Feira dos Importados

'É nosso ganha-pão': feirantes aguardam liberação para descobrir se perderam estoque

Comerciantes que atuam na Feira dos Importados desde a década de 90 relatam angústia ao acompanhar o rescaldo. Ausência de seguro nas bancas aumenta a preocupação com dívidas de mercadorias recém-chegadas

A incerteza domina a frente da Feira dos Importados de Brasília (FIB) na manhã desta segunda-feira (11/5). Enquanto o Corpo de Bombeiros (CBMDF) atua no rescaldo do incêndio do Bloco C, feirantes como o senhor Luiz Eduardo Vieira, de 69 anos, e sua esposa, Maria Anterlúcia, de 63, aguardam notícias sem saber se seus negócios foram consumidos pelas chamas. Trabalhando no local desde 1997, o casal soube do incidente pela televisão e correu para o SIA em busca de informações que ainda não chegaram.

O depoimento de Luiz Eduardo reflete o drama de centenas de trabalhadores que dependem da feira. Além de não saberem quais bancas foram atingidas, a falta de um seguro coletivo agrava o prejuízo de quem, como ele, tinha acabado de renovar o estoque. "É o nosso ganha-pão. O que a gente tem está lá dentro. A gente nunca compra as coisas à vista, compra parcelado. Cheguei de São Paulo terça-feira passada com mercadoria no cartão; se o fogo derrubar lá, a conta não paga", lamentou o comerciante, que trabalha com utilidades domésticas e itens automotivos.

A dinâmica do incêndio, iniciado às 5h31, foi marcada pela rápida propagação entre os boxes próximos. O Capitão Octávio Quintiliano informou que cerca de 20 bancas sofreram danos severos, mas a fumaça tóxica de metais pesados e a baixa visibilidade ainda impedem a entrada dos proprietários para a conferência individual. Segundo Luiz, a única notícia que recebeu foi sobre um vizinho de corredor: "Já tem notícia que a de um vizinho meu, o Léo, pegou fogo. Ele trabalha com roupa e tênis ali na pracinha do conjunto C".

Até o momento, a administração da feira não forneceu uma lista oficial dos atingidos. O CBMDF mantém o isolamento do Bloco C por risco químico, enquanto as vias de acesso seguem interditadas com ao menos seis viaturas no local. A expectativa é que, após a dissipação da fumaça e a realização da perícia, os blocos não atingidos (A, B e D) sejam liberados para funcionamento nesta terça-feira (12/5), permitindo que parte dos feirantes retome suas atividades. Não houve registro de feridos.

Mais Lidas