Mudanças

Coronel Márcio de Vasconcelos assume comando da PMDF, após Julian Pontes furar fila da vacina

A nomeação vem após o governador Ibaneis Rocha (MDB) exonerar o então comandante-geral Julian Rocha Pontes por ter furado fila de vacinação contra a covid-19

Darcianne Diogo
postado em 02/04/2021 14:13 / atualizado em 02/04/2021 18:16
 (crédito: Sargento Wander PMDF/Divulgação)
(crédito: Sargento Wander PMDF/Divulgação)

O coronel da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) Márcio Cavalcante de Vasconcelos assumiu o comando da corporação, após o então comandante-geral Julian Rocha Pontes ter sido exonerado do cargo por furar a fila da vacina contra a covid-19. A nomeação saiu em edição extra do Diário Oficial do DF (DODF) na tarde desta sexta-feira (2/4).

Com formação em direito e educação física, Márcio de Vasconcelos tem 27 anos de serviço e é especializado em ciências policiais e em gestão estratégica de segurança pública. Entre 2003 e 2010, o militar trabalhou no gabinete de segurança institucional da Presidência da República, e de 2016 a 2019 foi comandante do 3º Batalhão da PMDF e coordenador de eventos e atividades especiais da SSP/DF.

Atualmente, o coronel estava no cargo de  subsecretário da Subsecretaria de Operações Integradas, da Secretaria Executiva de Segurança Pública (SSP-DF).

Exoneração

O então comandante-geral da PMDF Julian Pontes foi exonerado do cargo, após ter tomado a vacina contra a covid-19. Além dele, fontes militares confirmaram os nomes do subcomandante-geral da PM, coronel Cláudio Fernando Condi; e do subcomandante operacional do 2º Comando de Policiamento Regional, tenente-coronel Eduardo Condi, que também receberam o imunizante.

A imunização dos coronéis e comandantes ocorre devido à circular vigente da Secretaria de Saúde do DF, que prevê a destinação das sobras da vacina, chamadas de "xepas" para os policiais militares que fazem a segurança das vacinas, do transporte e dos locais de vacinação.

Um dos vacinados antes dos praças é o tenente-coronel Eduardo Condi, irmão do subcomandante-geral, coronel Cláudio Fernando Condi. Condi passou a atuar na área administrativa da corporação após ser indiciado no caso Naja.

O policial militar é padrasto de Pedro Henrique, o estudante de medicina veterinária picado pela serpente Naja, e, no esquema criminoso, teria dado suporte financeiro e material para que a residência servisse de cativeiro para as cobras. O tenente-coronel responde 23 vezes por tráfico de animais silvestres, fraude processual, maus-tratos e associação criminosa.

O outro lado

Um dos acusados de furar fila, o chefe do Departamento Operacional (DOP), coronel Hemerson Rodrigues, foi enfático na resposta. “Não vacinei e não vou vacinar enquanto meu último homem não vacinar. Sou um profissional de 30 anos de carreira, sabem que eu não fiz. Todo final de semana estou na Esplanada. Quem não me conhece acha que eu tomei a vacina e, por dever moral, não faria isso e não farei. Estou com restrição (de sair de casa) porque minha esposa está grávida. Não procurei ninguém para ser vacinado. Achei isso uma injustiça como profissional”, declara.

Outro militar que nega ter furado fila da vacina para profissionais de segurança pública é o chefe do Estado Maior, coronel Marcelo Helberth de Souza. Ele esclarece que teve o nome divulgado fora do contexto. “A informação que tenho é que inseriram o meu nome num contexto que desconheço por completo, visto que não tomei vacina alguma. O fato é que estou afastado com suspeita de covid-19, o que acabou não se confirmando. Em nenhum momento tomei vacina. Não posso falar do nome dos demais, mas da minha parte eu esclareço que não tomei vacina alguma, mesmo que estivesse apto, não teria tomado”, expõe o militar.

A reportagem procurou o subcomandante-geral da PM, coronel Cláudio Fernando Condi, para se posicionar sobre a acusação, mas não obtivemos resposta até a publicação desta matéria. O mesmo ocorreu com o subcomandante operacional do 2º Comando de Policiamento Regional, tenente-coronel Eduardo Condi. O espaço segue aberto para ambos se pronunciarem sobre o assunto.

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