Mutirão

Hospital Universitário abraça programa que encurta filas da rede pública

Mais de 500 procedimentos, neste sábado (13/12), no HuB, otimizaram filas da rede pública, a partir de ação do governo federal, no programa Agora tem Especialistas

O motorista autônomo aposentado Gentil Ferreira de Sousa, aos 65 anos, que traz histórico de internação no Hospital de Regional de Ceilândia, de passagem pelo Hospital de Base e ainda de ter precisado de cuidados no Hospital de Taguatinga, teve a difícil jornada pelos corredores de hospitais encurtada, a partir de uma ação do programa Agora tem Especialistas, que transcorre desde a manhã deste sábado (13/12), em escala nacional. "O Dia E é uma mobilização conjunta da rede Ebserh, com hospitais universitários, alinhada ao Ministério da Saúde e o Ministério da Educação. Mais de 45 hospitais brasileiros integram a ação que tem planejadas cerca de 2,2 mil cirurgias eletivas e mais de 52 mil procedimentos, em escala nacional. A lógica é a da redução das filas nos atendimentos. Além de cirurgias, se tem procedimentos de diagnóstico e consultas médicas especializadas, diante de um esforço concentrado", demarca o biomédico José Alexandre Buso Weiller, assessor de planejamento ligado à infraestrutura da Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares).

Gentil Ferreira, atendido no Hospital Universitário de Brasília (605 Norte), passou pelo setor de medina nuclear. "Ele precisou de exame de cintilografia óssea para detecção de metástase, uma vez que tem câncer de fígado. Na ação social de hoje, pudemos trazê-lo e antecipar o diagnóstico", contou o enfermeiro Flávio Andrade, chefe do setor de apoio e diagnóstico do HuB. Levado de ambulância, o marido de Márcia de Souza, 58, que esteve internado ontem, tem lutado desde julho contra o câncer. "Agilizaram muito, com o encaminhamento para cá. Foi muito rápido e vimos prestatividade nos excelentes profissionais", comemorou Márcia, que reside com Gentil em Alexânia.

Quem também comemorou os resultados de otimização do trabalho foi o médico nucelar Renato Marcos Amaral. Terça-feira, o seu Gentil deve ter laudos em mãos, num incremento de entrega de laudos. "Hoje, com a ação no HuB, atenderemos 22 pacientes que estavam aguardando a realização de cintilografia e de perfusão cerebral, um exame de alta complexidade. Pacientes oncológicos, com os exames, por exemplo, definem melhor a extensão da carga tumoral, e isso completa o quadro clínico definido para o tratamento. Com as perfusões cerebrais são gerados resultados para as pessoas com quadro de esquecimento e investigação de demência, auxiliando geriatras ou neurologistas à frente desses casos", pontuou o médico.

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"Neste sábado temos 41 indígenas aqui conosco, já que somos referência nesta atenção especializada. Ao todo, o HuB terá 572 procedimentos realizados na ação", destaca Mônica Sampaio, gerente de atenção à saúde, e diretora técnica do hospital. Indígena vinda da aldeia Capivara, Diana Kaiabi, aos 39 anos, se beneficiou da ação federal do governo que, resultou, na primeira edição, em 12,5 mil atendimentos, e, na segunda, em 34 mil. Vinda do Médio Xingu, aos 39 anos, ela, sem marcação de consulta, deu os primeiros passos na delicada situação enfrentada há três meses: com a ultrassonografia transvaginal teve avaliação do sistema reprodutor, depois de sofrer aborto. O próximo mutirão, no HuB, tem previsão para março ou abril de 2026.

Aceleração

O aposentado Expedito de Lucena Lima, 83 anos, mestre de obras que ajudou a construir hospitais públicos da capital, veio de Sobradinho para otimizar tratamentos de leishmaniose e câncer de pele. "Depois de anos sem protetor solar, a pele está respondendo (com os problemas)", comentou a filha, Suelen, técnica de enfermagem. Já o candango natural do Rio Grande do Norte comemorou o acesso a exames de referência em dermatologia ao lado da esposa Silvani: "Antes, buscávamos atendimento e, muitas vezes, sem sucesso".

Mônica Sampaio, gerente de atenção à saúde e diretora técnica do HuB, destacou a realização de 40 cirurgias eletivas e 25 oncológicas, além de seis cirurgias nefrológicas para colocação de fístula em pacientes que farão hemodiálise e diversos acessos venosos. "Foram 509 exames especializados, incluindo ressonância, ultrassom, tomografia e mamografia. Tudo realizado hoje; o hospital está lotado", afirmou.

O mutirão beneficiou ainda pacientes indígenas. Mais de 40 pessoas vinculadas à Casa de Apoio à Saúde Indígena (Casai) passaram por procedimentos que normalmente levariam até 200 dias para serem realizados. Entre eles, a matriarca Mapulu Mehinako, 82 anos, do povo Suíá, viajou do Leste do Parque do Xingu (Mato Grosso) para a colocação de cateterismo cardíaco, aguardado há dois anos. "Estamos muito felizes com o atendimento, feito com muito carinho. Aqui há muitos especialistas, e tudo é rápido, o que garante continuidade ao tratamento", afirmou o filho Kokoyateni Suya, 45 anos.

Daniele da Silva Guirra, 27 anos, mãe de três filhos, buscou atendimento para psoríase agravada. "Vim do Sol Nascente e finalmente consegui ajuda. Aqui consigo sessões de fototerapia e acompanhamento adequado, algo que não obtinha antes", relatou.

Francisca Pereira, 60 anos, com problemas cardíacos, diabetes e acompanhamento psiquiátrico, procurou o HuB após mamografia. "Vim para uma ultrassonografia. Tenho um lado do coração paralisado. O atendimento aqui é muito bom e as filas estão bem menores", disse a moradora de Sobradinho II. "O atendimento foi muito rápido, diferente do que já vimos. Foi excelente, com profissionais muito atentos", comentou Maria Alice, 70 anos, acompanhante do marido, o aposentado da construção civil Expedito Ponte, 74 anos. Com câncer de próstata, tratado há seis anos no Hospital de Base, ele realiza acompanhamento semestral. A realização da cintilografia óssea trouxe alerta para Gidásio Falcão, 41 anos, filho do aposentado atendido no mutirão do HuB.


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