O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) comemorou, nesta quinta-feira (28/5), o primeiro ano do programa Saúde no Campo com o evento “Saúde Rural em Evidência”, em Brasília. A iniciativa reuniu autoridades, especialistas e representantes do setor para debater avanços, desafios e perspectivas da promoção da saúde preventiva no meio rural brasileiro.
Criado em maio de 2025, o Saúde no Campo é uma iniciativa do Sistema CNA/Senar, entidade de apoio e capacitação do setor rural. O programa leva acompanhamento periódico às propriedades rurais por meio de técnicos de saúde, com orientações sobre prevenção de doenças, controle de indicadores como pressão arterial e glicemia, além de encaminhamentos para atendimento médico quando necessário.
Durante o evento, o diretor de Saúde do Senar, Renilson Rehem, destacou que a celebração do primeiro ano também foi um momento de avaliação dos resultados já alcançados.
“Aproveitamos para ser um momento de comemoração, mas também de reflexão. E foi muito interessante, nós tivemos a oportunidade de compartilhar algumas histórias transformadoras de vida”, afirmou ao Correio. Segundo ele, o encontro “foi um sucesso e nos anima ainda mais para fazer crescer o programa”.
Atualmente, o Saúde no Campo está presente em 25 estados e mais de 820 municípios, com cerca de 55 mil pessoas atendidas. A proposta é levar atendimento preventivo e orientação contínua a famílias rurais que, muitas vezes, enfrentam dificuldades para acessar serviços de saúde.
Rehem ressaltou que a distância e a dificuldade de deslocamento ainda são alguns dos principais obstáculos para essa população.
“Sabemos que essa população tem dificuldade para ter acesso ao serviço de saúde porque estão em lugares distantes, muitas vezes de difícil acesso. Principalmente o pequeno produtor, ele não tem um meio de transporte”, explicou.
Uma das apostas do programa para superar esse desafio é o uso da tecnologia. Além das visitas mensais de enfermeiros e técnicos de enfermagem, o programa oferece teleconsultas com clínicos, pediatras e psicólogos.
“Quando é necessário, é feito por teleconsulta, pelo celular ou pelo computador”, disse o diretor. Ele chamou atenção, ainda, para a demanda relacionada à saúde mental no meio rural. “Infelizmente, a frequência de problemas de saúde mental no campo é surpreendente. Eu pessoalmente não imaginava que tivéssemos tantos casos”.
O evento também apresentou soluções inovadoras voltadas ao atendimento no campo, como exames portáteis, rastreamento de doenças com inteligência artificial e plataformas de telemedicina.
Para os próximos meses, a expectativa é ampliar significativamente o alcance do programa. “A meta é chegar no final do ano atendendo a 100 mil pessoas. E continuar crescendo”, afirmou Rehem. Segundo ele, a tendência é de expansão acelerada à medida que as regionais ganham experiência na implementação da iniciativa.
Ao completar um ano, o Saúde no Campo busca reduzir desigualdades no acesso à assistência e melhorar a qualidade de vida de produtores e trabalhadores do campo.
Desafios
O Saúde no Campo se dá em um contexto em que produtores rurais brasileiros, em muitas regiões do país, encontram dificuldades para acessar serviços especializados devido a desafios estruturais e logísticos. Essas barreiras impactam o diagnóstico precoce, a prevenção de doenças e a continuidade do acompanhamento clínico.
Em mais de 96 mil visitas realizadas às propriedades rurais, o Senar levantou dados que ajudam a retratar a realidade da saúde no campo. Entre os atendidos pelo programa, 21.163 relataram algum tipo de comorbidade, com destaque para doenças cardiovasculares (39,57%), diabetes (16,56%) e questões relacionadas à saúde mental (12,61%).
Além dos aspectos clínicos, o programa identificou desafios estruturais que impactam diretamente a saúde da população rural, como destinação inadequada de lixo, uso de água sem tratamento e condições precárias da rede de esgoto.
Os estados participantes contam com um enfermeiro supervisor e 15 técnicos de saúde rural (técnicos de enfermagem ou enfermeiros). Cada módulo é responsável por atender até 2.250 pessoas em 450 propriedades rurais. Atualmente são mais de 720 técnicos atuando no campo.
Além das visitas, são distribuídos um caderno de saúde individualizado para registro de informações e orientações e um kit de primeiros socorros, contendo: curativos, ataduras, antisséptico em spray, entre outros itens.
