Maria Verônica possui uma banca na Rodoviária do Plano Piloto, onde vende objetos como cabos e fones de celulares, além de fazer xerox e impressão. A comerciante relatou que desde a implementação do Pix, em novembro de 2020, o método de pagamento se tornou o queridinho dos fregueses. "Às vezes um cliente quer pagar com uma nota maior e a gente tem que correr na rodoviária para conseguir o troco para ele", contou.
O economista Riezo Almeida afirmou que há mudanças significativas na economia quando há uma migração do dinheiro físico para pagamentos digitais. "Alteramos a velocidade de circulação da moeda e a rastreabilidade das transações", disse. Para o especialista, a adoção do Pix, por exemplo, facilita o comércio informal e também aumenta a arrecadação. "O Pix reduz os custos de transação e amplia a inclusão financeira, por tender a aumentar a base tributária", acrescentou.
Mesmo sem a circulação do papel moeda, a economia continua funcionando sem empecilhos. "A moeda continua existindo. A circulação ocorre via transferências eletrônicas, cartões e sistemas instantâneos". Como exemplo, ele cita o giro do dinheiro que começa no recebimento do salário, pagamento de aluguel por transferência, compras no mercado com cartão e a divisão de uma conta com o Pix. "A moeda circulou normalmente pela economia, financiando consumo, renda e atividade econômica — apenas mudou o formato", explicou.
Praticidade
Os serviços de pagamento digitais, e até mesmo os clássicos como os cartões de crédito e débito, são recorrentes na vida da população. Joice Rodrigues, 23 anos, comentou que abandonou totalmente o dinheiro físico. "É muito difícil trocar o dinheiro quando a gente precisa comprar alguma coisa", afirmou
Ela também ressaltou que, apesar da agilidade, tem a impressão de que não consegue controlar os gastos. "Se eu saio com R$ 50 em espécie, só tenho isso para gastar. Com a agilidade do Pix e do cartão, acredito que a gente gasta muito sem nem perceber", comentou.
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A praticidade é o principal atrativo para as pessoas que dispensam o uso de cédulas e moedas. O segurança Alan Meneses, 30, comenta que esse também é o motivo para a sua escolha. "É muito mais prático, só encostar o celular na máquina e já está feita a transação", alegou. Entretanto, ele também acredita que não portar dinheiro pode ser um comportamento mais seguro. "Andar com uma certa quantia é perigoso porque você fica visado. Dependendo, quando for pagar algo e tirar o dinheiro do bolso, pode dar um sinal para alguém mal intencionado que está de olho em você", justificou
Apesar da praticidade e da segurança mencionadas, depender do pagamento digital também gera inconvenientes. O segurança disse que, volta e meia, tem problemas com bancos e outros serviços digitais. Inclusive, quando foi abordado pela reportagem, o banco não estava entrando no celular. "Eu estou lutando com o banco aqui para conseguir tirar o dinheiro para usar. Há sim uma grande praticidade, mas a gente tem que tentar garantir o acesso (ao banco) antes para não ficar em situações como essas", contou.
Controle do caixa
A falta de dinheiro em espécie circulando é uma via de mão dupla para o setor de comércio. A comerciante da Rodoviária do Plano Piloto reconhece que o Pix facilitou a manutenção do caixa. "O pagamento diminuiu as taxas e facilitou o controle do caixa. É muito melhor trabalhar sem aquele monte de papel acumulado", disse.
Adriano Bolinja, 50, admitiu que não gostou dessa inovação no pagamento. Para ele, o abandono do dinheiro foi um retrocesso para comerciantes e clientes. "Eu preferia o dinheiro físico, conseguia gerir melhor as vendas e até fazer promoções melhores para os clientes", disse. Segundo o comerciante, cerca de 88% das compras em seu comércio são pagas com cartão, 8% com Pix e apenas o restante com dinheiro.
O economista Riezo Almeida, porém, reforça que o pagamento digital traz benefícios para os comerciantes. "Vai além da agilidade, há redução de custos com transporte e guarda de valores e menor risco de assaltos, além da melhor gestão financeira e contábil", concluiu.
