Justiça

Réu por racismo, Wassef denuncia "farsa" e ataca policiais e promotora

Em entrevista ao Correio, advogado da família Bolsonaro afirma haver uma série irregularidades na denúncia acolhida pela 3ª Vara Criminal de Brasília. Diz que policiais da 1ª DP não investigaram nada e critica promotora Mariana Silva Nunes

Carlos Alexandre de Souza
Ingrid Soares
postado em 19/02/2022 07:00
 (crédito: Samuel Calado/CB.DAPRESS)
(crédito: Samuel Calado/CB.DAPRESS)

Na última quinta-feira, o advogado Frederick Wassef tornou-se réu em um processo de injúria racial e racismo no Distrito Federal. Ele é acusado de ofender e humilhar a funcionária de uma pizzaria em 2020. Personagem conhecido da política nacional, Wassef não apenas nega as acusações – “Eu nunca na minha vida ofendi ninguém” –, como também denuncia a existência de um conluio para prejudicá-lo.

Em entrevista ao Correio, Wassef ataca para se defender. Diz ser vítima de denunciação caluniosa, crime previsto no Código Penal. Wassef lista uma série de atos que considera “fora da curva” no episódio da Pizza Hut. Critica de forma contundente a conduta de agentes de polícia e do delegado titular da 1ª Delegacia de Polícia, da Asa Sul. Segundo ele, não houve qualquer investigação rigorosa a respeito do caso. “Não existiu investigação, nenhuma diligência, nenhuma apuração. Nada foi coletado que provasse e corroborasse.”

O advogado da família Bolsonaro ataca ainda uma promotora do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios designada para o caso. Ela encaminhou a denúncia aceita pela 3ª Vara Criminal do DF. “Desculpa, qual o interesse dessa promotora, a doutora Mariana Silva Nunes? Ela está com pressa do quê? Se ela não sabe, eu vou dar uma aula aqui a todos vocês. O suposto crime que não existe da injúria racial é imprescritível. Doutora, pressa do quê? A pressa era me destruir, fazer 20 matérias comigo”, acusa Wassef.

A fim de sustentar a acusação de que é vítima de uma armação, Wassef recorre ao que ele denomina a “Bíblia da Maldade”. Ele afirma que a funcionária da pizzaria teria sido treinada para formalizar a denúncia e contaria com a ajuda de advogados e até assessor de imprensa. Ele ressalta, ainda, que a denunciante só procurou a polícia quatro dias após o suposto episódio de agressão – tempo utilizado para formar o que ele chama de “farsa”.

Na crítica à investigação sobre o episódio ocorrido no Pizza Hut, Wassef menciona outro caso polêmico ocorrido em Brasília. Em agosto de 2021, ele foi denunciado de cometer assédio sexual no restaurante Chicago Prime, no Lago Sul. Após apurar os fatos, investigadores da 10ª Delegacia de Polícia concluíram que Wassef não assediou a mulher e foi vítima de uma tentativa de homicídio. “Um delegado não faz nada, e vira uma farsa. Outro delegado, da mesma polícia, é sério, apura, vai atrás. Qual é o desfecho? Totalmente o contrário”

Em reação ao inquérito no qual responde como réu, Wassef diz estar convencido de que uma sequência de fraudes tem o objetivo de prejudicá-lo.

Por fim, o advogado da família Bolsonaro declara inocência. Nega ter cometido qualquer ato criminoso e afirma que pretende provar, na Justiça, a série de irregularidades de que seria vítima.

Confira os destaques da entrevista

 

Outro lado

A denúncia foi feita por Danielle da Cruz Oliveira, de 19 anos. Segundo ela, os episódios de racismo ocorreram nos meses de outubro e novembro de 2020. Ela contou ao Correio que chegou a pensar que “o caso não iria para a frente”.

Segundo a jovem, o primeiro ataque ocorreu quando Wassef estava na pizzaria que ela trabalhava. Ela o atendeu, e o advogado a puxou pelo braço e disse que não queria ser atendido por uma “negra” com “cara de sonsa”. No segundo episódio, um mês depois, o advogado a teria chamado de “macaca”.

Confira a entrevista completa com Danielle da Cruz Oliveira.

Confira a íntegra da entrevista com Frederick Wassef

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