ELEIÇÕES 2022

União Brasil no DF pode mudar de lado e abandonar José Antônio Reguffe

Depois de declarar apoio ao presidente Jair Bolsonaro, presidente regional do partido, Manoel Arruda, sinaliza para selar aliança com Ibaneis Rocha (MDB), candidato a reeleição. O senador espera reverter essa situação

Ana Maria Campos
postado em 04/08/2022 05:46
Senador José Antônio Reguffe (União Brasil), pré-candidato a governador do Distrito Federal -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Senador José Antônio Reguffe (União Brasil), pré-candidato a governador do Distrito Federal - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Nunca a célebre frase "política é como nuvem. Você olha e está de um jeito. Olha de novo e já mudou" fez tanto sentido na política do Distrito Federal. Nos dois últimos dias do cronograma eleitoral para a realização de convenções partidárias, candidaturas ao Palácio do Buriti estão ainda na beira da definição ou do recuo. E uma situação inusitada: o União Brasil que tem um dos candidatos mais competitivos para enfrentar o governador Ibaneis Rocha (MDB) ensaia mudar de lado e apoiar a reeleição.

Um acordo vem sendo costurado para uma aliança do União Brasil com o Republicanos que exclua a candidatura do senador José Antônio Reguffe ao Palácio do Buriti. O presidente regional do partido, Manoel Arruda, fez um gesto nessa quarta-feira (4/8) que sinaliza essa mudança de direção. Num encontro articulado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, Manoel Arruda foi ao Palácio do Planalto declarar apoio oficial ao presidente Jair Bolsonaro.

Foi uma conversa que amarrou algumas pontas. O União Brasil vinha costurando uma aliança com o Republicanos, com a ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos Damares Alves como candidata ao Senado. Faltava o aval de Bolsonaro, que saiu nessa quarta-feira (4/8).

Na conversa, Bolsonaro disse, segundo quem acompanhou as negociações, que referendaria a candidatura de Damares ao Senado, desde que não fosse na chapa encabeçada por Reguffe. O presidente não considera o senador brasiliense um aliado pela forma como conduziu o mandato e os votos no Senado em questões importantes contra o governo.

Assim, União Brasil e Republicanos estão juntos. Há uma possibilidade de Manoel Arruda ser o suplente de Damares. Se Bolsonaro se reeleger e a ex-ministra conquistar o mandato, Manoel Arruda poderá assumir no Senado, com o retorno de Damares para a Esplanada dos Ministérios.

Falta agora sacramentar a aliança com Ibaneis. Essa é uma estratégia ainda a ser considerada. Só por inviabilizar a candidatura de Reguffe os dois partidos já estão dando uma ajuda e tanto para o projeto de reeleição de Ibaneis. Damares e os evangélicos do Republicanos pedirão votos para Ibaneis. Ao Correio, o governador disse na quarta-feira (4/8) que ainda não havia fechado com o União Brasil. "Até sexta, tudo é possível", completou.

Mas uma coligação formal pode criar mais problemas do que benefícios. É que Ibaneis já tem candidata ao Senado, Flávia Arruda (PL), e uma aliança que favoreça Damares Alves criará atritos com o PL. Embora o partido já esteja desconfiado da movimentação. Integrantes do partido acreditam que um jogo desfavorável a Flávia e ao ex-governador José Roberto Arruda está em curso.

Por isso, Arruda tem entrado em conflito com o ex-secretário de Ciência e Tecnologia Gillvan Máximo. Ele é do Republicanos, pré-candidato a deputado federal e um grande aliado de Ibaneis. Tem feito campanha pela candidatura de Damares.

Além dos acordos eleitorais, Ibaneis tem discutido com a cúpula nacional do União Brasil sobre uma participação no segundo mandato, em caso de vitória. Segundo políticos que têm acompanhado as tratativas, estão em discussões indicações para o BRB e para a Terracap, empresas importantes no organograma do governo do DF.

Resistência

Reguffe passou a quarta-feira (4/8) em conversas com aliados. Disse a vários políticos que vai resistir e cobrar um compromisso que lhe foi feito pelo presidente nacional do União Brasil, Luciano Bivar, de que sua candidatura ao Executivo era para valer. A conversa ocorreu quando Reguffe aceitou migrar do Podemos para o União Brasil no início do ano. Ele teria liberdade para montar a chapa e conduzir a campanha.

Mas integrantes do União Brasil reclamam de que ele não conseguiu montar uma nominata forte para federal, objetivo principal de todos os partidos.

O senador brasiliense permaneceu nessa quarta-feira (4/8) sem comentar publicamente as negociações de seu partido. Mas postou uma mensagem enigmática no Instagram: "O mundo não é dos espertos. É das pessoas honestas e verdadeiras. A esperteza um dia é descoberta e vira vergonha. A honestidade se transforma em exemplo para as próximas gerações. Uma corrompe a vida; a outra enobrece a alma". 

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