Golpe

Falsos servidores de cartório lucraram mais de R$ 100 mil; leia conversas

Conversas colhidas pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) mostraram como os criminosos agiam e conseguiam tirar dinheiro das vítimas

Darcianne Diogo
postado em 12/05/2022 16:10
Golpistas que se passavam por servidores de cartório em Ceilândia são alvos da PCDF -  (crédito: PCDF/Divulgação)
Golpistas que se passavam por servidores de cartório em Ceilândia são alvos da PCDF - (crédito: PCDF/Divulgação)

Em menos de um ano, os golpistas que se passaram por servidores de um cartório de Ceilândia lucraram, ao menos, R$ 100 mil. Conversas colhidas pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) mostraram como os criminosos agiam e conseguiam tirar dinheiro das vítimas. Na manhã desta quinta-feira (12/5), investigadores da 23ª Delegacia de Polícia (P Sul) cumpriram mandados de busca e apreensão nas casas dos suspeitos, na cidade de Maracanaú, no Ceará.

Com uma foto de uma balança, símbolo do Direito, os criminosos criaram um perfil de Whatsapp e vincularam o número ao 6º Ofício de Registro de Imóveis do Distrito Federal, localizado em Ceilândia, dentro da plataforma Google Maps, induzindo as vítimas que pesquisassem na web com o nome do cartório a entrarem em contato com o número dos golpistas.

Leia conversa entre as vítimas e criminosos
Leia conversa entre as vítimas e criminosos (foto: PCDF/Divulgação)

 

Leia conversa entre as vítimas e criminosos
Leia conversa entre as vítimas e criminosos (foto: PCDF/Divulgação)

De acordo com a apuração policial, o grupo cometeu pelo menos 10 estelionatos praticados por meio da internet. Em uma das conversas analisadas pela polícia, o cliente questiona se a certidão ficará pronta antes do dia 5. Em resposta, o golpista detalha os valores: certidões de urgência custam R$ 74,50, e a normal, R$ 45,70. Em seguida, a vítima envia o comprovante de transferência.

Numa outra troca de conversas, a vítima chega a desconfiar da ação criminosa e solicita a devolução do valor: “É feito a devolução com 48h caso peça o cancelamento”, responde o golpista. O homem questiona: “Será que vai ser feito mesmo? Fui ao cartório mais cedo e informaram que não tem Whatsapp e pergunta o nome do “servidor”, que se identifica como Júlio César. “Engraçado. Estou aqui no cartório neste momento”, diz a vítima.

Ação criminosa


Delegado à frente das investigações, Thiago Boeing explica que, após o contato das vítimas, os estelionatários se passavam por servidores do cartório e cobravam depósitos bancários por pagamento de taxas e, posteriormente, indicavam as próprias contas bancárias para depósito. "Com o pagamento das taxas, as vítimas se dirigiam ao cartório e descobriam que haviam caído em um golpe. Os crimes geraram vários transtornos aos servidores do cartório, que rotineiramente eram interpelados por vítimas que ficavam irritadas ao perceberem a fraude", afirmou.

Em decorrência do grande número de vítimas houve notificação por parte do cartório para a Corregedoria do Tribunal de Justiça do DF (TJDFT). Nesta quinta-feira (12/5), policiais civis cumpriram mandados de busca e apreensão no Ceará, local de origem dos investigados. Foram apreendidos aparelhos eletrônicos, celulares e anotações. As investigações seguem com o objetivo de qualificar todos os autores e as respectivas condutas.

 

 

  • Leia conversa entre as vítimas e criminosos
    Leia conversa entre as vítimas e criminosos Foto: PCDF/Divulgação
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    Leia conversa entre as vítimas e criminosos Foto: PCDF/Divulgação
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