FEMINICÍDIO

Homem que confessou feminicídio de adolescente diz estar arrependido

Marlon Carvalhedo da Rocha foi preso pelo feminicídio de Ester Silva, de 14 anos, neste domingo (18/1). O Correio teve acesso ao depoimento prestado pelo homem; veja

Em depoimento à Polícia Civil (PCDF), Marlon Carvalhedo da Rocha, preso pelo feminicídio da adolescente Ester Silva, afirmou estar arrependido do crime cometido nesse domingo (18/1), em Planaltina. O caso é investigado como o primeiro feminicídio registrado no Distrito Federal em 2026.

Em vídeo do interrogatório, ao qual o Correio teve acesso, Marlon é questionado por policiais sobre uma possível intenção de manter relação sexual com a vítima. “Nenhuma. Não tinha nenhum interesse”, respondeu. O suspeito também negou estar sob efeito de drogas no momento da prisão e afirmou não portar entorpecentes quando foi localizado pela Polícia Militar (PMDF). Veja:

Durante o depoimento, ele confirmou que foi detido nas proximidades do apartamento onde ocorreu o crime. Questionado se o local da abordagem era distante da residência, respondeu que “não era tão longe” e que seria possível ir a pé. Ainda segundo o relato, Marlon disse estar arrependido do que fez, mas negou ter pedido para que a irmã da vítima, de 11 anos, deixasse o cômodo onde estava com Ester na madrugada do crime.

Outro ponto abordado no interrogatório foi o consumo de bebidas na noite anterior. Marlon afirmou ter ingerido um suco de manga preparado pela mãe da adolescente. “Bebi, que é a mãe dela que fez. Eu nem cheguei perto da comida”, disse. Questionado se tinha conhecimento sobre a possível adição de alguma substância sonífera à bebida, respondeu que não sabia informar.

A versão apresentada por ele diverge do depoimento da mãe da vítima. À polícia, ela afirmou suspeitar que tenha sido dopada, o que explicaria o fato de não ter acordado durante a noite. Segundo o relato, após consumir a bebida, ela teria dormido profundamente e só despertado na manhã seguinte, quando encontrou a filha caída no quarto, já sem vida.

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Ester Silva, de 14 anos, foi encontrada morta com sinais de violência no pescoço e no rosto. De acordo com a PMDF, o suspeito mantinha um relacionamento recente com a mãe da adolescente e cumpria prisão domiciliar desde outubro do ano passado. Após o crime, ele teria fugido levando objetos da residência, entre eles aparelhos eletrônicos, posteriormente encontrados com auxílio de rastreamento por GPS.

A PCDF apura o caso como feminicídio e trabalha com a linha de investigação de tentativa de violência sexual. Vestígios de luta encontrados no local, a dinâmica relatada pela mãe e o histórico criminal do investigado, que inclui passagens por estupro e roubo, são considerados elementos relevantes para o esclarecimento do crime.

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