Medula óssea

Saiba o que é e como age o mieloma múltiplo, câncer que matou Cristiana Lôbo

Jornalista da GloboNews morreu depois de uma pneumonia agravada pela doença que afeta as células do sangue

A morte da jornalista e colunista política Cristiana Lôbo, nesta quinta-feira (11/11), causou lamento e surpresa, principalmente pela falta de conhecimento do câncer raro que a levou ao óbito, o mieloma múltiplo. Considerado um dos mais raros do país, os casos de mieloma não chegam a ser expressivos para fazer parte das estimativas anuais do Instituto Nacional de Câncer (INCA). 

Especialistas da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) afirmam que há aproximadamente 7,6 mil novos casos por ano da doença que não tem cura, apenas tratamento. Saiba abaixo o que é, como se desenvolve e como identificar o câncer: 

O que é

O mieloma múltiplo é um câncer desenvolvido na medula óssea que promove a criação de plasmocitomas defeituosos. A doença faz com que os plasmócitos, responsáveis pela produção de imunoglobulinas (proteínas responsáveis pela defesa do organismo - os chamados anticorpos), sofram uma mutação e percam a função essencial para o organismo.

Ao mesmo tempo, essas células defeituosas assumem um papel degenerativo que atrapalha o bom funcionamento das células saudáveis. Se acumuladas, os plasmócitos anormais formam os plasmocitomas, considerados um tumor maligno.

Os plasmocitomas podem crescer dentro (intramedular) e fora do osso (extramedular) e prejudicam a produção normal das outras células sanguíneas, assim como corroem a estrutura óssea.

Os plasmócitos anormais também produzem proteínas monoclonais, ou proteína M, que é uma imunoglobulina mal formada, que pode danificar os rins.

Sinais e sintomas

A hematologista do Hospital Brasília Andresa Melo afirma que os sintomas deste câncer se dividem entre manifestações externas, que podem ser constatadas sem o auxílio de exames sanguíneos, e internas.

“Mieloma múltiplo é uma doença oncológica que acomete o sangue e pode se manifestar com anemia, lesões ósseas, insuficiência renal e aumento do cálcio. Os principais sintomas e sinais estão relacionados a essas alterações”, conta. “Então o paciente pode se apresentar com fraqueza, alteração na função dos rins e dor nos ossos, uma dor que muitas vezes é bem forte”.

É considerado um sinal de alerta se, pessoas com mais de 60 anos, apresentarem:

  • Anemia (especialmente em casos inéditos no histórico do paciente);
  • Perda de peso súbita; 
  • Palidez; 
  • Dor nos ossos e fraturas: o problema é mais frequente nas costas, quadris e no crânio; 
  • Baixas taxas sanguíneas: número de plaquetas baixo; 
  • Problemas renais; 
  • Infecções; e 
  • Cansaço extremo. 

Causas

Não há uma causa específica para o desenvolvimento do câncer, que é considerado um dos mais raros do país. Por ter incidência menor, o mieloma não faz parte das estimativas anuais do INCA. No entanto, especialistas da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) afirmam que há aproximadamente 7,6 mil novos casos por ano. Nos Estados Unidos, são 19 mil casos anuais.

Para Melo, a idade é um fator de risco. “É uma doença que acomete principalmente os idosos, a gente não costuma ver jovens com essa doença. Então a idade é, sim, um fator de risco. A partir dos 60 anos aumenta bastante a chance de se desenvolver”, pontua.

Diagnóstico

Como todo câncer, o diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento e a manutenção da vida. No entanto, o mieloma passa despercebido por ter sintomas corriqueiros, como cansaço ou dor nas costas. Assim, médicos recomendam que pessoas com mais de 60 anos que apresentem os sintomas persistentes não se mediquem, mas procurem um especialista para checar as causas. É nesse momento que os exames poderão desmascarar a doença.

“O diagnóstico é feito a partir de um exame laboratorial chamado de eletroforese de proteínas e avaliação de medula óssea onde é identificada aumento das células plasmócitos, que quando estão alteradas justificam o desenvolvimento das doenças”, explica a especialista.


ColiN00B/Pixabay - O mieloma múltiplo corresponde a 10% dos casos de cânceres das células do sangue e 1% de todos os tipos de câncer


Tratamento

O mieloma não tem cura, no entanto, o avanço científico permite um tratamento que garante o controle da doença. “Apesar de não ter perspectiva de cura, é considerada uma doença crônica, já que a gente tem inúmeras estratégias de tratamento que consegue controlar a doença por anos e oferecer uma qualidade de vida muito boa para os pacientes”, tranquiliza a médica.

A condição clínica do paciente determinará o tratamento para a doença, que poderá ter a utilização de radioterapia, quimioterapia e imunoterapia. “O transplante de medula óssea pode ser associado no tratamento dos pacientes jovens com faixa etária abaixo de 75 anos”.

Outros cuidados também devem ser implementados na rotina para prevenir outras doenças e fortalecer o sistema imunológico, como atividade física e dietas especiais.

 

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