Meio ambiente

GDF cria o Parque Distrital da Serrinha

Nova unidade de conservação protege 60% das nascentes da região e cria barreira verde contra a pressão urbana no Lago Norte. Área não inclui a Gleba A, que chegou a entrar no pacote de socorro ao BRB

O Governo do Distrito Federal (GDF) criou, nesta terça-feira (7/4) o Parque Distrital da Serrinha, no Lago Norte. A medida, autorizada pela governadora Celina Leão, foi formalizada por meio de um decreto em edição extra do Diário Oficial (DODF). O objetivo central da nova unidade de conservação é o ordenamento territorial de uma área sob constante pressão urbana, garantindo a proteção de ecossistemas nativos. No entanto, área do parque não inclui a Gleba A, que chegou a entrar no pacote de socorro ao Banco de Brasília (BRB).

A relevância estratégica do parque reside, principalmente, na segurança hídrica da capital. Segundo a governadora, a região da Serrinha concentra mais de 60% das nascentes mapeadas localmente, funcionando como um elo entre as bacias do Lago Paranoá e de Santa Maria/Torto. “Com a criação do Parque Distrital da Serrinha, a gente dá um passo firme na proteção dessas riquezas naturais, garantindo a preservação direta dos córregos Jerivá e Urubu”, destacou Celina Leão.

Com uma extensão de 65,91 hectares, a unidade abriga recursos ecológicos e paisagísticos de alto valor, como a cachoeira e a piscina natural do Córrego Urubu. Além de proteger a vegetação típica de Cerrado — em suas formações campestres e florestais —, o parque será destinado a atividades de baixo impacto, incluindo pesquisa científica, educação ambiental, ecoturismo e recreação ao ar livre.

Para blindar a biodiversidade local contra os impactos da vizinhança, o decreto estabeleceu uma robusta zona de amortecimento de mais de 600 hectares. Essa área de transição visa disciplinar o uso do solo no entorno e assegurar a "conectividade ecológica" entre o novo parque e outras reservas importantes, como o Parque Nacional de Brasília e áreas de relevante interesse ambiental (ARIAs) do Setor de Mansões Lago Norte.

A gestão do espaço ficará a cargo do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), que terá o prazo de dois anos para elaborar o Plano de Manejo da unidade. Esse documento, que contará com a participação da comunidade local, definirá as regras específicas de uso, as diretrizes para a recuperação de eventuais áreas degradadas e a proteção da fauna silvestre que transita pela região.

Área em disputa

Lúcia Mendes, presidente da Preserva Serrinha, explicou que a criação do parque era uma reivindicação antiga, mas não cobre a Gleba A, alvo de controvérsia por ter sido incluída no conjunto de imóveis que poderiam ser utilizados no processo de capitalização do Banco de Brasília (BRB).

"O decreto da governadora transformou o que seria o Parque Pedra dos Amigos em Parque da Serrinha — uma demanda antiga da comunidade, mas com um desenho tímido diante da imensa área de recarga que precisa ser protegida. E não cobre a Gleba A. Ficamos com um sentimento de que a notícia estava boa demais para ser verdade", acrescentou a ativista. 

A presidente da Preserva Serrinha disse que o trabalho em prol da área prossegue. "Precisamos de mais unidades de conservação de proteção integral nessas áreas de Cerrado. Vamos continuar na luta pela defesa da Serrinha", concluiu.

No início deste ano, a área da Serrinha foi alvo de debate. A proposta do Governo do Distrito Federal (GDF) previa a transferência da Gleba A para reforçar o patrimônio do BRB. No entanto, na última quarta-feira (1º/4), a governadora Celina Leão (PP) anunciou a retirada do local do rol de imóveis.

A possibilidade de incluir a Serrinha no plano de recuperação do BRB vinha sendo questionada por órgãos de controle e por representantes da sociedade civil. As manifestações destacavam riscos ao equilíbrio hídrico e possíveis impactos negativos ao ecossistema local. 

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