ECONOMIA

Vendas no Dia das Crianças devem ter alta de até 1,5% no Distrito Federal

Para alguns segmentos, a data é a segunda mais importante do ano, perdendo só para o Natal. Empresários preparam-se para atender a demanda, principalmente pela internet, e acreditam que procura por presentes será maior no domingo

Jéssica Eufrásio
postado em 08/10/2020 06:00 / atualizado em 08/10/2020 12:01
 (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
(crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press)

A chegada do Dia das Crianças tem aumentado as expectativas de comerciantes do Distrito Federal, apesar da crise provocada pela covid-19. Com shoppings e lojas de rua liberados para funcionar, a aproximação de mais uma data de peso para o setor deve gerar resultados melhores. Lojistas ouvidos pelo Correio acreditam que a procura por presentes será grande, mesmo com as recomendações de distanciamento social. Além disso, pesquisas indicam aumento de até 1,5% nas vendas em relação a 2019 — mesmo em meio à pandemia — e apostas de empresários em rendimentos iguais ou melhores que os do ano passado. Para quem trabalha no comércio, a data servirá como indicador das compras de fim de ano. (Confira dicas de lazer para o Dia das Crianças).

Dona de duas lojas de artigos infantis, Ivete Maria Gomes, 42 anos, viu as vendas melhorarem nos últimos dias. A empresária conta que o Dia das Crianças é a segunda data mais importante para os negócios, perdendo só para o Natal. “No dia 11 (de outubro), a gente não para. No ramo de bebês, a pandemia não nos atingiu muito. Não vou dizer que está bom como antes, mas está dando para pagar as contas”, comenta. Ivete relata que conseguiu enfrentar a fase crítica da pandemia sem demitir funcionários e que, depois de abrir uma filial, sentiu mais estabilidade no caixa. “As lojas são pequenas, mas estamos bem abastecidos”, completa.

Equipes da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF) ouviram as impressões de empresários para o próximo dia 12. Dados da pesquisa divulgada, ontem, pela entidade indicaram que 6,8% dos donos de lojas esperam crescimento nas vendas em relação ao ano passado, e 62% acreditam que a procura por presentes será igual à de 2019. A consulta ocorreu entre 20 e 30 de agosto, com 401 proprietários de negócios como livrarias, lojas de brinquedos, restaurantes e supermercados.

Quase todos os lojistas entrevistados (90,5%) disseram que vão manter os preços dos produtos e só 2,5% vão reduzir. Presidente da Fecomércio-DF, Francisco Maia considera que ainda há insegurança entre muitos empresários, por não verem o setor andar no ritmo esperado. “A maioria acredita que não teremos aumento nas vendas. As indústrias pararam, tem pouca novidade, e as pessoas não estão renovando os estoques. Nesta data, sempre há alta de preços, mas, se não há lançamentos, não tem como aumentar. Os shoppings estão começando a ter reaquecimento agora, e as vendas estão cada dia mais fortes no e-commerce. Quem não se adaptar pode ficar para trás”, observa.

Dona de uma rede de lojas de brinquedos do DF, Camilla Amorim, 29, conta que os negócios tiveram quedas de até 50% do início até a metade da pandemia. Por isso, ela diz que existe um receio quanto ao movimento do dia 12 de outubro, mas confia em uma procura maior na véspera. “Aprimoramos nosso site e, por causa da necessidade, as vendas on-line acabaram crescendo mais. Também estamos entregando produtos em casa, focando bastante nisso e na antecipação das compras. Em época normal, deixávamos os clientes entrarem na loja. Agora, há várias regras que temos de seguir. Mas, a opção da compra por WhatsApp é uma das formas para quem está com receio de ir ao shopping”, recomenda a empresária.

Gastos

Representantes do Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejista-DF) calcularam expansão de até 1,5% nas vendas deste ano em relação ao mesmo período de 2019, especialmente nos setores de brinquedos e vestuário. A média dos gastos com presentes deve ficar entre R$ 90 e R$ 110, contra cerca de R$ 125 no ano passado. “Apostamos em um número de compradores até maior (no feriado), mas o brasiliense aprendeu a comprar pela internet, e isso tira um pouco (das compras presenciais em lojas) do varejo”, afirma o presidente da entidade, Edson de Castro. “Esse dia envolve muita gente: pais, avós, tios. Muitas pessoas acabam comprando, então, é a segunda melhor data do ano, depois só do Natal.”

