Grilagem de terra

Reintegração de posse na Chapada é suspensa após conflito entre moradores

Dois oficiais de Justiça e policiais militares compareceram ao local para cumprimento de decisão judicial, mas suspenderam a ação devido à resistência dos moradores

Tainá Seixas
Cibele Moreira
postado em 16/09/2020 15:35 / atualizado em 16/09/2020 15:41
Imagem mostra a delimitação de áreas contempladas em decisão judicial -  (crédito: Material cedido ao correio)
Imagem mostra a delimitação de áreas contempladas em decisão judicial - (crédito: Material cedido ao correio)

Mesmo após a autorização da Justiça para a reintegração de posse de terreno na Chapada dos Veadeiros, entorno do município de Alto Paraíso de Goiás, o território segue em disputa judicial. Na última quinta-feira (10/9), dois oficiais da Justiça compareceram ao local acompanhados da Polícia Militar do Goiás para o cumprimento da medida de reintegração. Porém, ao se deparar com o conflito entre as partes, o cumprimento da ordem judicial foi adiada.

Segundo documento enviado pelos oficiais de justiça responsáveis pelo caso à Justiça de Goiás, a PM afirma que "não tem poderes para forçar a reintegração sem autorização do Comando-Geral, Comissão de Direito Agrário e do Conselho de Crise" e que, por isso, aguarda novas determinações da Justiça.

A família Szervinsk reivindica uma área de aproximadamente 11 hectares na região. Entretanto, moradores ocupam parte do local, alegando serem proprietários de direito.

De acordo com o documento de reintegração de posse da Pouso Alto Imóveis, empresa representada pela família Szervinsk, está autorizada a retirada de ocupantes que estejam ilegalmente no loteamento, além de impedir construções na área, com exceção de um lote 1.802 metros quadrados de uma moradora que foi resguardado pela Justiça.

No entanto, há outros residentes que afirmam ter direito à área que foi vendida pelo proprietário Mauri Carlos Pia. Ele teria comprado o terreno da família Szervinsk há alguns anos. Segundo o advogado de Mauri, Bauer Souto Santos, a documentação registrada em cartório prova o direito do local. As famílias temem ficar sem suas casas.

Bauer entrou com um novo pedido na Justiça contra a reintegração da parte do terreno, que, segundo ele, é de propriedade de Mauri. Até o momento não houve retorno em relação a essa solicitação.

Para o advogado da família Szervinsk, o pedido de Bauer já foi feito outras vezes e negado em todas elas. 

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