CPI Atos Antidemocráticos

Anderson Torres convidou Júlio Danilo para ficar na SSP; ele disse não

À CPI, Julio contou que Anderson o chamou para conversar sobre a permanência dele na SSP. Ele recusou o convite

Pablo Giovanni
postado em 23/03/2023 14:07 / atualizado em 23/03/2023 16:46
 (crédito: Ed Alves/CB/D.A.Press)
(crédito: Ed Alves/CB/D.A.Press)

Para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Atos Antidemocráticos, o ex-secretário de Segurança do Distrito Federal, Júlio Danilo contou que o sucessor, o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres formalizou um convite para que ele ficasse na secretaria. O convite foi recusado por Júlio Danilo.

À CPI, Júlio Danilo depõe como convidado e afirmou que Anderson Torres o chamou para uma conversa, com o intuito de tentar fazer com que ele permanecesse na SSP. "Chegou a conversar comigo sobre a possibilidade, se eu teria ou não o desejo. O que eu disse, à época, ainda como secretário, é que não era recomendável (a minha permanência). Seria uma nova gestão a partir daquele momento, então achei que não seria conveniente eu continuar", disse.

O ex-secretário, que retornou a exercer o cargo de delegado da Polícia Federal, não detalhou qual cargo ocuparia na segunda gestão de Torres como secretário de Segurança do DF, caso aceitasse a proposta. Com a recusa dele, foram nomeados por Anderson Torres nos primeiros dias de janeiro, o delegado federal Fernando de Sousa Oliveira e a delegada Marília Alencar. Anderson Torres está preso no 4° Batalhão da PMDF, no Guará, desde 14 de janeiro.


CPI na CLDF

Nesta quinta-feira (23/3), a CPI recebe o ex-secretário de Segurança Júlio Danilo, que é delegado da Polícia Federal, e o tenente-coronel da PMDF Jorge Henrique da Silva Pinto. Danilo está sendo questionado sobre as medidas tomadas para acabar com o acampamento golpista e sobre o relacionamento com Anderson Torres. Quando Torres deixou a SSP para ocupar um cargo no governo Bolsonaro, Júlio, que era secretário-executivo, herdou a função, que exerceu até os primeiros dias do ano. O ex-chefe da SSP, à época, foi elogiado pelo ministro da Justiça Flávio Dino e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela segurança na posse de 1° de janeiro.

Já o oficial da PMDF estava em um grupo de WhatsApp chamado “Difusão”, criado para o repasse de notícias. Além de Jorge Henrique, estavam o coronel e então comandante da PMDF Fábio Augusto Vieira; o então secretário-executivo Fernando de Sousa Oliveira; a então subsecretária de Inteligência Marília Ferreira Alencar; Anderson Torres; e os dois policiais civis. O tenente-coronel será alvo de questionamento sobre alertas que ele teria feito nas vésperas do 8 de janeiro.

O presidente da CPI ainda não se decidiu sobre o depoimento de 30 de março. A princípio, o coronel e ex-comandante do 1° Comando de Policiamento Regional (1° CPR) Marcelo Casimiro Vasconcelos Rodrigues, deverá ser ouvido pelos deputados distritais. A comissão trata o assunto com cautela, por entender que qualquer sinalização de Torres pode mudar o fluxo das datas.

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