PANDEMIA

Covid-19: agendamento de vacinação para pessoas de 59 anos começa sexta (4/6)

Vacinação terá início na segunda. Serão 18 mil vagas para a faixa etária. De acordo com Secretaria de Saúde, quantidade é suficiente para atender a demanda, pois parte desse segmento já foi atendida durante os grupos de comorbidades ou de categorias profissionais

A partir das 14h desta sexta-feira (4/6), a população geral da capital federal com 59 anos poderá agendar a vacinação contra a covid-19. A imunização deste público começa na segunda-feira. Para agendar horário, é necessário fazer um cadastro no site da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) https://vacina.saude.df.gov.br/.

A princípio, serão 18 mil doses destinadas a esse público. Segundo a Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), existem cerca de 27 mil pessoas na faixa dos 59 anos na capital federal. De acordo com a SES-DF, a quantidade será suficiente para atender à demanda, pois parte desse grupo já foi atendido na vacinação dos grupos de comorbidades ou de categorias profissionais.

O agendamento do grupo prioritário, que inclui deficientes que não recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e pessoas com comorbidades acima de 18 anos, será também nesta sexta, a partir das 10h. Quem faz parte deste público e tiver agendado para receber a dose do imunizante precisa ficar atento às especificações exigidas para o relatório médico. A relação consta no site da Secretaria de Saúde

As pessoas que marcarem e não comparecerem no dia da aplicação da vacina, poderão ser atendidas até cinco dias depois, no mesmo ponto de vacinação definido. Caso esse prazo de cinco dias seja ultrapassado, a pessoa perde a prioridade na vacinação. Para o grupo de prioridades e comorbidades, serão destinadas 43 mil doses. Os repasses de vacinas para o DF são feitos pelo Ministério da Saúde, seguindo o Plano Nacional de Imunização (PNI).

Rodoviários

A vacinação dos rodoviários contra a covid-19 começou no Distrito Federal, durante o feriado de Corpus Christi. Ao todo, a Secretaria de Saúde mobilizou três pontos para a imunização deste grupo. Os rodoviários podem procurar a unidade básica de saúde (UBS) 5, de Ceilândia, a UBS 1 do Riacho Fundo ou o drive-thru do Parque da Cidade.

Inicialmente, foram disponibilizadas 4 mil doses para a categoria, que é vacinada mediante lista encaminhada pelo sindicato da categoria. A aplicação foi distribuída em três dias: mil doses ontem, 600 para hoje, 1.200 amanhã e 1.200 no domingo. A estimativa da pasta é que 12 mil trabalhadores sejam vacinados nas próximas semanas.

O cobrador Juvenal Ideão Leite, 56 anos, morador de Ceilândia, comemorou ao ser imunizado. Com 37 anos de atividade, ele se sente mais seguro para trabalhar depois da primeira dose. “Foi muito bom ser vacinado. É importante para todos os rodoviários”, destaca. “Sou cobrador desde 1984 e os ônibus só andam lotados”, afirma.

Agora, a esperança de Juvenal é por dias melhores e longe da pandemia do novo coronavírus. “Daqui para frente, com todo mundo vacinado, eu acho vamos ter uma vida normal, igual antes”, diz.

O cobrador Joel Rodrigues, 55 anos, saiu de casa, em Planaltina, e chegou ao ponto de imunização do Parque da Cidade, às 4h45 de ontem, para ser vacinado. O rodoviário afirma que se sente mais seguro em trabalhar e que vai continuar adotando as medidas de segurança contra a covid-19. “Essa doença está matando um monte de gente. Não é fácil. Agora, é esperar a próxima dose e se cuidar. Não é porque tomamos a primeira que não tem de se cuidar. Tem de fazer o uso da máscara e higiene total. A doença está matando mesmo”, destaca.

Com 25 anos de profissão, Joel estava ansioso pela vacina. “Demorou bastante, na realidade. A gente carrega o povo todo dia, e os ônibus andam lotados”, ressalta. Agora, o sentimento é de gratidão. “Só agradecer que nós vacinamos, e agradecer a Deus que estamos vivos. Estou me sentindo mais aliviado”, afirma.

Importância

A médica infectologista Sylvia Lemos Hinrichsen, consultora de biossegurança da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), ressalta a importância da vacinação na luta contra a pandemia. “No momento em que estamos, quanto mais pessoas se vacinarem, melhor. É importante para que possamos ter de 70% a 80% de pessoas vacinadas. Com isso, uma pessoa protege a outra e o vírus não tem tanta circulação”, ressalta.

