Racismo

Colhido último depoimento sobre caso de injúria racial contra cantora no DF

Na terça-feira (23/11), o delegado-adjunto da 1ª DP (Asa Sul), Maurício Iacozzili, enviou ao MPDFT o depoimento do garçom que estava no restaurante da 108 Sul, local do crime

Pedro Marra
postado em 24/11/2021 21:01
A cantora de jazz Andresa Sousa sofreu injúria racial enquanto se apresentava em um restaurante da Asa Sul -  (crédito: Rodolfo Linharez)
A cantora de jazz Andresa Sousa sofreu injúria racial enquanto se apresentava em um restaurante da Asa Sul - (crédito: Rodolfo Linharez)

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) enviou, na terça-feira (23/11), ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) o último depoimento de testemunha no caso de injúria racial contra a cantora Andressa Souza, 34 anos, ocorrido em 19 de outubro deste ano. O delegado-adjunto da 1ª DP (Asa Sul), Maurício Iacozzili, ouviu um garçom que estava no restaurante da 108 Sul, local do crime.

De acordo com o Iacozzili, no mínimo, cinco pessoas foram ouvidas durante a apuração do caso. O funcionário não passou novas informações, mas foi ouvido à pedido da promotora do MPDFT. “Mais uma testemunha foi ouvida e corroborou a versão da vítima. Agora, é aguardar a promotora do caso analisar e ver quais são os próximos passos”, afirma o delegado-adjunto da 1ª DP.

Em 19 de outubro, a cantora de jazz Andressa Sousa estava empolgada para mais uma noite de trabalho. Nas redes sociais, com um texto alegre que terminava com emojis de coração, ela fez um post especial para lembrar os seguidores de que se apresentaria em um restaurante da Asa Sul.

O ânimo da artista, no entanto, foi substituída poucas horas depois por choro, quando ela foi vítima de injúria racial ao ser atacada verbalmente e fisicamente por uma cliente do local. "Aprende a cantar, sua negra”, proferiu a agressora. O caso foi registrado na 1ª DP (Asa Sul) como injúria racial.

A agressão ocorreu por volta das 22h30, quando Andresa e o produtor musical Jônatas Santana se apresentavam há cerca de duas horas. Em certo momento, alguns clientes começaram a fazer pedidos de músicas. Prontamente, eles atenderam às solicitações. “A casa tava cheia, principalmente na área onde fica o palco. Na minha frente tinha uma mesa com alguns gringos que se divertiam bastante”, conta Andresa.

Em outra mesa, no canto do palco, estava a agressora com um grupo de mulheres. Elas pediam, insistentemente, para Andressa cantar uma música que ela já havia cantado. “O garçom chegou a vir me dizer e eu disse que já tinha cantado e perguntei se era pra repetir e ele disse que era pra eu fazer o que eu achasse melhor. Decidi cantar de novo”, diz.

A mulher e outras três amigas então teriam ido para a frente do palco, dançaram, sorriram e cantaram a música -- Fly me to the moon, originalmente cantada por Frank Sinatra. No fim da música, as mulheres foram se sentar, menos uma - a que teria proferido as agressões. A mulher teria ido até Andressa e dito que ela não sabia cantar e que tinha errado a letra.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

CONTINUE LENDO SOBRE