tráfico interestadual

Criminosos do DF postavam fotos com fuzis em treinamento no Complexo da Maré

Pela primeira vez, Polícia Civil documenta ida de investigados brasilienses ao Rio de Janeiro para instrução de combate. Justiça bloqueou R$ 1 bilhão em contas bancárias

Investigados do Distrito Federal que integravam uma rede de tráfico interestadual utilizaram as redes sociais para exibir imagens portando fuzis e ostentando o "sentimento de pertencimento" a facções cariocas. As fotos, que mostram os suspeitos segurando armas de grosso calibre em mesas de bar e áreas de patrulhamento no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, foram peças-chave na investigação da Operação Eixo.

Deflagrada nesta sexta-feira (10/4) pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a ação é o primeiro caso documentado pela polícia local em que criminosos saem da capital federal para receber treinamento tático e de combate em redutos de facções fluminenses. No DF, foram expedidos 21 mandados de prisão, dos quais sete já estavam presos por tráfico de drogas. 

De acordo com a delegada Ágatha Braga, responsável pela investigação, os três líderes presos viajavam com frequência ao Rio, onde tinham acesso às comunidades dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP) e pelo Comando Vermelho (CV).

"Lá eles receberam armas de grosso calibre, treinamento de combate e voltaram para o DF. Eles postavam essas imagens portando fuzis nas redes sociais, o que demonstra esse sentimento de pertencimento ao meio faccionado", explicou a delegada, em coletiva de imprensa.

Apesar da instrução militarizada, a polícia agiu antes que o conhecimento fosse replicado em solo brasiliense. "Neutralizamos a ação antes que eles pudessem angariar novos membros ou expandir a facção, e não há indícios de que as armas tenham sido transportadas para cá", completou Ágatha.

Divulgação/PCDF -
Divulgação/PCDF -
Divulgação/PCDF -
Divulgação/PCDF -
Divulgação/PCDF -

Estrutura

A estrutura criminosa era dividida em dois núcleos principais: um voltado ao tráfico de drogas sintéticas e maconha, e outro dedicado a uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro que movimentou até R$ 1 bilhão em todo o país. O braço financeiro contava com a expertise de estrangeiros — dois colombianos e um venezuelano — que operavam empresas de fachada e pulverizavam os lucros por meio de criptoativos.

Durante as buscas, os agentes constataram que as sedes das empresas eram fictícias. “Sete pessoas jurídicas foram alvos de busca e apreensão e não foi constatada atividade em nenhuma delas; existiam apenas no papel para asfixiar o sistema financeiro”, detalhou a delegada.

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press -
Marcelo Ferreira/CB/D.A Press -
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A operação resultou no cumprimento de 33 mandados de prisão temporária e seis prisões em flagrante, além do sequestro de imóveis de luxo em Uberlândia (MG), Guarujá (SP) e Foz do Iguaçu (PR). O montante bloqueado judicialmente visa paralisar a capacidade de reorganização do grupo.

Para a Draco, a operação é um marco no combate à tentativa de entrada de ideologias de facções externas no DF. “Buscamos asfixiar financeiramente para impedir a circulação de dinheiro e garantir que, no futuro, esses valores retornem ao Estado”, ressaltou Ágatha Braga.

Balanço

A Operação Eixo resultou em 96 mandados, sendo 40 de prisão e 56 de busca e apreensão; 33 mandados de prisão cumpridos; seis prisões em flagrante, das quais três foram por tráfico de drogas e três por posse de arma de fogo; apreensão de porções de maconha; 180 comprimidos de ecstasy; duas armas de fogo e munições; R$ 60 mil em espécie e joias; contas de criptoativos bloqueadas; seis veículos de luxo e uma motocicleta; três imóveis (em Foz do Iguaçu, Guarujá e Uberlândia); e a autorização para o bloqueio de R$ 1 milhão em contas bancárias. 

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