Hinrichsen destaca que a segunda etapa do imunizante é tão necessária quanto a primeira. “Estamos observando muitas pessoas não indo fazer a segunda dose, achando que já está imunizado. Portanto, é muito importante que a informação seja correta e que as pessoas se vacinem”, afirma.

A especialista faz um alerta para os que querem escolher qual vacina vão tomar. “Não é para escolher vacina. A vacina melhor que se tem hoje é a vacina que se chega no nosso braço”, diz.

O médico infectologista do Hospital Anchieta Victor Bertollo destaca que as vacinas disponíveis foram testadas e aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Todas têm uma efetividade muito alta para a redução de formas graves da doença e complicações. É muito importante que todos se vacinem o quanto antes, com a que tiver disponível no momento”, afirma.

Na avaliação de Bertollo, doses de reforço podem ser ofertadas caso alguma vacina reduza a eficácia no combate à doença. “Seja pelas novas variantes ou pela queda da resposta imune com o tempo, que ocorre naturalmente com qualquer vacina, é natural que sejam tomadas medidas de saúde pública para, por exemplo, uma administração de doses de reforço”, ressalta.

Mais 20 mortos

Com 20 novas mortes registradas, ontem, o Distrito Federal chegou a 8.740 óbitos pela covid-19 durante a pandemia, segundo boletim epidemiológico divulgado, ontem, pela Secretaria de Saúde do DF. Somente nas últimas 24 horas, foram 487 novas infecções pela doença.

A média móvel de casos está em 835, o que representa queda de 2,09%, em relação ao número de 14 dias atrás. Quanto às mortes, em comparação ao mesmo período, o índice é de 24 — igual à média móvel das duas semanas anteriores.

Dos óbitos notificados, 19 são de pessoas residentes do DF e uma de Goiás. As comorbidades foram identificadas em 18 dos 20 mortos. Entre as vítimas, uma criança, com idade entre 2 e 10 anos. Com as novas ocorrências, a capital chegou a um total de 408.027 casos do novo coronavírus. Desses, 391.440 são considerados recuperados.

Em números absolutos, Ceilândia continua a ocupar o primeiro lugar no ranking, com 45.384 casos, seguido pelo Plano Piloto (38.944) e Taguatinga (32.540).

Mudança de data

Após anunciar que o agendamento começaria hoje, a Secretaria de Saúde voltou atrás e disse que o serviço começaria apenas na segunda-feira. Porém, ontem, a pasta mudou a data mais uma vez e afirmou que abrirá as 18 mil vagas a partir das 12h desta sexta.


Quem pode se vacinar no DF

» Professores da rede pública de ensino

» Rodoviários

» Pessoas com comorbidades a partir de 18 anos

» Trabalhadores de saúde da rede pública de todos os níveis de atenção à saúde, bem como do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF); Serviço de Atendimento Móvel e Urgência (Samu); da Fundação Hemocentro de Brasília (FHB); da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs) e da Administração Central (ADMC)

» Trabalhadores de hospitais privados, conveniados, filantrópicos, universitário e militares que possuem pronto-socorro e recebem pacientes com covid-19

» Trabalhadores dos serviços de Atenção Pré-Hospitalar (APH): resgatistas do Corpo de Bombeiros Militar e outras instituições privadas que prestam APH

» Trabalhadores da saúde que irão aplicar as vacinas

» Idosos maiores de 59 anos que vivem em Instituições de Longa Permanência para Idosos (Ilpi) e os colaboradores
das instituições

» Pessoas a partir de 18 anos de idade institucionalizadas e os colaboradores desses locais

» Pacientes em home care e do Núcleo de Atenção Domiciliar (Nrad), além de um cuidador dos pacientes do Nrad, exceto gestantes

» População indígena que reside em terras indígenas

» Profissionais de saúde inscritos nos programas de residência médica e multiprofissional, profissionais de saúde voluntários, trabalhadores de vigilância, limpeza e administrativo que atuam nas áreas supracitadas

» Idosos com 60 anos ou mais

» Profissionais de saúde do Instituto de Medicina Legal (IML)

» Biólogos

» Nutricionistas

» Professores de educação física

» Fisioterapeutas

» Terapeutas ocupacionais

» Fonoaudiólogos

» Psicólogos

» Técnicos de radiologia

» Técnicos de enfermagem

» Médicos

» Dentistas

» Biomédicos

» Médicos veterinários

» Profissionais do serviço social

» Farmacêuticos

» Agentes funerários

» Profissionais das forças de segurança pública

» Trabalhadores de creches públicas e particulares