Um ano depois da morte de João Gabriel Matos da Silva, 20 anos, a família do jovem reviveu, durante uma audiência feita no fim de julho, os detalhes do disparo que interrompeu a vida do estudante no Recanto das Emas. A poucos dias de completar um ano do caso, os parentes agora aguardam a decisão que definirá se o agente de custódia acusado pela morte será levado ou não ao Tribunal do Júri.
Para os familiares, entretanto, a audiência deixou a impressão de que a tese de legítima defesa putativa — quando uma pessoa acredita, por erro, que está sofrendo uma agressão injusta e atual — prevaleceu. A possibilidade é contestada pelos parentes, que sustentam que João Gabriel não estava armado.
“Não tinha nada na cintura. O agente de custódia ia entregar uma intimação e achou que ia ser assaltado. Queremos que vá para o Tribunal do Júri. A gente quer justiça”, afirma a tia da vítima, Neide Matos.
Para Neide, o tempo não diminuiu o impacto da morte. Ao contrário. A audiência, segundo ela, fez com que a família revivesse o episódio. “Completou um ano e queremos focar no corporativismo e em como a Promotoria está para fiscalizar. E ele vai ser absolvido? Achar que isso justifica matar?”, questiona.
O caso
João Gabriel foi morto em 14 de agosto de 2025, quando estava em uma motocicleta com um amigo adolescente. O agente de custódia, que estava em um veículo descaracterizado, havia ido à região para cumprir uma intimação.
Desde o início da investigação, as versões sobre a abordagem são divergentes. A família afirma que João não teria percebido que se tratava de uma abordagem policial e que teria tentado se afastar quando foi baleado. A tia sustenta que não havia elementos que justificassem o disparo.
“Não tinha blitz, não tinha parada. Ele fugiu do assassino e levou um tiro pelas costas”, afirma Neide.
A versão apresentada pela família é contestada pela defesa do agente, que sustenta a ocorrência de uma situação de legítima defesa.
