Investigação

Empresário dá golpe em noiva e se apropria de mais de R$1 milhão da vítima

O homem é acusado de estelionato sentimental e crime de stalking. A 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul) investiga o caso como enquadrado na Lei Maria da Penha

Ana Maria Pol
postado em 02/12/2021 17:27 / atualizado em 02/12/2021 17:36
Em meio aos preparativos para o casamento, o homem convenceu a noiva a investir no mercado financeiro, mas ficou com o dinheiro da vítima -  (crédito: Reprodução/Redes sociais)
Em meio aos preparativos para o casamento, o homem convenceu a noiva a investir no mercado financeiro, mas ficou com o dinheiro da vítima - (crédito: Reprodução/Redes sociais)

Um empresário, de 35 anos, é investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) por estelionato sentimental e crime de stalking. O homem é apontado como suspeito de se apropriar da herança recebida por sua noiva, a personal trainer Carolina Mainardi, 37, e aplicar uma série de golpes financeiros contra ela. O caso é investigado pela 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul) e está sendo enquadrado na Lei Maria da Penha.

O crime aconteceu em 2019, mas foi na última terça-feira (30/11) que a vítima decidiu procurar a polícia. De acordo com a PCDF, o empresário convenceu a vítima a entregar mais de R$1 milhão, de uma herança que ela havia recebido, para que ele fizesse aplicações no mercado financeiro. Além do dinheiro para o suposto investimento, ela também contraiu empréstimos bancários, nos valores de R$60 e R$90 mil, para ajudar o então noivo a abrir o próprio negócio. 

Ao Correio, Carolina contou que eles se relacionavam há cinco anos quando o homem surgiu com a ideia de investir no mercado financeiro com o dinheiro da noiva. "Ele me falava que o dinheiro estava seguro sendo investido, e eu acreditava. Quando via as informações de que a ação subiu, eu perguntava se tinha dinheiro meu na ação da empresa, e ele me mostrava os dados, dizendo que tinha”, recorda.

Entretanto, em março daquele ano, Carolina precisou resgatar parte do investimento. “O dinheiro ia cair na conta, mas quando chegou a data prevista, comecei a ligar para a empresa e, poucos dias antes, ele disse que tinha que ir para Nova York resolver algo. Pegou o meu cartão e viajou, quando a bomba estourou, já não estava lá”, explica.

Segundo a personal, o saldo em sua conta estava negativado. “Por insistência dele, eu dei o dinheiro acreditando que ele faria um bom negócio”, afirma. Além do prejuízo com o valor supostamente aplicado, e dos empréstimos feitos, Carolina conta que ainda emprestou mais R$100 mil para o homem, com o intuito de ajudá-lo a abrir uma nova empresa. “Algumas pessoas julgam, perguntam como eu confiei, porque dei o dinheiro, mas eu estava noiva, estávamos resolvendo as coisas para o casamento. Então, eu confiava plenamente nele”, explica.

Segundo a vítima, o empresário praticou violência psicológica contra ela e controlava sua vida pelo celular. “Ele quebrou meu aparelho e depois me deu outro. Não sei o que tinha, mas através do meu telefone, ele conseguia fazer controle de todos os meus passos, ter acesso a e-mails, e contas”, recorda.

Confissão de dívida

Atualmente, Carolina diz que o empresário mora no Rio de Janeiro, e que lá possui uma empresa. Ao longo dos últimos dois anos, eles chegaram a conversar e o empresário assinou uma confissão de dívida, em que se comprometia a pagar tudo o que devia. Por isso, a personal trainer demorou para fazer o boletim de ocorrência. “Ele começou a pagar, mas depois parou. Eu mandava mensagem só pra cobrar o dinheiro, eu contava com a boa vontade dele para não ter um prejuízo maior. Até que teve uma hora que esgotei, porque os empréstimos continuam a ser debitados da minha conta”, desabafa.

De acordo com ela, o empréstimo de R$60 mil já foi quitado, mas ainda paga o de R$90 mil. Para a personal trainer, o episódio deve servir como alerta para outras mulheres. “Quando você toma esse golpe, fica sem chão. É uma pessoa que você confia, que você põe dentro da sua casa, com o seu filho dentro”, diz. “Ele chegou a fazer uma carta dizendo que ia se suicidar para eu ficar com o dinheiro da apólice. Fez chantagens emocionais. Então, espero que isso sirva de alerta para outras mulheres”, completa.

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