PANDEMIA

GDF espera receber mais 59,8 mil doses da CoronaVac na manhã desta quarta

Com os novos imunizantes a expectativa é de ampliar o público e começar amanhã a vacinação de pessoas com 72 e 73 anos

Edis Henrique Peres
postado em 17/03/2021 06:00 / atualizado em 17/03/2021 06:37
 (crédito: Carl de Souza/AFP - 6/2/21)
(crédito: Carl de Souza/AFP - 6/2/21)

O Governo do Distrito Federal (GDF) espera para esta quarta-feira (17/3) a entrega de 59,8 mil doses da vacina CoronaVac desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. As doses estão previstas para chegarem ainda nesta manhã. Com os novos imunizantes a expectativa é de ampliar o público e começar amanhã a vacinação de pessoas com 72 e 73 anos.

Para o morador do Lago Norte e ligado ao setor audiovisual, Fernando Almeida, 73 anos, espera é pelo fim da pandemia. "O que a gente quer é a vacina e os resultados para que o vírus suma de vez. Essa doença mudou a situação de todos, eu tive uma redução de 80% da minha renda, tive que dispensar plano de saúde. E eu sou do grupo de risco, sou diabético e asmático", revela.

Fernando recorre a um bom filme para se distrair durante os dias de isolamento. “Sempre procuro algo para assistir e, além disso, tenho minha filha especial, de 41 anos. Ela estuda on-line, e isso está sendo muito bom para nós e para ela. Os professores estão muito empenhados em fazer um bom trabalho, e isso vem ajudando a todos nós a lidarmos com toda a situação. E, claro, a pandemia ainda vai durar um certo tempo, até porque a primeira dose da vacina não deixa ninguém imune. Por isso, pretendo continuar seguindo os cuidados de prevenção”, ressalta.

Coração de avó

A emoção na expectativa da vacina é grande também para Norma Pinto da Silva, 72, moradora de Águas Claras e aposentada. Norma conta que se emocionou, na última segunda-feira, ao saber que seria vacinada. “Eu vi a reportagem e chorei de alegria. É muito difícil a pandemia, estou dentro de casa desde março do ano passado. Falo com meus filhos e netos apenas por celular. Quando eles vêm aqui em casa, entregar minhas compras, sequer entram, nos falamos só da porta”, revela Norma.

Mãe de três filhos, a aposentada conta que a família segue com rigor o isolamento. “Todo mundo evita ao máximo sair de casa, está cada filho em sua casa. Não tivemos Natal e, mesmo no meu aniversário, por exemplo, não quebramos o isolamento. Eles me mandaram presentes e nos falamos por live. Assim é em todo aniversário dos meus netos, tudo a distância. É difícil, mas vai passar. E precisamos fazer nossa parte”.

Norma ainda não sabe se irá se vacinar amanhã ou esperar pelo segundo dia de imunização do novo público-alvo. “Minha filha conversou comigo para esperarmos o segundo dia, para ter menos gente e não corrermos riscos. No fim, ainda vamos decidir. Mas estou aliviada, parece que estou sonhando com tanta alegria. Conto os minutos para chegar logo”. E como não podia deixar de ser, para um coração de avó, o que Norma deseja mesmo, e espera com mais ansiedade ainda, é pela imunização dos filhos e netos. “Sei que ainda vai demorar um pouco, mas eu mal posso esperar a hora de ver meus filhos e meus netos vacinados. Quero ver todo mundo seguro o mais rápido possível”, explica.

Imunização pelo outro

Infectologista do Hospital Águas Claras, Ana Helena Germoglio destaca que se imunizar é uma ação coletiva, do indivíduo para o outro. “Quando a gente se vacina, não pensamos no individual, pensamos no coletivo. Pessoas que são elegíveis para a vacinação, quando estão imunizadas, conseguem proteger quem está ao seu redor e reduzir a circulação viral”.

Ana Helena diz que, com a redução da circulação do vírus, o risco de mutações do Sars-CoV-2 diminui. “A probabilidade de ter novas cepas é maior quando o vírus circula livremente. E essas mutações são graves, pois colocam em xeque inclusive a vacina que já temos em mãos. Por isso, é importante que o maior número de pessoas se vacine”.

A médica também esclarece as dúvidas de muitos idosos que, por medo, não querem se vacinar. “Os efeitos colaterais do imunizante contra a covid-19 é como o de qualquer outra vacina: uma certa dor no local, vermelhidão, muito raramente alguém sente febre. O que vale ressaltar é que o benefício da vacina é muito maior: essa pessoa terá chances mínimas de se contaminar e, mesmo que isso aconteça, não desenvolverá uma infecção grave por covid-19”, finaliza.


Doses recebidas na capital até agora

CoronaVac: 227.560 doses
Covishield: 67 mil doses

Vacinados no DF até ontem

1ª dose: 171.757
2ª dose: 66.419

Fontes: Secretaria de Saúde do DF

  • Norma da Silva, 72 anos, conta os minutos para ser vacinada. Contudo, ela pretende seguir com isolamento social
    Norma da Silva, 72 anos, conta os minutos para ser vacinada. Contudo, ela pretende seguir com isolamento social Foto: Arquivo Pessoal
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    Fernando Almeida revela que ficar em casa tem sido um desafio, mas coloca a saúde em primeiro lugar Foto: Arquivo Pessoal
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