RELIGIÃO

Arquidiocese de Brasília se pronuncia após afastamento de padre exorcista

Assinada pelo Gabinete Episcopal, a nota oficial da instituição religiosa informa que, em breve, será "oportunamente nomeado outro sacerdote para a função de exorcista"

Ana Maria Pol
postado em 15/02/2022 20:25
 (crédito: Arquivo Pessoal)
(crédito: Arquivo Pessoal)

A Arquidiocese de Brasília se pronunciou, nesta terça-feira (15/2), a respeito do caso do padre Vanilson Sousa Silva, único exorcista do Distrito Federal, que perdeu a permissão para realizar missas e sessões de exorcismo na capital federal. Assinada pelo Gabinete Episcopal, a nota oficial da instituição religiosa informa que, em breve, será “oportunamente nomeado outro sacerdote para a função de exorcista”.

A decisão passou a valer na última quinta-feira (10/2). De acordo com a nota oficial, a Arquidiocese informou que “por motivos justos”, iniciou tratativas com o superior da Congregação Do Santíssimo Redentor de Goiás, o reverendo André Ricardo de Melo, superior do padre Vanilson, para avaliar o caso. “As tratativas foram iniciadas para melhor discernir tanto o bem do referido sacerdote como do Povo de Deus assistido pelo mesmo em nossa amada Arquidiocese de Brasília”, informou.

No comunicado, a instituição religiosa pediu a “confiança e solicitude” de todos “para com o discernimento da Igreja”, e reiterou que “todos os sacerdotes, pela natureza de seu ministério e configuração a Cristo, possuem faculdade para atender o Povo de Deus em suas necessidades espirituais”, informa. Além de exorcista, o padre Vanilson atua como vigário da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (Lago Sul), e é o fundador da Associação Padre Júlio Negrizzolo – Centro de Espiritualidade Rosa Mística e Comunidade Católica Filhos de Rosa Mistica, em São Sebastião.

O Correio questionou a Arquidiocese de Brasília quanto aos motivos que levaram o padre a ser afastado das atividades, mas a resposta foi a nota oficial publicada no site da instituição.

Outro lado

Em comunicado divulgado aos fiéis, nas redes sociais, o sacerdote informou a suspensão das missas na Associação Padre Júlio Negrizollo. “Peço a vocês que aguardem novos comunicados, novas ordens, até retomarmos as atividades. Por enquanto, estaremos sem celebrar as missas. Então, não vou estar celebrando. Que a gente continue rezando e intercedendo por essa missão e que ajudemos a levar esse comunicado a outras pessoas, para que não venham de longe e deem viagem perdida. Tem gente que vem de Goiás, Minas Gerais, Entorno de Brasília”, cita.

Em mensagem encaminhada aos fieis, o religioso fez um desabafo sobre o caso. “Os senhores bispos se reuniram com o meu superior provincial e exigiram minha retirada imediatamente. Me senti violentamente desrespeitado, porque todas as reuniões foram feitas sem a minha presença. Eu, como objeto das reuniões, nunca fui ouvido”, pondera.

O sacerdote falou, ainda, sobre a relação com o arcebispo de Brasília, Dom Paulo. “Quando Dom Paulo chegou, fui até ele e falei do ministério de exorcista e da missão com a comunidade. Ele me recebeu muito bem e deixou marcada sua visita na associação para nos conhecer. Nunca foi. No dia 23 de setembro, marquei conversa com ele, horas antes desmarcou. Protocolei na cúria um ofício solicitando nos receber. Nunca obtive retorno. Agora eu recebo a sentença”, diz.

Padre Vanilson diz que permanecerá em Brasília, sem exercer o ministério. “Tem a comunidade e a associação padre Júlio Negrizzolo, que não posso deixar sem antes encaminhar essa situação”, pondera. O religioso também foi procurado pela reportagem, mas não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestação.

Veja o pronunciamento do Padre Vanilson na íntegra:

“Venho lhes comunicar que a partir do dia 10 (ontem) de fevereiro eu não tenho mais permissão de exercer meu ministério na Arquidiocese de Brasília. Os senhores bispos se reuniram com o meu superior provincial e exigiram minha retirada imediata. Me senti violentamente desrespeitado porque todas as reuniões foram feitas sem a minha presença. Eu como objeto das reuniões nunca fui ouvido. Quando Dom Paulo chegou fui até ele, falei do ministério de exorcista e da missão com a comunidade. Ele me recebeu muito bem e deixou marcada sua visita na associação para nos conhecer. Nunca foi. No dia 23 de setembro marquei conversa com ele, horas antes desmarcou. Protocolei na cúria um ofício solicitando nos receber. Nunca obtive retorno. Agora eu recebo a sentença. Como tem muita coisa pra encaminhar ainda permaneço em Brasília mas sem exercer o ministério. Tem a comunidade e a associação padre Júlio Negrizzolo, que não posso deixar sem antes encaminhar essa situação. Tenho na comunidade pessoas que vieram do norte do Brasil, deixaram tudo porque acreditaram num sonho. Vamos ver se eles aceitam a continuidade da comunidade. Tem muita responsabilidade implicada em tudo isso. Enquanto isso, estou aqui. Contudo sei que estou vivendo as pegadas do Mestre. Sou ministro da igreja, mas minha fé é em Jesus Cristo. Também sei que vivemos os fins dos tempos, e muita coisa ainda vai acontecer. Diante dessa realidade eu entendo porque os padres se suicidam. Tudo passa. Até os grandes impérios passaram. Eu mexi diretamente com o inferno, ele se levantou contra mim. E ainda veremos coisas horrorosas acontecendo. Estejamos preparados a cada dia. O ladrão está nas portas. Deus tem um propósito em tudo! Perdão se faltei com algum dos senhores. E me perdoem se em algum momento não fui sinal de Deus”.

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