SAÚDE HUMANIZADA

Hospital promove sessão de cinema para paciente internado há um ano

Paciente está internado desde que passou por cirurgia abdominal; ação faz parte da política de humanização do Hospital Brasília

Após quase um ano de internação, o médico pediatra Clovis Roberto Puttini, de 72 anos, deixou por algumas horas a rotina restrita do leito hospitalar para viver uma experiência fora do comum: uma sessão de cinema preparada especialmente para ele. A iniciativa foi organizada pelo Hospital Brasília, da Rede Américas,  como parte de um conjunto de ações voltadas à humanização do cuidado.

Clóvis está internado desde que passou por uma cirurgia abdominal e segue em tratamento contínuo, acompanhado por diferentes equipes assistenciais. Apesar da complexidade do quadro clínico, o paciente encontra-se estável. Ao longo dos meses, no entanto, profissionais de saúde perceberam sinais de desânimo, pouco engajamento nas atividades terapêuticas e isolamento emocional, efeitos comuns em internações prolongadas.

Atenta a esse contexto, a equipe multiprofissional decidiu ir além dos protocolos clínicos e investir em uma intervenção simbólica, voltada ao bem-estar emocional do paciente. A proposta foi simples e afetiva: organizar uma sessão de cinema fechada, com a presença da família, para resgatar memórias e estimular a reconexão com a vida fora do hospital.

O filme escolhido foi o novo longa do Tom e Jerry, clássico que atravessa gerações e remete à infância, um gesto especialmente significativo para um médico que dedicou a carreira ao cuidado de crianças. A experiência permitiu que Clóvis saísse do quarto e vivenciasse um momento de prazer.

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O diretor do Hospital Brasília, da Rede Américas, Julio Mott comentou que o cuidado tem que ir além do tratamento clínico. "Colocar as pessoas no centro do cuidado também significa olhar para o emocional, para a história e para aquilo que dá sentido à vida de cada paciente", afirmou. Para o diretor, é muito importante que o cuidado também seja humanizado. "Essa ação simboliza o compromisso da nossa equipe em oferecer um cuidado verdadeiramente humano”, acrescentou.

Para a família de Clóvis, o momento também foi uma visita ao passado. Segundo a filha do senhor Clóvis, Mariana, ele sempre levou muito as filhas ao cinema. Eles costumavam fazer sessões duplas e, em alguns dias, chegavam a assistir a até três filmes seguidos. Como ela e a irmã, Amanda, moravam com a mãe, nos fins de semana em que estavam com o pai esse era um dos programas preferidos da família. A filha conta que era uma forma de estarem juntos e aproveitarem o tempo com ele.

Mais do que uma sessão de cinema, o momento representou uma pausa na dureza da internação e um lembrete de que, mesmo em contextos de longa permanência hospitalar, é possível criar experiências que devolvam dignidade, esperança e sentido ao cuidado.

 

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