Agiotagem

PCDF pede sequestro de embarcações e imóveis pagos como juros para PM agiota

Segundo as investigações, os itens foram dados em garantia e posteriormente transferidos ao sargento por pessoas que não conseguiram pagar os juros da agiotagem, que giravam entre 8% e 40% ao mês

Darcianne Diogo
postado em 23/11/2021 18:58 / atualizado em 23/11/2021 19:02
Ronie ostentava vida de luxo pelas redes sociais -  (crédito:  Reprodução/Redes Sociais)
Ronie ostentava vida de luxo pelas redes sociais - (crédito: Reprodução/Redes Sociais)

Na terceira fase da operação S.O.S Malibu, que prendeu o sargento da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) Ronie Peter Fernandes, acusado de chefiar um esquema milionário de agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro, policiais da Divisão de Roubos e Furtos (DRF/Corpatri) solicitaram o sequestro, nesta terça-feira (23/11), de diversos bens dados por vítimas ao PM como forma de garantia de pagamentos.

Entre os objetos, estão três embarcações, 19 imóveis e 8 veículos de luxo do líder da organização criminosa. Segundo as investigações, os itens foram dados em garantia e posteriormente transferidos ao sargento por pessoas que não conseguiram pagar os juros da agiotagem, que giravam entre 8% e 40% ao mês. Os bens são avaliados em R$ 6,2 milhões.

 Crédito: Reprodução/Redes Sociais. Ronie Peter Fernandes da Silva
Crédito: Reprodução/Redes Sociais. Ronie Peter Fernandes da Silva (foto: Reprodução/Redes Sociais)

Durante a operação, deflagrada em 16 de novembro, sete pessoas foram presas, incluindo o sargento, o irmão dele, o empresário Tiago Fernandes da Silva, e o pai dos dois, Djair Baia da Silva. Na quinta-feira (18/11), a Justiça do DF converteu a prisão temporária em preventiva de Ronie e de Tiago.

O sargento foi transferido ao 19º Batalhão da Polícia Militar, a Papudinha, onde ficam policiais militares. O irmão está no Centro de Detenção Provisória 2 (CDP 2), no Complexo Penitenciário da Papuda.

Ameaça e operação

Segundo as investigações da PCDF, a cobrança de quem não pagava as prestações do empréstimo em dia era feita por meio de coação e ameaças, o grupo tomava veículos e exigia a transferência de imóveis dos endividados. Além disso, os valores da agiotagem eram ocultados por meio da aquisição de veículos de luxo, registrados em nome de terceiros, bem como por meio de quatro empresas de fachada, sediadas em Águas Claras e Vicente Pires.

Nos últimos dois anos, o grupo criminoso adquiriu oito veículos da marca Porsche, cada um com valor aproximado de R$ 1 milhão e, nos últimos seis meses, movimentou mais de R$ 8 milhões. Durante a operação, três veículos da marca Porsche e um veículo BMW/X4 foram apreendidos. Os carros estão avaliados em R$ 3 milhões. Também foram bloqueadas sete contas bancárias, de pessoas físicas e jurídicas, com o bloqueio e sequestro de R$ 8 milhões.

Nos diversos áudios encontrados pelos investigadores, Ronie afirma que vai atrás do devedor caso não receba o dinheiro emprestado. "Vou arrancar seu olho na mordida", diz o PM. "Não vou só te espancar não, vou arrancar os pedaços", continuou Ronie.

  •  Crédito: Reprodução/Redes Sociais. Ronie Peter Fernandes da Silva
    Crédito: Reprodução/Redes Sociais. Ronie Peter Fernandes da Silva Foto: Reprodução/Redes Sociais
  • Quadrilha liderada por PM agiota ostentava carros de luxo
    Quadrilha liderada por PM agiota ostentava carros de luxo Foto: Reprodução/Redes Sociais
  • Sargento da PM foi preso após movimentar R$ 8 milhões com esquema milionário de agiotagem
    Sargento da PM foi preso após movimentar R$ 8 milhões com esquema milionário de agiotagem Foto: Reprodução/Redes sociais
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