Crime

Corregedoria apura conduta de policial civil suspeito de captar dados de mortos

A Corregedoria-Geral da PCDF abriu investigação para apurar a conduta do papiloscopista. Ele está preso preventivamente e responderá pelos crimes de associação criminosa, estelionato e falsificação de documento público

Darcianne Diogo
postado em 23/09/2020 19:36
 (crédito: PCDF/Divulgação)
(crédito: PCDF/Divulgação)

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) abriu investigação para apurar, de forma administrativa, o suposto envolvimento de um papiloscopista da corporação em uma organização criminosa especializada em aplicar golpes em diversas regiões do DF, vendendo lotes abandonados, que pertenciam a pessoas mortas. O policial está preso preventivamente e responderá pelos crimes de associação criminosa, estelionato e falsificação de documento público.

Nesta quarta-feira (23/9), investigadores da 13ª Delegacia de Polícia deflagraram a operação Tellus e prenderam 10 pessoas, incluindo o policial civil. Segundo as investigações, o grupo utilizava falsas identidades de pessoas falecidas para forjar procurações de terrenos localizados em Sobradinho, Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo, Taguatinga e no Entorno do DF, especificamente em Águas Lindas de Goiás, Valparaíso e Santo Antônio do Descoberto.

A investigação teve início há quatro meses, quando membros da quadrilha tentaram utilizar documentos falsos, como RG e procuração, no cartório de registro de imóveis de Sobradinho, na Quadra Central. Os criminosos agiam de acordo com ordens de um líder da organização. Outros suspeitos ficavam encarregados de falsificar a documentação das pessoas mortas e as primeiras procurações que, posteriormente, seriam legitimadas em cartório, chegando até à base da pirâmide, os captadores dos clientes.

O policial civil investigado ficava encarregado, segundo as investigações, de angariar dados pessoais dos mortos e fornecer ao restante da quadrilha, para que fossem falsificadas as documentações e procurações, de modo que desse a entender que essas pessoas passaram os terrenos aos criminosos.

Por meio de nota oficial, a PCDF informou que a Corregedoria-Geral da Polícia Civil apura o fato administrativamente. Disse, ainda, que o policial responderá conforme a legislação. “Ele será indiciado por associação criminosa, estelionato e falsificação de documento público, podendo pegar pena de 4 a 15 anos de reclusão. Até o fim do processo, ele ficará preso preventivamente”, esclareceu a corporação.

Lavagem de dinheiro

Os acusados contavam, ainda, com uma empresa de fachada, uma suposta loja de tintas, em Valparaíso (GO), que era utilizada para lavar dinheiro, como afirmou o delegado-chefe da 13ª DP, Hudson Maldonado. “Nesse estabelecimento não funcionava nada de pessoa jurídica e tinha uma movimentação bancária de, aproximadamente, R$ 50 mil por mês, ou seja, era uma forma de lavar dinheiro ilícito”, destacou.

Estima-se que ao menos cinco pessoas tenham sido vítimas do grupo, mas os investigadores analisarão os HD's para apurar se há mais vítimas. “Apreendemos, ainda, diversos documentos falsificados, carimbos e máquinas de auto-indicação. A apuração policial segue no sentido de analisar todo esse material e descobrir a função de cada um dos integrantes na associação”, frisou o delegado.

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