
Em um verdadeiro monopólio, localizado na Cidade Estrutural, uma quadrilha mantinha um comércio exclusivo de drogas ilícitas, que movimentou um valor estimado de R$ 150 milhões em 4 anos. Operando com a cooperação de comércios comuns, como uma distribuidora de bebidas, mercadinhos e creperias, os criminosos realizavam a lavagem do dinheiro, que era "misturado" ao caixa das empresas de fachada. A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou a segunda fase da operação Monopólio na manhã desta terça-feira.
A operação, encabeçada por investigadores da Coordenação de Repressão às Drogas (Cord) junto à Polícia Civil do Goiás e a de Polícia Civil de São Paulo, cumpriu 16 mandados de busca e apreensão contra o grupo, nas regiões da Estrutural, Ceilândia e Goiânia. Até o momento, as investigações iniciadas em 2021 revelam que o grupo movimentou, ao menos, R$ 150 milhões. O dinheiro do tráfico era misturado ao caixa de 14 empresas de fachada com atuações no ramo de bebidas e alimentício, como uma creperia no Sudoeste.
De acordo com a polícia, a movimentação financeira atribuída à organização supera R$ 60 milhões em contas de pessoas físicas. Apenas o líder teria movimentado mais de R$ 12 milhões no período. Uma das empresas usadas no esquema teria registrado mais de R$ 14 milhões em transações.
A lavagem de dinheiro operava de duas formas. Em uma delas, eram usadas contas de laranjas recrutados pelo grupo. Os pagamentos do tráfico iam para contas de pessoas físicas, e só depois eram transferidas, ou mesmo sacadas em espécie e entregue nas mãos do líder do grupo.
Por dentro do caso
Segundo o delegado da Cord, Fábio Santos Souza, a outra forma era mesclada: os criminosos misturavam os ganhos lícitos com as 14 empresas identificadas, com os ganhos ilícitos. "Para camuflar os valores oficiais do tráfico de drogas", descreve o agente. Em determinados períodos, muitos desses estabelecimentos encontravam-se fechados, e continuavam movimentando quantias alarmantes de dinheiro.
Segundo o delegado, a organização criminosa está concentrada na Cidade Estrutural, com um rigoroso controle territorial, exercido através de ameaças contra outros grupos que tentassem comercializar no local. "Se o concorrente tentasse comercializar droga abaixo do preço do deles, os criminosos ameaçavam até incendiar a casa dos outros traficantes, intimidando os familiares", descreve o delegado.
Na primeira fase da operação foram identificados nove integrantes no ano passado. Já na segunda fase, nesta terça-feira, foram encontrados mais 16 criminosos da operação, totalizando 25 membros nos estados do DF, GO e SP. Em entrevista ao Correio, o delegado relata que as evidências indicam que as drogas vinham de Mato Grosso e eram comercializadas na capital.

Cidades DF
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