Coronavírus

Vacina: "50% é um êxito enorme", afirma infectologista

Em entrevista ao CB.Poder, Joana Darc, infectologista do Hran, falou sobre os resultados dos testes de imunização, taxa de infecções no DF e os riscos da realização do Enem presencial

Caroline Cintra
postado em 14/01/2021 15:22
A infectologista também falou sobre o risco de realizar o Enem com provas presenciais -  (crédito: Marcelo Ferreira/CB/DA Press)
A infectologista também falou sobre o risco de realizar o Enem com provas presenciais - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/DA Press)

A eficácia global de 50,38% da CoronaVac, vacina produzida pelo Instituto Butantan contra o coronavírus, gerou questionamentos desde a divulgação do índice esta semana. No entanto, a infectologista do Hospital Regional da Asa Norte (Hran) Joana Darc Gonçalves afirma que o resultado “é um êxito enorme”.

Em entrevista ao CB.Poder, uma parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília, na tarde desta quinta-feira (14/1), a médica explicou a importância da vacina. “É uma ótima notícia. O único problema é que temos um viés. Como anunciaram duas vacinas com tecnologia nova e 95% de eficácia, fez com que as pessoas pensassem que 50% não fosse útil”, destacou Joana.

De acordo com a especialista, vacinas como da Pfizer, que apresentaram 95% de eficácia, usam  tecnologias novas “que não temos acesso, por questões estruturais, logística e de compra". “Quando fala 50% de eficácia, estamos falando de um risco relativo de 50% que você vai ter de chances de não adoecer, 50% que vai reduzir o risco de infecção”, disse.

Embora os sinais da vacina estejam mais próximos, o Distrito Federal ainda apresenta números altos da covid-19. Enquanto a imunização não ficar disponível, a infectologista ressalta que o isolamento social continua sendo a melhor forma de evitar a transmissão e infecção da doença.

Uma das grandes preocupações geradas nos últimos dias entre os brasileiros é a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que será aplicado presencialmente nos próximos domingos, 17 e 24 de janeiro. “Com certeza, é um risco. Infelizmente, deveríamos evitar todo comportamento que gera aglomeração. Tem um estudo americano que demonstra uma atividade social entre jovens que se expuseram e depois contabilizaram mais de mil pessoas em uma reunião, depois tiveram 20 óbitos e não era ninguém que estava na reunião, era de quem estava por trás dessas pessoas”, contou a médica.

Ela destacou que a taxa de letalidade entre os jovens é menor, mas o risco pode ser maior para quem mora com os candidatos. “E quem vai estar em casa depois dessa prova do Enem? Quem esse jovem vai chegar e encontrar? Quem é o vulnerável que vai estar ali? É um risco enorme”, alerta Joana Darc.

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