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Há 25 dias sem chuvas, DF deve ter seca severa neste ano

Com proximidade do inverno, estiagem passa a predominar no DF e os meteorologistas apontam que a seca deste ano deve ser mais severa. Período requer mais cuidados com hidratação para evitar problemas respiratórios

Samara Schwingel
Jéssica Moura
postado em 04/06/2021 06:00
Durante a seca, a recomendação é adotar uma alimentação rica em frutas e verduras, e ingerir bastante líquido como água, água de coco e sucos naturais -  (crédito: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Durante a seca, a recomendação é adotar uma alimentação rica em frutas e verduras, e ingerir bastante líquido como água, água de coco e sucos naturais - (crédito: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

Com índices de chuvas abaixo dos esperados para esta época do ano, os brasilienses devem se preparar para uma estiagem mais intensa em 2021. “Há uma perspectiva de ser uma seca mais severa este ano”, ponderou o professor de geografia Rafael Franca, da Universidade de Brasília (UnB). Assim, a umidade do ar também fica comprometida. Já para nesta semana, as taxas podem bater os 25%.

Segundo o especialista, este ano, o inverno vai ter temperaturas mais elevadas. Apesar da queda nos termômetros durante a madrugada, as tardes ainda registram máximas altas, que beiram os 30°C. “Aqui no DF, costuma ter 100 dias seguidos sem nenhuma chuva, aí o negócio vai só agravando”, diz Franca.

A capital federal não tem qualquer sinal de chuva desde 9 de maio: já são 26 dias sem precipitações. Com a proximidade do inverno, que começa em 21 de junho, a tendência é de que a estiagem prevaleça, pois uma massa de ar seco toma corpo e se espalha pelo Centro-Oeste, afastando a nebulosidade.

As chuvas costumam ter uma redução drástica com o fim do verão e início do outono: se em abril a média histórica é de 133,4mm, em maio, o volume esperado cai para 29,7mm. Contudo, em maio de 2021, caíram 4,8mm. Para junho, estão previstos apenas 4,9mm e em julho, 6,3mm.

O meteorologista Mamedes Melo ressalta que a característica do inverno no Centro-oeste é de ser mais frio e seco. “Os períodos mais críticos são agosto e setembro, quando a temperatura começa a se elevar e tem picos de umidade mais baixa”, frisou.

Qualidade do ar

Rafael Franca explica que os dias consecutivos sem chuva ainda pioram a qualidade do ar. “A chuva tem essa condição de limpar a atmosfera e carregar essas partículas em suspensão, oriundas de queima de indústrias e automóveis, que ficam próximas à superfície”. Um dos indicativos dessa piora é a névoa seca no horizonte. “Esses poluentes nos fazem muito mal, a gente acaba respirando isso, o que traz problemas respiratórios”, alertou.

Por isso, nesta semana, a Defesa Civil emitiu um novo alerta de baixa umidade. O órgão está reforçando o cadastro da população para quem quiser receber as orientações sobre a melhor conduta durante o período de emergência. Para obter informações, basta enviar uma mensagem de texto de celular ao telefone 40199, para receber os SMSs.

Problemas respiratórios

O brasiliense sente na pele os efeitos da secura: a pele fica ressecada, a garganta irritada, o nariz pode sangrar. A estimativa da Secretaria de Saúde é de que a procura por atendimento nos hospitais aumente cerca de 40% nesta época do ano por conta das doenças respiratórias, agravadas pelo ressecamento das mucosas, que deixam o corpo mais vulnerável.

Deolane Nobre, 49 anos, e a nora, Isadora Correa, 26, sentem na pele os efeitos da seca. As moradoras da Vila Planalto contam que ficam com a boca seca e a respiração mais pesada e comprometida. Para amenizar os efeitos da estiagem, elas investem na hidratação. “Normalmente, eu não bebo tanta água, mas, nesta época do ano, bebo muita água”, diz Deolane. Isadora afirma que precisa, também, de umidificadores.

Por isso, a recomendação é adotar uma alimentação rica em frutas e verduras, ingerir bastante líquido, como água, água de coco, chás e sucos naturais, hidratar a pele com cremes, evitar banhos quentes e demorados, assim como o uso excessivo de sabonetes e buchas.

A seca não faz mal apenas ao sistema respiratório. Os olhos também podem sofrer. As principais causas são alergias e olho seco. O problema mais comum são os olhos irritados, com coceira e vermelhidão. Para prevenir o mal, o ideal é lavar os olhos com soro fisiológico, evitar coçar e usar óculos de sol com lentes UVA e UVB.

Queimadas

É durante o período de estiagem também que a incidência de queimadas costuma aumentar no Cerrado. O Inmet emitiu alerta para o risco de incêndio nas proximidades de quatro das cinco estações meteorológicas do DF.

Apenas no mês de junho do ano passado, 45,7 hectares foram consumidos pelas chamas de 11 incêndios. No mês seguinte, os focos saltaram para 25 e atingiram o pico do ano em agosto, quando houve 105 registros de queimadas e a área destruída chegou a 676,2 hectares, pelo levantamento do Instituto Brasília Ambiental. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, no Distrito Federal, 95% dos incêndios florestais são causados pela queima de lixo e restos de poda.

Além dos impactos sobre as espécies animais e vegetais, os incêndios florestais também prejudicam a saúde da população. “Isso acaba agravando ainda mais a qualidade do ar, já que o produto dessas queimadas vai para atmosfera”, destacou Franca. “A fuligem, produto de queimada, os gases, isso tudo é muito ruim para a saúde”. Por isso, os cuidados devem ser redobrados.

Orientações importantes

» Lave as mãos com frequência e evite colocá-las na boca e no nariz;

» Procure manter o corpo sempre bem hidratado. Portanto, beba bastante água, mesmo sem sentir sede. Na hora do lanche ou da sobremesa, dê preferência a frutas ricas em líquidos, como melancia, melão e laranja. Em especial, fique atento à hidratação das crianças, idosos e dos doentes;

» Aplique soro fisiológico no nariz e nos olhos para evitar o ressecamento;

» Evite a prática de exercícios físicos ao ar livre entre 10h e 17h

» Use produtos para hidratar a pele do rosto e do corpo, pelo menos depois do banho e na hora de deitar;

» Coloque chapéus e óculos escuros para proteger-se do sol;

» Aproveite o vapor produzido pela água durante o banho para lubrificar as narinas;

» Coloque toalhas molhadas, recipientes com água ou vaporizadores nos quartos de dormir;

» Evite aglomerações e a permanência prolongada em ambientes fechados ou com ar condicionado, pois o ressecamento das mucosas aumenta o risco de infecções das vias aéreas;

» Mantenha a casa sempre limpa e arejada. O tempo seco aumenta a concentração de ácaros, fungos e poeira em móveis cortinas e carpetes;

» Procure não usar vassouras que levantam o pó por onde passam. Dê preferência para aspiradores ou panos úmidos;

» Ligue ventiladores de teto no modo “exaustor”, com ar direcionado para cima. Ligados para baixo, no modo “ventilação”, levantam a poeira que se mistura no ar;

» Não queime lixo nem provoque queimadas por descuido ou desatenção.

Fonte: Defesa Civil

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