Feminicídio

"Rosto desfigurado", conta vizinha de jovem morta pelo companheiro no DF

Larissa Nascimento, de 22 anos, foi assassinada a pauladas, na madrugada de domingo (9/5), no Paranoá. Em entrevista ao Correio, uma das vizinhas conta que foi uma das primeiras a ver o corpo da jovem caído no chão

Darcianne Diogo
postado em 10/05/2021 19:42
Larissa Nascimento deixa um bebê de 8 meses -  (crédito: Redes sociais)
Larissa Nascimento deixa um bebê de 8 meses - (crédito: Redes sociais)

Vizinhos que escutaram os gritos de socorro de Larissa Nascimento, 22 anos, assassinada a pauladas pelo companheiro, João Paulo Moura de Sousa, 23, definiram a noite como um “terror”. A jovem foi morta na madrugada de domingo (9/5), no Condomínio Del Lago, no Itapoã. Após matar a vítima, o acusado mentiu sobre os fatos à polícia. O caso é tratado como feminicídio pela 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá).

Em entrevista ao Correio, uma moradora, que preferiu não se identificar, contou que a briga começou por volta das 3h40. “Ela gritava muito, pedindo socorro. Comecei a ficar apavorada e chamamos a polícia. Quando os policiais chegaram, a mãe dele (João) disse que estava tudo bem e que estava assustada com a chegada da polícia”, relatou.

A moradora disse ter ouvido, ainda, o momento em que Larissa se calou e parou de gritar. “Escutei eles falando que ela estava desmaiada. Durante a manhã, minha filha disse que parecia que alguém tinha morrido na casa ao lado e os boatos estavam circulando. Quando sai na rua, vi ele (acusado), o irmão e a mãe com uma feição aparentemente tranquila”, detalhou.

Pela manhã, por volta das 10h, equipes do Corpo de Bombeiros Militar do DF chegaram ao local e encontraram Larissa morta. A vizinha entrevistada pelo Correio foi uma das primeiras a ver o corpo da jovem caído no chão. “Ela estava muito machucada, com vários hematomas. Perguntei para o irmão dele (acusado) o que tinha acontecido e ele falou que o João tinha matado a namorada”, completou a vizinha.

Relação conturbada

O casal vivia uma relação conturbada, segundo os vizinhos. “Eles passavam na rua brigando toda hora. Era uma confusão.” O delegado-chefe da 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), Ricardo Viana, afirmou que ouvirá mais uma testemunha e, a depender do andamento das diligências, a mãe do suspeito poderá ser responsabilizada por ter contribuído de certa forma para a consumação do feminicídio.

O acusado acumula passagens pelos crimes de roubo, furto, receptação e tentativa de homicídio contra um adolescente. Ele também tem outras cinco ocorrências registradas na Lei Maria da Penha. Em 5 de abril, João foi preso em flagrante por lesão corporal, injúria, ameaça e dano qualificado contra Larissa. Ele foi solto em audiência de custódia e usava tornozeleira eletrônica.

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