Completando 55 anos de trajetórias de luta, resistência e coragem, Ceilândia possui muitas memórias a serem relembradas. Pensando em honrar pouco mais de meio século de registros históricos, a exposição 'Terra dos incansáveis: Ceilândia 55 anos' homenageia a organização popular que atuou entre 1979 e 1988 para reivindicar a regularização fundiária para os primeiros habitantes da cidade. A mostra entrou em cartaz na segunda-feira passada e estará disponível até 11 de abril, na Galeria Risofloras, na Praça do Cidadão, com entrada gratuita aos visitantes.
Com curadoria de Gu da CEI, a exposição reúne registros fotográficos e obras inéditas de artistas da cidade para contar a história ao longo de 55 anos de desenvolvimento: dos barracões que acolhiam os trabalhadores até a atualidade. Segundo o curador, o principal objetivo da mostra é prestar uma homenagem ao Movimento dos Incansáveis. "Esse movimento lutou contra a negligência do poder público e inscreveu a resistência na nossa história", afirma o artista ceilandense.
A exposição nasceu a partir da pesquisa de imagens históricas da cidade, incluindo registros do Centro de Documentação (Cedoc) do Correio Braziliense. O artista comenta que as imagens reunidas pelo departamento foram fundamentais para o processo de criação. "Além de compor a exposição, inspirou os artistas nas obras inéditas que foram criadas e nos apresentou elementos da nossa história que ainda não conhecíamos", conta. Após as pesquisa, Gu convidou diversos artistas locais, que utilizam diferentes linguagens para começar as produções. "Eles se apropriaram dessas imagens e criaram novas a partir delas ou revisitaram suas obras em diálogo", explica. Além do Cedoc, o Arquivo Público de Brasília também foi utilizado para consultar registros.
Nascido e criado na cidade, Gu afirma que, para ele, foi uma honra participar desse processo de criação da exposição. "É incrível juntar vários fragmentos da nossa visualidade em um só lugar e propor a contemplação da nossa identidade", comenta. O artista faz questão de mostrar para o mundo de onde veio, inclusive levando a cidade no nome. "Representa tudo o que eu sou", diz. "Ela me inspira e é a minha principal referência, por isso faço questão de carregá-la em meu nome", finaliza.
