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Criançada mata a saudade do Zoológico, após seis meses fechado

Zoológico volta a funcionar após seis meses fechado, respeitando o decreto do GDF de combate à disseminação do novo coronavírus

Caroline Cintra
postado em 02/10/2020 06:00 / atualizado em 02/10/2020 09:30
 (crédito: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
(crédito: Ana Rayssa/CB/D.A Press)

Nem mesmo o calor de quase 35ºC impediu os brasilienses de sair de casa para passear no Zoológico. O espaço reabriu, ontem, para visitação, após seis meses fechado, respeitando o decreto do Governo do Distrito Federal (GDF), como medida de combate à disseminação do novo coronavírus. Até o final da tarde ontem, cerca de 800 pessoas haviam passado pelo local. Água gelada, frutas, protetor solar, lanches e roupas leves faziam parte do combo que os brasilienses e turistas levaram para enfrentar a seca e se divertir.

No início da manhã, os visitantes relataram perceber os animais mais tímidos. Alguns associaram o comportamento ao longo período de fechamento e o retorno “repentino” do público. Porém, o biólogo diretor de mamífero do Zoo Filipe Reis explicou que, nesse período de pandemia, a equipe do Zoo percebeu pouca mudança nas atitudes dos bichos. “Eles seguem com o comportamento que tinham antes da pandemia. Isso está relacionado com o bem-estar que é trabalhado no Zoológico. Todos os recintos têm pontos de fuga, independentemente da presença do público”, destacou o especialista. Além disso, ele destacou que o calor deixa os animais mais quietos. Assim, eles buscam lugares mais reservados.

Embora o espaço esteja liberado, a visitação deve seguir normas rígidas de medidas sanitárias. O número de pessoas, por exemplo, está limitado a até 1,5 mil. O distanciamento social é fundamental. De acordo com o Decreto nº 41.260, que regulamenta a reabertura do Zoológico de Brasília, a limpeza dos ambientes será mais constante, especialmente das áreas comuns, para diminuir o risco de contaminação pela covid-19. Apesar de os bebedouros estarem ativados, o recomendado é que os visitantes levem garrafinha de água.

“Buscamos atender a todas as orientações dos órgãos de saúde, assim como dos decretos para recebermos as pessoas com segurança. Promovemos várias adições para que tudo acontecesse da melhor forma”, disse Eleutéria Guerra Pacheco, diretora-presidente do Jardim Zoológico de Brasília. Foram distribuídos álcool em gel em diversos pontos, instaladas pias com sabão, para higienização das mãos.

Outra recomendação é evitar contato com a grama. “Evitem sentar na grama. Estamos em períodos de seca e aparecem carrapatos e outros aracnídeos que são trazidos por animais de vida livre. Tomamos medidas para conter, mas é importante não ter esse contato”, ressaltou Eleutéria.

Passeio

Moradores do Varjão, os confeiteiros Jardel Silva, 36 anos, e Jéssica Silva, 29, levaram os quatro filhos, logo cedo, para passear no Zoo. A família chegou por volta das 9h30 no local. Cheios de vontade de sair de casa para lazer, Maria Clara Santos, 13; Maria Luiza Santos, 9; Maria Alice Santos, 8; e Ezequiel Santos, 2, fizeram questão de visitar todos os bichinhos. Para os pais, os dias em casa, sem aula e sem poder sair, deixaram as crianças muito agitadas. Na primeira oportunidade, resolveram levá-las para o passeio.

“Esse tempo de quarentena não foi muito bom. Todos dentro de casa, com vontade de sair um pouco, mas não podíamos. Antes da pandemia, a gente sempre vinha para o Zoo. O menor ainda não conhecia e está adorando tudo”, contou Jéssica. A mais animada entre os filhos, Maria Luiza estava ansiosa para ver a girafa e o elefante. São seus animais prediletos. “Eu também gosto das cobras, acho bonitas. Quero ficar aqui o dia todo, vai ser bem legal”, afirmou a menina. A família chegou ao Zoológico com vários lanches e até almoço para passar o dia visitando os bichos.

