Violência contra a mulher

Após discussão, homem tenta matar namorada na Estrutural e acaba preso

Na segunda tentativa de feminicídio do dia, suspeito invadiu a casa da vítima, de 39 anos, e efetuou disparos contra o portão e dentro da residência. Ela não ficou ferida

Darcianne Diogo
postado em 01/01/2021 13:14
 (crédito: Divulgação / PMDF)
(crédito: Divulgação / PMDF)

Em menos de 24 horas, duas mulheres foram vítimas de tentativa de feminicídio no Distrito Federal. Na manhã desta sexta-feira (1º/1), um homem de 43 anos tentou matar a namorada e a filha dela a tiros, na Quadra 5 da Via Estrutural. O outro caso aconteceu no Guará. Ambos os agressores foram presos.

De acordo com a Polícia Militar, na ocorrência da Estrutural, nenhum dos tiros atingiu a vítima, de 39 anos. O suspeito foi capturado pelos policiais poucos minutos depois e conduzido à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).

O casal havia comemorado a virada de ano juntos, na residência da mulher, na Quadra 5 da região e, depois, cada um seguiu para a própria casa. Na manhã desta sexta-feira, a vítima foi até o imóvel do companheiro. O homem, no entanto, estava com outra pessoa e se negou a abrir o portão. "Após a negativa do homem em abrir a porta, a companheira quebrou dois vidros do carro dele. Logo em seguida, ele foi atrás da mulher na tentativa de cometer o feminicídio, pegou uma arma e foi até a casa dela, onde disparou duas vezes contra o portão e, depois, deu mais dois tiros dentro de casa. Felizmente, a mulher e a filha não foram atingidas", detalhou, ao Correio, o sargento da PMDF Manoel Carvalho, do 15º Batalhão.

Policiais militares foram acionados via rádio e seguiram em busca do suspeito. O homem foi capturado na mesma quadra onde mora, sentado em uma calçada. “De início, ele negou ter efetuado os disparos, mas estava muito nervoso", completou o sargento. Durante a busca na residência dele, os militares encontraram a arma supostamente usada no crime, aproximadamente 400 pinos de cocaína, além de R$ 3,9 mil em espécie, 600 gramas de cocaína pura e balança de precisão.

Segundo caso

Ainda durante o feriado, militares evitaram um feminicídio no Guará. A vítima foi ameaçada com uma faca no pescoço. Depois de libertarem a mulher, os policiais evitaram que o agressor fosse linchado pela população.

Ao chegarem ao local, na QE 40, a guarnição avistou a mulher sendo mantida refém. Após uma breve negociação, o agressor soltou a faca e liberou a mulher. Imediatamente ele foi detido e a faca, apreendida. A população que presenciou toda a ação tentou agredir o homem, mas foi impedida pelos policiais. Segundo uma testemunha, que é parente da vítima, houve uma discussão e o homem atingiu a mulher com um soco. Após isso, foi em direção à casa dele, buscou uma faca e a manteve refém até a chegada da polícia.

Onde pedir ajuda

Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência — Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República

  • Telefone: 180 (disque-denúncia)

Centro de Atendimento à Mulher (Ceam)

- De segunda a sexta-feira, das 8h às 18h
- Locais: 102 Sul (Estação do Metrô), Ceilândia, Planaltina

Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam)

- Asa Sul: Entrequadra 204/205 Sul / (61) 3207-6172
- Ceilândia: QNM 02, AE, Conjunto G/H / (61) 3207-7391

Disque 100 — Ministério dos Direitos Humanos

Telefone: 100

Programa de Prevenção à Violência Doméstica (Provid) da Polícia Militar

Telefones: (61) 3910-1349 / (61) 3910-1350

Feminicídio

Reconhecido como crime hediondo desde 2015, o feminicídio consiste no assassinato de mulheres por razão de gênero. Conhecer as nuances e as características que envolvem esse tipo de violação, é fundamental para ter um enfrentamento efetivo e evitar que existam novas vítimas.

Fonte: Agência Patrícia Galvão

Tipos de violência contra a mulher

Nem todos sabem, mas a violência contra a mulher vai muito além de agressões, estupros e assassinatos. A Lei Maria da Penha sancionada em 2006, classifica em cinco categorias os tipos de abuso cometido contra o sexo feminino, são eles: violência física, violência moral, violência sexual, violência patrimonial e violência psicológica.

Além das violências físicas mais conhecidas como as agressões, estão também enquadradas na primeira categoria ações como atirar objetos com a intenção de machucar a mulher, apertar os braços, sacudi-la e segurá-la com força.

A violência moral está atrelada ao constrangimento que o agressor pode causar a vítima como expor a vida íntima do casal para outras pessoas e o vazamento de fotos íntimas na Internet. Calúnias, difamação ou injúria também fazem parte desse tipo de violência.

Diferentemente do que muitos podem pensar, a violência sexual não se resume a forçar uma relação íntima . Obrigar a mulher a fazer atos que a causem desconforto, impedi-la de usar métodos contraceptivos, ou a abortar, também são considerados formas de opressão.

Controlar os bens , guardar ou tirar dinheiro sem autorização da mesma, e causar danos de propósito em objetos são alguns exemplos de violência patrimonial.

Por fim, a violência psicológica consiste em diminuir a autoestima da mulher, sendo com humilhações, xingamentos, desvalorização moral que implicam em violência emocional. Tirar direitos de decisão e restringir liberdade também fazem parte da última categoria.

Fonte: Agência Patrícia Galvão

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