
A osteoporose, doença silenciosa que aumenta risco de fraturas e compromete a mobilidade, foi tema, ontem, do CB.Saúde — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. Às jornalistas Sibele Negromonte e Mila Ferreira, o ortopedista do Hospital Santa Lúcia Sul Marcelo Ferrer destacou a importância da atividade física e de uma dieta com cálcio para fortalecer os ossos. O médico também falou sobre a necessidade de se manter atento ao histórico familiar para identificar a doença de forma precoce.
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Quais são as características da osteoporose?
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Conceitualmente, a osteoporose é uma doença que causa perda da massa óssea, da mesma forma que a gente pode ter uma perda de massa muscular. No entanto, é muito complexa a maneira como ela ocorre e como é tratada. Mais complexas ainda são as consequências, que podem ser fratura, perda de altura e de mobilidade. É importante termos em mente que a osteoporose é cada vez mais comum e que 90% dos casos são causados por senilidade. Nossa população aumenta a idade e, com isso, aumenta a probabilidade de desenvolver osteoporose e de ter fraturas.
De que forma as pessoas podem fortalecer os ossos?
Nosso osso é uma estrutura muito viva e vascularizada. À medida que a gente ingere o cálcio, há formação de osso. Quando existe um desequilíbrio entre a absorção e a reincorporação do osso, aparece a osteoporose. Então, precisamos sempre ter o substrato, que é o cálcio. Para tanto, é preciso ter uma dieta com esse mineral. Leite e derivados são as principais fontes. Inclusive, no início da vida, a alimentação é basicamente leite, por meio da amamentação. Vegetais verdes com folhas verdes-escuras também têm muito cálcio. Devemos usar muito esses vegetais, como couve, agrião, espinafre e brócolis. Precisamos ter isso em mente para que possamos ter uma oferta de cálcio maior do que a gente naturalmente precisa.
Além da alimentação, o que é possível fazer para fortalecer a estrutura óssea?
O nosso organismo é metabolicamente muito ativo. A gente precisa ingerir o cálcio, mas isso não é suficiente. É preciso ter algum estímulo para que esse mineral fique no osso. O estímulo principal é a atividade física. O paciente que tem uma fratura, por exemplo, imobiliza um braço ou uma perna. Aquele membro vai entrar em osteoporose seletiva. Chamamos de osteoporose por desuso. Ou seja, se a gente deixa de usar, vem a osteoporose. Então, uma forma de a gente garantir a massa óssea persistente é atividade física. Além disso, a gente depende tanto da absorção do mineral pelo sistema digestivo quanto da transferência do sangue para o osso, feita pela vitamina D. Então, precisamos ter vitamina D, que, no nosso país, é fácil encontrar porque temos muito sol. Todas as pessoas devem ter o hábito de pegar um pouco de sol.
Como a pessoa sabe se está com osteoporose?
A osteoporose é assintomática até que haja uma fratura. Ninguém vai atrás para ver se tem. Por isso, temos que considerar os fatores genéticos. Brancos têm mais osteoporose. Europeus têm mais. Quando temos esse fator de risco, de vez em quando é importante fazer um exame. Um deles é a radiografia que, muitas vezes, diagnostica por acaso. Quando a gente quer fazer um diagnóstico de osteoporose e quantificá-la, fazemos o exame de densitometria óssea.
A partir de que idade os médicos devem pedir a densitometria óssea?
As pessoas que têm casos de osteoporose na família devem fazer esse exame a partir dos 40 anos. É importante fazê-lo para ter um exame de parâmetro e ver como vai evoluir nos próximos cinco ou 10 anos. Se a pessoa tem um diagnóstico, de dois em dois anoso ela deve ter o controle desse exame. Se ela entrar em uma faixa que varia da normalidade, tem que começar o tratamento. Nesses casos, a gente repete o exame depois de um ano para ver o resultado do tratamento. Temos que considerar que alguns casos de osteoporose vêm de doenças metabólicas. Então, precisamos ter alguns outros exames. Pessoas que têm alteração de hormônios da tireoide, doentes renais, principalmente os renais crônicos, por exemplo, têm muita perda de massa óssea. Esses pacientes estão muito sujeitos a desenvolver osteoporose de forma precoce. É preciso ficar atento a isso para fazer diagnóstico e o tratamento.
Como as pessoas, especialmente a população idosa, podem prevenir quedas?
A prevenção da osteoporose está muito ligada à atividade física. A pessoa que pratica exercício tem uma massa muscular melhor. Naturalmente, ela vai ter um osso mais forte. Tratamos desde o início com atividade física. Além disso, diminuir os riscos é importante, como ter calçados e piso antiderrapantes. Sandálias muito moles na frente são muito perigosas. Às vezes, a pessoa que não levanta muito a perna ou pisa um pouco de lado é projetada para frente e cai. Hoje, se dá muito mais atenção, nos projetos de arquitetura, para não ter desníveis em casa. Outro fator de alto risco é o tapete. Pessoas idosas não devem ter tapete em casa. Banheiro tem que ter corrimão no box e piso com material antiderrapante para diminuir riscos.
Como é o tratamento para a osteoporose?
A cura dessa doença depende do diagnóstico e do entendimento da pessoa de que é preciso cuidar, ter oferta de cálcio na dieta, precisa ter vitamina D e, muitas vezes, precisa ter uma medicação para estimular a captação do cálcio. E, superimportante, é preciso atividade física.
Confira a entrevista na íntegra:
*Estagiária sob supervisão de Eduardo Pinho
Revista do Correio
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Ciência e Saúde