Gerente de uma loja de brinquedos no JK Shopping, Elaine Pinheiro, 37, encara o Dia das Crianças deste ano com confiança. Para lidar com a pandemia, a empresa reinventou-se e apostou no delivery, nas vendas por WhatsApp e em atendimentos com hora marcada. “Nós nos preparamos. Estamos otimistas em conseguir empatar com o resultado do ano passado. As estimativas da data vão servir de parâmetro para o Natal. Estamos até com uma campanha na qual os clientes ganham 10% de desconto para usar no fim do ano, na compra de brinquedos específicos”, detalha Elaine.

Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal (CDL-DF), José Carlos Magalhães Pinto comenta que outras datas comemorativas deste ano sofreram perdas maiores, com vendas inferiores às calculadas em 2019. “À medida que o isolamento social começou a ser reduzido, aumentou a circulação de consumidores no comércio, e isso foi um dos fatores responsáveis pela recuperação gradual. Mesmo em meio a um cenário econômico desafiador, a expectativa é de que a data aquecerá o setor”, comenta José Carlos.

Orçamento

Um dos fatores que podem impactar os resultados da data é a leve queda no endividamento dos brasilienses, verificada no mês passado na comparação com agosto. Pesquisa da Fecomércio-DF, divulgada na terça-feira, mostrou que 608.359 famílias (60,4% do total) têm alguma conta em aberto. Em agosto, esse indicador era de 62,3% e, em setembro de 2019, ficou em 80,3%. Os domicílios onde há contas em atraso tornaram-se mais numerosos: passaram de 146 mil para 157 mil, nos dois últimos meses.

Planejadora financeira certificada (CFP) e sócia da consultoria Precisão, Renata Fontes afirma que a escolha pelos presentes deve se ater ao orçamento doméstico. Se não houver sobras do salário para gastar, o ideal é apostar em experiências de baixo custo. “Acredito que quase a totalidade das pessoas que tem filhos gostaria de presenteá-los nessa data, por razões óbvias. Mas, é sempre importante entender onde estamos. Se há espaço para um supérfluo, não vejo razão para que a compra não ocorra. Porém, com o cuidado de avaliar se toda a sobra de dinheiro do mês ficará comprometida ou não”, aconselha.

Pelo viés macroeconômico, o professor de finanças William Baghdassarian, do Ibmec-DF, entende o momento como parte de um processo de retomada e considera que a crise teve o ponto mais dramático entre abril e maio. “A economia está girando aquém do que deveria. Há um processo de empobrecimento da população que vem do desequilíbrio econômico. Minha principal dica para quem busca atender a esse mimo é pesquisar o preço, o presente mais em conta, e comprar algo que seja adequado à capacidade de pagamento. Quando nos endividamos, estamos tirando parte de nossa renda do futuro”, alerta.

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Alta na venda de carros usados

Segmento da economia que dá sinais claros de recuperação, o setor de venda de carros, motos e automóveis comerciais seminovos e usados teve a primeira alta desde abril, no Distrito Federal. Entre agosto e setembro, o setor teve crescimento de 29,3% na comercialização desse tipo de bem. A quantidade de veículos passados adiante saltou de 15,5 mil para 20,1 mil no período. Os dados apresentam o DF em destaque na comparação com as demais unidades federativas do Centro-Oeste e com o cenário nacional, que teve alta de 10,5%.

Presidente da Associação das Empresas Revendedoras de Veículos do Distrito Federal (Agenciauto), José Rodrigues Neto atribuiu o resultado à volta da confiança dos consumidores no comércio. Ele afirma que a maior parte das vendas ocorreu pela internet e que isso deve se tornar uma tendência. “Criamos um aplicativo, e os bancos anteciparam-se à situação, permitindo fazer financiamentos pelo celular, de casa. Passamos meses com dificuldades, com o comércio difícil. Mas, de julho a setembro, abriram 30 novas lojas (de revenda) no DF. Ao todo, somos mais de 600 e geramos mais de 15 mil empregos diretos”, detalha José Rodrigues.

Apesar dos resultados positivos, o setor ainda acumula perdas por causa dos efeitos da pandemia de covid-19. As revendas do último mês ficaram 14,5% abaixo do observado no mesmo período de 2019. Além disso, tiveram queda de 33,2% nos primeiros nove meses de 2020, em relação ao acumulado de janeiro a setembro do ano passado.

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