Crime bárbaro

Polícia analisa imagens que podem incriminar técnicos de enfermagem

Imagens mostram Marcos acessando o computador de um dos médicos do hospital para prescrever os medicamentos injetados nos pacientes. Também é possível ver o profissional ao lado de um dos pacientes que foi morto

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) analisa imagens das câmeras de segurança dos leitos onde foram mortos Marcos Moreira, 33 anos, Miranilde Silva, 75, e João Clemente Pereira, 63, no Hospital Anchieta, de Taguatinga, entre novembro e dezembro do ano passado. A investigação aponta que o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 — na companhia de duas colegas de profissão —Amanda Rodrigues de Sousa, 28, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22 — aplicou altas dosagens de uma substância química nas veias dos pacientes, que sofreram paradas cardíacas súbitas.

As imagens mostram Marcos acessando o computador de um dos médicos do hospital para prescrever, sem autorização, os medicamentos injetados nos pacientes. Também é possível ver, em outros registros, o profissional ao lado de um dos pacientes que foi morto. O momento coincide com o horário aproximado em que a vítima começou a apresentar alterações graves e veio a óbito.

Em uma das imagens mais chocantes, o técnico aparece observando os demais profissionais reanimando o mesmo paciente. A investigação aponta que Marcos administrou novas dose da substância enquanto os médicos realizavam as manobras na professora aposentada Miranilde. Em outro registro, uma das técnicas aparece manuseando os medicamentos na farmácia. 

Reprodução/Câmeras de segurança -
Reprodução/Câmeras de segurança -
Reprodução/Câmeras de segurança -

Foi com esses registros que a polícia confrontou os investigados durante seus depoimentos. Segundo a polícia, Marcos demonstrou frieza ao ser questionado sobre os fatos. Inicialmente, negou qualquer envolvimento com as mortes. Alegou que seguia apenas as orientações dadas pelos médicos, especialmente quanto às dosagens.

Depois, o suspeito mudou a versão. Confessou o crime e deu como justificativa o tumulto do plantão. “Ele disse que estava estressado, que iria liberar todos e, por isso, tomou tal atitude”, afirmou o delegado Maurício Iacozzilli, da Coordenação de Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP). Por último, Marcos contou outra história. Novamente admitiu a aplicação das substâncias, mas justificou os atos como uma forma de “aliviar” o sofrimento das vítimas.

Hipóteses

A PCDF trabalha com a instauração de um novo inquérito policial para apurar se outras mortes podem ter sido provocada peles acusados. Iacozzilli afirma que há várias linhas de investigação. Entre elas, a hipótese de que Marcos teria matado por prazer. "É a mais forte", afirmou.

As investigações foram expandidas a todos que trabalham nos 100 leitos da unidade, a fim de apurar se há mais profissionais de saúde suspeitos de envolvimento nos crimes. "Mas, por enquanto, não há ninguém mais específico. Os autores também não delataram a participação de mais pessoas, mas esse é o procedimento", destacou o delegado-chefe da CHPP, Wisllei Salomão.

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