)

Pedro Henrique foi indiciado 23 vezes por tráfico de animais silvestres e maus-tratos, além de associação criminosa, mesmo indiciamento do padrasto, o tenente-coronel da PMDF Clóvis Eduardo Condi e da mãe. O jovem picado pela naja também responderá pelo exercício ilegal da profissão de veterinário, uma vez que vídeos colhidos pelos policiais mostraram o jovem realizando uma cirurgia em uma cobra. A defesa decidiu não se manifestar.

Nesta quarta-feira (19/8), o Correio divulgou, com exclusividade, conversas por WhatsApp entre Pedro Henrique e o pai biológico, identificado como Eduardo. No diálogo, o acusado de traficar animais silvestres afirma que comprou a naja kaouthia que o picou por R$ 6 mil. Nas conversas, o indiciado deixa claro que pretende reproduzir as cobras.

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