Gêmeos, os irmãos Lucas Reis e Davi Reis, 6 anos, foram ao Zoo a caráter. Cada um estava com máscara de algum animal: um de urso e outro de jacaré. Na hora de escolher o bicho preferido, bateu a dúvida. “Ainda estou escolhendo. Mas, gosto mais do alce e do leão”, disse Lucas. Para que o passeio fosse divertido e sem grandes interferências da seca, o pai dos meninos, o pastor Alexandre Reis, 41, foi preparado. “Muita água. Viemos de carro para não precisar andar muito debaixo de sol quente e trouxemos dinheiro para comprar sorvete e picolé”, afirmou.

Para a estudante Victorya Souza, a data foi ainda mais especial. A reabertura do Zoo, um dos lugares preferidos dela, foi no dia em que ela completou 10 anos. Por isso, os familiares prepararam uma festa surpresa para ela no local. “Eu percebi que minha mãe estava estranha todos esses dias. Deixava eu brincar no celular, mas não podia abrir o WhatsApp. Achei estranho, mas não desconfiei de nada”, contou a menina, com riso no rosto.

A família inventou uma história para poder tirá-la de casa. “A quarentena não é difícil, porque gosto de ficar em casa, assistindo tevê, deitada. Então, estava bom”, disse. Para conseguir sair com a aniversariante, falaram que iriam a uma lanchonete que ela gosta. No caminho, o pai falou que precisava usar o banheiro e que entraria no Zoológico. “Pagar R$ 5 para ir no banheiro? Achei aquilo muito esquisito, mas gostei da ideia, porque eu poderia ver os animais. Quando cheguei, fizeram a surpresa. Eu amo festa ao ar livre. Eu amei tudo”, declarou Victorya.

Seca

A umidade baixa e as temperaturas altas não estão castigando apenas os seres humanos, os animais também sofrem neste período. Para se manter bem e aliviar os sinais da seca, o Zoológico promove uma série de atividades com os bichos. “Temos um programa de enriquecimento ambiental, são atividades que a gente estimula os animais tanto na parte psicológica quanto na física”, disse o biólogo Filipe Reis.

Para o urso-de-óculos Ney, por exemplo, a atividade é colocar comida e pedaços de frutas dentro do tanque para estimulá-lo a entrar e se refrescar. Há, também, estruturas com áreas sombreadas e internas. Além disso, tem banho de mangueira para os elefantes, picolé de frutas para algumas espécies, para os felinos picolé com o sumo da carne. Afinal, eles merecem refresco, também.

Visitação Zoológico de Brasília

Dias: Quinta a domingo e feriados
Horários: 9h às 17h
Valor da entrada: R$ 5, meia-entrada

Fim de tarde na Torre

 (crédito: Darcianne Diogo/CB/D.A Press)
crédito: Darcianne Diogo/CB/D.A Press

No primeiro dia de reabertura, a Torre de TV, um dos principais cartões-postaios de Brasília, recebeu uma visitação tímida ontem. Após dois anos fechada para reformas, o local funcionará de quinta a domingo, das 12h às 18h, seguindo as medidas para evitar disseminação do novo coronavírus. O tempo de permanência para quem deseja ir ao mirante é de 10 minutos.

Por coincidência, a servidora pública Carolina Valadão, 38 anos, lembra da última visita que fez à Torre. “Foi um dia antes de ela fechar. E, agora, estou vindo na reabertura. É sempre bom ver o pôr do sol e admirar a beleza da cidade”, conta. Apaixonada por Brasília, Carolina revela que tem, como tradição, organizar roteiros para visitar a capital. “Sou uma brasiliense apaixonada. Uma pena que, aqui na Torre, não podemos ficar à noite, pois a vista é linda”, destaca.

O agricultor Antônio Ailton, 58, é natural de Paragominas (PA) e veio a Brasília participar de um evento. Ele volta para a cidade de origem hoje, mas aproveitou para visitar a Torre. “É um lugar muito lindo, um vento bom. Também estou admirado com as normas de segurança que estão tomando para evitar o coronavírus”, diz.

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