Tráfico de animais

Caso naja: policiais indiciados assumem novos cargos na PMDF

Um dos militares é padrasto de Pedro Henrique Krambeck, rapaz picado pela cobra que criava ilegalmente. O tenente-coronel Clóvis Eduardo Condi exercerá a chefia seção administrativa do 2º Comando de Policiamento Regional.

Darcianne Diogo
postado em 03/09/2020 15:48 / atualizado em 03/09/2020 21:38
Condi deixa o cargo subcomandante operacional do Subcomando Operacional do Comando de Policiamento de Trânsito -  (foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press - 16/7/20)
Condi deixa o cargo subcomandante operacional do Subcomando Operacional do Comando de Policiamento de Trânsito - (foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press - 16/7/20)

Os dois oficiais da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) indiciados por crimes ambientais no âmbito da Operação Snake, conduzida pela 14ª Delegacia de Polícia (Gama), foram nomeados para novos cargos administrativos na corporação. Um dos nomes publicados na edição dessa quarta-feira (2/9) no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) é de Clóvis Eduardo Condi, padrasto de Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkul, 22 anos, estudante picado por uma naja que ele mesmo criava, ilegalmente, no apartamento onde mora com a família, no Guará 2.

O documento mostra que o tenente-coronel Condi foi exonerado do cargo de subcomandante operacional do Subcomando Operacional do Comando de Policiamento de Trânsito. Agora, ele exercerá a função de chefe da seção administrativa do 2º Comando de Policiamento Regional da PMDF.

O outro nome que aparece na decisão é o do major Joaquim Elias Costa, indiciado por prevaricação, fraude processual, associação criminosa e coação no curso do processo. Ele exercia o cargo de comandante do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) à época das investigações. Assim como Condi, Elias Costa assumirá a chefia do Departamento de Operações do Subcomando-Geral da PMDF, de acordo com DODF.

Por meio de nota oficial, a PMDF esclareceu que os dois militares estão afastados das atividades externas e que essas funções que eles ocupam são administrativas. A corporação instaurou um Inquérito Policial Militar no final de agosto para investigar as condutas dos servidores. As apurações continuam em andamento.

O Correio entrou em contato com as partes. A defesa do tenente-coronel não havia se manifestado até a última atualização dessa reportagem. Por mensagem, o major Elias Costa informou que não comentará sobre o assunto. 

Indiciados

Condi foi indiciado 23 vezes por tráfico de animais silvestres, 23 vezes por maus-tratos, associação criminosa e fraude processual. O enteado dele, Pedro Henrique, também responderá pelos mesmos crimes, além de exercício ilegal da profissão, uma vez que vídeos colhidos pela polícia mostram o jovem realizando uma cirurgia em uma cobra no interior de um dos estabelecimentos da família.

O processo segue no Ministério Público do Distrito Federal (MPDF) para análise. Após essa etapa, cabe à Justiça determinar a sentença dos envolvidos.

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