Corona vírus

Confira um tira-dúvidas sobre a vacinação contra covid-19 no DF

Correio esclarece principais pontos sobre a campanha de imunização no Distrito Federal. Saiba mais sobre quais reações podem aparecer após receber a vacina, a eficácia dela, imunidade de rebanho, entre outros temas

Luana Patriolino
postado em 02/02/2021 06:00
 (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Filas, calor e muitas dúvidas. Esse foi o primeiro dia de vacinação dos idosos no Distrito Federal. As mais de 42 mil pessoas com mais de 80 anos puderam se vacinar desde ontem, quando a Secretaria de Saúde (SES-DF) disponibilizou 36 pontos para aplicação dos imunizantes, além dos drive-thru na Policlínica do Lago Sul (QI 21), em Planaltina (Arapoanga), Sobradinho (UBS 2) e Riacho Fundo (UBS 1).

A advogada Vanessa Patrícia da Silva, 38 anos, moradora de Taguatinga, passou três horas na fila para guardar o lugar da avó, de 91 anos, na unidade da QSD. Ela denunciou a falta de organização na porta do posto e fura-filas. “Eu vi muitas pessoas chegando no portão e dizendo que tinham mais do que 80 ou 85 anos e, por isso, deveriam entrar logo, passar na frente pessoal que já estava lá e que também era do grupo prioritário”, diz.

A advogada ressalta que apenas a Polícia Militar atuou na fiscalização do local. “Tinha a PM, e eles acabaram ajudando com as filas porque os idosos já estavam sem paciência. Tinha gente querendo furar a fila”, conta.

A família da empresária Roberta Lopes, 39 anos, moradora de Vicente Pires, enfrenta outro problema. A sogra, Alice Araújo, fez 80 anos recentemente, mas só foi registrada dois anos depois do nascimento. Portanto, em seu registro consta que ela ainda tem 78 anos e, assim, não pode se imunizar nesta etapa. “Iríamos levar os dois para vacinar amanhã (hoje), porque o primeiro dia estava muito cheio e poderia ter confusão”, conta.

O sogro da empresária tem 86 anos e pretende ser vacinado hoje, no sistema drive-thru. A família, no entanto, desistiu de levar a senhora de 80 anos. “Ficamos isolados esse tempo todo e não custa ficar um pouco mais”, diz. Confira um tira-dúvidas sobre a campanha de vacinação:

Qual é o percentual da população vacinada que pode nos dar a certeza da imunidade rebanho?

Segundo o Ministério da Saúde, considerando a transmissibilidade da covid-19 (R0 entre 2,5 e 3), cerca de 60 a 70% da população precisaria estar imune (assumindo uma população com interação homogênea) para interromper a circulação do vírus. Desta forma, seria necessária a vacinação de 70% ou mais da população (a depender da efetividade da vacina em prevenir a transmissibilidade) para a eliminação da doença.

Idosos de cidades do Entorno poderão ser vacinados neste primeiro momento?

Como as doses são enviadas de acordo com a população de cada unidade federada, o ideal é que cada pessoa se vacine em seu estado, para que não haja falta do imunobiológico. A Secretaria de Saúde do DF informou que está preparada para atender à população da capital, mas não pode deixar de vacinar moradores de outras unidades da Federação que procurem as unidades da rede pública.

A eficácia da vacina varia de pessoa para pessoa?

Sim. Os testes são feitos da seguinte forma: um grupo de pessoas é unido para o experimento e metade recebe o imunizante, enquanto que a outra parte toma placebo. Depois disso, é contada a frequência de cobaias que tomaram ou não a vacina, em que é calculado o percentual da doença e a eficácia em cada grupo.

Quais reações podem aparecer após a vacina?

As principais reações são dor local, dores no corpo, leve febre e mal-estar. Os maiores cuidados são com as pessoas alérgicas. Os sintomas principais são leves, como na maioria das vacinas.

Depois de vacinado, posso ter uma vida normal, frequentar aglomerações, viajar? Quais cuidados devo tomar?

Não. A recomendação é que, mesmo após tomar a vacina, a população continue seguindo as orientações: higienização das mãos, uso de máscara e evitar aglomerações.

Quem teve covid, pode se vacinar?

Sim. Após a total recuperação, e pelo menos quatro semanas após o início dos sintomas, ou confirmação pelo exame nos casos assintomáticos.

E se acabarem as vacinas?

A Secretaria de Saúde informou ao Correio que há doses suficientes para atendimento aos grupos programados até o momento.

É obrigatório o cartão do SUS para vacinar?

Não. A Secretaria de Saúde esclareceu que, para se vacinar, é necessário comparecer a uma sala de vacina de posse de um documento oficial com foto e a inscrição do CPF e, preferencialmente, com o cartão, para que seja verificada a situação do paciente e, caso necessário, seja atualizado.

Uma pessoa que teve a doença tem mais imunidade do que a vacinada?

A imunidade é mais duradoura em imunizados do que naquelas pessoas que não vacinam, de acordo com estudos.

Tem como calcular numa pandemia o percentual de pessoas assintomáticas?

Sim, por meio de um inquérito sorológico.

Crianças devem entrar no programa nacional de imunização? Quando?

A vacina, neste primeiro momento, foi desenvolvida para maiores de 18 anos. Não foram incluídas crianças nos estudos e teste. Portanto, não se sabe ainda quais os riscos e eficácia em crianças.


Posso fazer um combo de vacinas, por exemplo, tomar Pfizer, Oxford, CoronaVac e Sputnik no decorrer do ano?

A infectologista Joana Darc alerta que não é recomendado fazer um combo, pois pode se ter alguma superposição de eventos adversos. Cada vacina tem uma forma de estimular o sistema imunológico e pode ter uma confusão em relação sobre qual é a eficácia.

Fontes: Secretaria de Saúde, Ministério da Saúde e infectologista Joana Darc.


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