"Não sou eu que vou ensinar política para ela"

Em entrevista exclusiva ao Correio, ontem, o ex-governador Ibaneis Rocha afirmou que Celina Leão tem ignorado o pacto de continuidade na gestão e as tentativas de diálogo. Ele cobrou lealdade sobre sua candidatura ao Senado e comentou a aproximação de Celina com o PL, mas evitou decretar um rompimento definitivo: "Não é divórcio. Estamos na fase dos preparativos".

O senhor usou uma palavra forte no vídeo. Disse que teve "muitas decepções" com a governadora Celina Leão nos últimos dias. Quais foram essas decepções?

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Está acontecendo (decepções) há muito tempo. Eu, mal ou bem, fiz um governo reconhecido por todos. Mas ela achou que tinha que fazer outro governo em três meses. As pessoas querem continuidade. Tentei conversar várias vezes com ela e interlocutores, e não tenho conseguido. Chega uma hora que a gente tem que tomar uma decisão.

Quais foram, concretamente, essas decepções? Tem a ver com o espaço do MDB no governo, com a condução da crise do BRB ou com as negociações de bastidores para as chapas de 2026?

Não tem nada a ver com isso. Nosso combinado com ela era a condução do governo na linha do progresso e do desenvolvimento da cidade. O que ela vem demonstrando, depois que assumiu, não é nessa linha. Ela quer um novo governo. Como não explicou para ninguém, ela que faça do jeito que quiser.

O senhor disse, no vídeo, que não há rompimento, mas o presidente nacional do seu partido, Baleia Rossi, cravou logo em seguida que o MDB terá candidato na chapa majoritária ao Buriti e ao Senado. Como manter uma aliança se o seu partido já fala abertamente em disputar o governo contra a atual ocupante da cadeira?

A Celina está achando que vai ficar amando o PL como se fosse solução da vida dela e querendo os votos do MDB. Onde você ouviu ela dizer que eu sou o candidato dela ao Senado? É cada qual com seu cada quem.

Caso as conversas não avancem e o "realinhamento" vire divórcio, o MDB está pronto para lançar uma candidatura própria ao Governo do DF? Nomes como o de Rafael Prudente ou do próprio Wellington Luiz já estão no tabuleiro?

Não existem conversas. Desde que saí do governo, não existe.

Então já é um divórcio?

Não é divórcio. Estamos na fase dos preparativos

Qual é a linha vermelha que a governadora Celina Leão não pode cruzar para evitar esse divórcio?

Ela que tem que saber. É uma política experiente. Entregamos um governo fácil, uma reeleição tranquila, um grupo formado, partidos formados (alianças). Não sou eu que vou ensinar política para ela.

Wellington Luiz preside a CLDF e o MDB regional. O senhor conversou com ele sobre como fica a tramitação dos projetos de Celina a partir de agora? A fidelidade da bancada do MDB na CLDF passa a ser condicionada a esse "realinhamento"?

Vai depender da atitude dela, vamos esperar os próximos passos.

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postado em 21/05/2026 05:00
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